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O TATO DOS GATOS

Por Joice Peruzzi, médica veterinária especialista em Comportamento Animal.  

http://www.petestar.com.br

Publicado na Revista Pulo do Gato, edição 78, Novembro/Dezembro 2013.

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Assim como a visão e o olfato, o tato é um importante sentido para o espírito caçador dos bichanos, além de preveni-los contra situações dolorosas.   

        O que seria de nossa rotina sem o “momento carinho do dia”? Afagar os bichanos é uma terapia e a interação com eles é fundamental para o bem-estar da relação gateiro-gatinho. Mas você já imaginou fazer um carinho no seu filhote de quatro patas e ele não apresentar nenhuma reação? Seria estranho, não? Então agradeça ao tato, pois é através desse sentido que o felino reconhece os estímulos externos e reage a eles.

          Os sensores táteis espalhados pelo corpo do gato podem trazer informações de temperatura, pressão, toque, texturas, vibrações, velocidade e direção de correntes de ar, auxiliando nas atividades diárias, como a caça, e garantindo a sua sobrevivência graças ao sistema de termorregulação e da percepção da dor.

DESENVOLVIMENTO

          O tato é um dos sentidos presentes nos gatinhos recém-nascidos (neonatos), juntamente com o olfato, devido à sua importância na orientação do filhote para encontrar a mãe e os irmãos. Através do reflexo de fossamento, que associa os sentidos do tato e do olfato, o gatinho fuça à procura do seio da gata para mamar.

        A regulação térmica no recém-nascido é insuficiente, por isso a gata tem cuidado intensivo nos primeiros dias da vida, mantendo todos os filhotes aquecidos e juntos de si.

       Conforme o filhote cresce, há um maior desenvolvimento dos outros sentidos e também do tato.

CARINHO

         Batidas delicadas e afagos são as carícias favoritas dos gatos, pois estimulam os receptores táteis de todo o seu corpo. A tolerância ao carinho e preferências quanto ao tipo de carícia variam individualmente, e dependem de diversos fatores, como idade de desmame, socialização e genética.

           A maioria dos gatos não tolera ser apertado, apenas segurado firmemente e com seu apoio assegurado. Para a maioria dos procedimentos com gatos é indicada a contenção mínima.

VIBRISSAS: OS FAMOSOS BIGODES

         Além dos receptores táteis presentes em todo o corpo do gato, existem pelos modificados que também atuam como grandes receptores ambientais: as vibrissas, vulgo bigodes.

            Os gatos possuem vibrissas nas seguintes regiões: bucal, bochechas, acima dos olhos, queixo, carpos (região das patinhas).

            Cada uma das vibrissas possui folículo próprio que é cinco vezes maior que o folículo de um pelo comum, preenchido com sangue e com muitos receptores neurais, além de ter musculatura própria que possibilita a sua movimentação.

          Esse sistema permite ao gato captar as mais leves mudanças nas correntes de ar, o que o ajuda na locomoção, especialmente no escuro, e a caçar. O menor movimento de uma presa próxima ao gato pode ser captada por suas vibrissas, facilitando a caça em situações de visão comprometida.

           A perda das vibrissas torna o gato mais dependente da visão para a caça, mas não o deixa em desequilíbrio ou desestabilizado como muitos afirmam. De qualquer forma, por ser um importante meio de localização em determinadas circunstâncias, o corte das vibrissas não é indicado.

DOR

          Outra função importante dos receptores táteis é afastar o gato de situações que causem dor, ou seja, quando há a percepção de uma lesão tecidual de qualquer origem. O limiar de dor varia de gato para gato.

TEMPERATURA

Os gatos têm menor sensibilidade ao calor do que os humanos. No entanto, há uma importante sensibilidade nasal a mudanças pequenas de temperatura.

Reações de evitação são observadas a partir de 51‘’C (em humanos essas reações aparecem em torno de 44‘’C).

Essa falta de sensibilidade é o que faz alguns bichanos procurarem o calor de um motor de carro ou a proximidade do fogo, chegando a chamuscar seu pelo sem desconforto maior.

O APRENDIZADO DOS GATOS

Por Joice Peruzzi, Médica Veterinária Homeopata e especializada em Comportamento Animal. Pet Estar: Comportamento, Exercícios e Bem Estar, http://www.petestar.com.br

Matéria publicada na Revista Pulo do Gato, Caderno Especial Comportamento, Edição 73, Janeiro / Fevereiro 2013 (disponível apenas em versão impressa). 

“A MANIPULAÇÃO PRECOCE DO FILHOTE, UMA BOA SOCIALIZAÇÃO PRIMÁRIA E O DESMAME NO TEMPO CORRETO INFLUENCIAM O APRENDIZADO DELE QUANDO ADULTO”

O aprendizado dos gatos é um tema que traz dúvidas, comparações e mistificações. Por ser considerado um animal independente, muitos o julgam como interesseiro e afirmam que ele é incapaz de obedecer. Claro, se comparado ao cão, o gato parece muito menos obediente, mas devemos entender que são espécies completamente diferentes e comparações comportamentais nem sempre podem ser traçadas.

