PANCREATITE EM FELINOS

Adaptado e complementado do site ttp://medfelina.blogspot.com, do M.V. especialista em felinos Reginaldo Pereira, de Fortaleza, Ceará. 

               Pancreatite é o nome dado aos processos inflamatórios e infecciosos que acometem o pâncreas, órgão responsável pela produção de enzimas para a digestão dos alimentos (pâncreas exócrino) e pela produção de hormônios responsáveis pelo controle dos níveis de açúcar no sangue (pâncreas endócrino). 

O sistema digestório dos felinos apresenta a particularidade anatômica de que o ducto biliar (que secreta conteúdo proveniente do fígado e da vesícula biliar) e o ducto pancreático (que secreta enzimas proveniente do pâncreas) se unem antes de desembocar no duodeno (porção cranial do intestino), e assim uma inflamação ou infecção hepática ou intestinal podem levar o pâncreas a um processo inflamatório agudo ou crônico, ocorrendo a chamada Tríade Felina. Portanto, animais com um quadro de lipidose  hepática (https://blogfelino.wordpress.com/2011/12/01/lipidose-hepatica-felina/) e doença intestinal inflamatória (https://blogfelino.wordpress.com/2012/02/09/doenca-intestinal-inflamatoria-dos-felinos/) sempre devem ser avaliados para pancreatite. Traumas, neoplasias, infecções e processos inflamatórios são os responsáveis mais comuns pela pancreatite nos felinos.

               Os sintomas diferem em relação à pancreatite canina. Vômitos e dor abdominal não são comuns. A apatia é um sintoma marcante e bem pronunciado, seguido de anorexia e hipotermia. Outros sintomas podem ser encontrados: diarréia, icterícia (mucosas amareladas), ascite (líquido abdominal livre), dispnéia (dificuldade respiratória), desidratação, agressividade e febre.

O diagnóstico não é simples. Uma ultrassonografia abdominal é sempre indicada, porém uma imagem pancreática normal não exclui a doença. Radiografia é muito pouco útil nestes casos. O perfil hematológico e bioquímico pode demonstrar alterações inespecíficas. As enzimas hepáticas quase sempre estarão aumentadas. A amilase e lipase não possuem importância diagnóstica, entretanto alguns autores afirmam que um valor aumentado destas em um liquido ascítico, em relação à concentração plasmática, sugere a uma pancreatite. Os testes mais sensíveis e específicos são os de Imunorreatividade da lipase e do tripsinóide sérico, mas de difícil acesso à maioria dos clínicos. Hoje tempos disponível um exame, que pode ser realizado na clínica, que detecta a Lipase Pancreática Felina, enzima que, quando aumentada, indica a presença da doença (snap test fPL Felino Idexx – Lipase Pancreática Felina).

               O tratamento baseia-se nos cuidados emergenciais, principalmente em assegurar equilíbrio hidroeletrolítico, usando-se a fluidoterapia endovenosa; limitar a translocação bacteriana, administrando-se antibióticos; o uso de corticóides é discutido, mas pode ser útil na inibição da produção e liberação de mediadores da inflamação. Normalmente não se preconiza o jejum em gatos,diferentemente de humanos e cães. A exceção é se o vômito está presente.

Por último, cuidado com pacientes diabéticos, pois acredita-se que são sempre candidatos à pancreatite.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s