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TIPOS DE APRENDIZADO DOS FELINOS

# Observação: é o tipo de aprendizado mais característico dos felinos;

# Tentativa e erro;

# Por evento único (experiência);

# Por condicionamento.

Não devemos esquecer também da questão instintiva, que é inata e transcende o aprendizado.

APRENDIZADO QUANDO FILHOTES

Para compreendermos melhor o tema, precisamos entender o desenvolvimento desde o nascimento do gato. Podemos afirmar que em torno dos dez dias de vida os gatinhos têm sua primeira grande lição, aprendendo a localizar o mamilo preferido da gata para mamar, por tentativa e erro.

Filhotes também são capazes de aprender a evitar situações nocivas através da experiência, esquivando-se de locais onde algo ruim aconteceu.

Mas a maior lição é proveniente da observação da mãe. É a partir daí que os filhotes aprendem a usar a caixa de areia, a caçar e a comer. O aprendizado da caça é reforçado pela gata, que na fase de desmame começa a trazer presas atordoadas para que seus filhotes desenvolvam suas habilidades e aprendam a matá-las.

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APRENDIZADO NA FASE ADULTA

Na fase adulta, como todas as espécies, o gato continua a aprender, por isso, é possível usar algumas técnicas para modificar comportamentos inadequados através do condicionamento.

É importante ressaltar que as técnicas não são utilizadas isoladamente, mas sim como parte de uma intervenção, que pode também incluir enriquecimento ambiental, mudanças no manejo e medicações.

Dessa forma, podemos usar estímulos negativos para corrigir alguns comportamentos, utilizando uma substância aversiva, como o plástico filme em um sofá para evitar arranhaduras ou um spray de água para evitar brincadeiras agressivas. Recompensas também devem ser feitas, como carinho, comida ou brincadeira quando o gato estiver se comportando de maneira adequada.

Além disso, os gatos adultos mantém seu aprendizado por observação. Isso explica porque eles abrem as portas e os armários, imitando seus donos. Por tentativa e erro aprendem a usar brinquedos inteligentes ou interativos, recheados com petiscos, nos seus mais variados formatos e formas de liberação de comida.

É importante ressaltar que, individualmente, os gatos mostram características e motivações diferentes para o aprendizado e têm seu temperamento particular. Sabe-se que a manipulação precoce do filhote, uma boa socialização primária e o desmame no tempo correto (depois dos 45 dias) influenciam o aprendizado dele quando adulto.

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CONDICIONAMENTO

Talvez a grande dúvida em relação ao aprendizado dos gatos surja quando comparamos a sua capacidade de aprender truques com a dos cães. Devemos entender que o tipo de interação dos felinos com seus tutores é diferente, pois se baseia em uma relação que equilibra períodos de contato estreito com afastamento, contra a ligação constante e intensa entre um cão e seu dono. Portanto, por estar sempre próximo e pronto para servir ao seu dono, o cão acaba tendo maiores chances de aprender truques.

O tipo de motivação usada para ensinar truques é outra barreira para os gatos, que perdem facilmente  o interesse na recompensa (comida, brinquedo ou carinho) quando lhes é proposto um desafio. No entanto, isso pode ser administrado com truques fáceis no início, como pedir para um gato se posicionar próximo a algum lugar movendo a comida e associando isso a um comando. Aumente a dificuldade aos poucos, pedindo para o bichano pular para uma superfície mais alta ou mais baixa ou sentar.

É importante respeitar o tempo de duração de cada sessão, que deve ser curto, para que o gato não perca o interesse. O dono deve ter muita paciência e comprometimento, sempre respeitando as particularidades da espécie felina.

Com um mecanismo semelhante ao de recompensa com dificuldade gradual, podemos ensinar um gato a usar o vaso sanitário, a passar por uma portinhola própria para a espécie e a andar com coleira e guia na rua.

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Com esses dados e observação dos nossos bichanos, percebemos que duvidar da inteligência e do aprendizado dos felinos é um erro tão grande quanto compará-los aos cães. A maioria dos tutores de gatos não faz a menor questão que seu gato saiba truques, mas é importante entender o mecanismo de condicionamento para corrigir alguns comportamentos inadequados e para tornar a relação com o gatinho ainda mais agradável!

GATO DE APARTAMENTO

Por Raquel Redaelli.

Matéria publicada na Revista Pulo do Gato, Caderno Especial Comportamento, Edição 73, Janeiro / Fevereiro 2013 (disponível apenas em versão impressa) 

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 O COMPORTAMENTO DOS FELINOS PODE NOS DIZER MUITA COISA. O SEU GATO ESTÁ BEM ADAPTADO AO AMBIENTE EM QUE VIVE?

                                    Gatos vivendo exclusivamente dentro de apartamentos são uma realidade hoje em dia, considerando que estão cada vez mais se tornando o animal de estimação preferido pelas pessoas no mundo todo. Além das suas características apaixonantes (quem tem gatos sabe bem), eles são extremamente limpos e seus hábitos de higiene exigem muito menos cuidados que um cão. Gatos urinam e defecam nas suas caixas de areia, não necessitam de passeios, exigem menos banhos, podem ficar sozinhos em casa o dia todo, às vezes mais de um dia, desde que tenham água, comida e caixas de dejetos suficientes.

                                Porém, a domesticação dos gatos transformou os hábitos de vida livre que a espécie possui em “confinamento”, tendo todas as suas atividades restritas ao que o seu proprietário oferece, e não àquilo que a natureza dispõe.

                                Os gatos que tem vida livre ou que tem acesso à rua estão suscetíveis aos riscos que o meio externo apresenta, como acidentes, brigas, maus tratos e doenças; esses gatos têm uma expectativa de vida de dois anos. Já os nossos gatos de apartamento estão muito mais protegidos desses fatores externos, podendo chegar a viver em torno de 16 anos. Porém, esta restrição de espaço e de atividade pode trazer conseqüências à saúde e até mesmo ao bem estar dos bichanos.

1894 Steinlen lait purAo contrário do que muitos pensam, os gatos são independentes apenas em relação aos seus hábitos de higiene, mas são muito dependentes de carinho e atenção. O gato pode sim ficar mais tempo sozinho que um cão, mas isso não significa que ele fique satisfeito. Por mais que o gato esteja restrito a um apartamento ao invés de estar livre, podemos transformar nossa casa em um local interativo para ele, fornecendo atividade que supram suas necessidades de exercício e procurando manter seus instintos.

QUANDO O GATINHO ESTÁ ADAPTADO E FELIZ, ELE:

  • Dorme cerca de 16 horas por dia;
  • Realiza a lambedura da sua pelagem em torno da metade do tempo que está acordado;
  • Responde aos estímulos de brincadeira;
  • Caça objetos;
  • Sobe em móveis;
  • Interage com os humanos da casa e com outros animais;
  • Pede carinho;
  • Ronrona;
  • Urina e defeca em local adequado;
  • Alimenta-se bem.

QUANDO O BICHANO ESTÁ SOFRENDO COM A RESTRIÇÃO DE ESPAÇO, ELE:

  • Esconder-se frequentemente;
  • Demonstra medo e agressividade;
  • Urina e defeca fora da caixa de areia (isso pode representar a marcação de território e acontece em vários locais da casa, em um local específico ou próximo a caixa de dejetos);
  • Apresenta comportamentos compulsivos, como lambedura excessiva, sucção tecidos, excesso de apetite, perseguição de sombras, etc.  

                             Muitas vezes esses transtornos podem ocorrer pela presença de outros gatos ou outros animais na casa. Gatos são seres que gostam de ter seu próprio espaço, que costumam se sentir mais confiantes com pessoas e ambientes conhecidos, onde tenham o controle do ambiente, e ter que dividi-lo com outros pode deixá-lo infeliz.

São comuns os problemas de saúde relacionados ao estresse pela presença de outros animais. Os mais comuns são os problemas urinários e a alopecia psicogênica. Os problemas urinários ocorrem muitas vezes pois o gato evita ir na caixa de areia por se sentir intimidado por outro gato ou por ter um cão que o segue por todos os lados. Na alopecia psicogênica o gato realiza o cuidado excessivo da pelagem, sem fatores clínicos que justifiquem, com lambedura e mastigação do pelo, provocando alopecia e lesões na pele. A lambedura excessiva, e outros comportamentos compulsivos, é uma forma de o gato lidar com estresse, ansiedade e frustrações. Estes comportamentos podem ocorrer ainda como forma de chamar a atenção do proprietário.

veterinario gatos 23A socialização do gato com os humanos, com outros gatos e com animais de outras espécies deve acontecer enquanto filhote, tornando-se um adulto mais adaptado. A falta de socialização pode prejudicar, no futuro, sua adaptação a situações, locais e pessoas diferentes, gerando alto grau de estresse toda vez que for obrigado a se deparar com circunstâncias diferentes daquelas a que esteja habituado. Uma boa socialização permitirá que o gatinho se torne facilmente adaptável à presença de seres humanos, sendo receptível às visitas que chegam ao seu “território”, sem que esta experiência se torne algo amedrontador e o faça esconder-se num cômodo até que os “invasores” deixem o ambiente.

                              Mudanças sutis no território podem ser suficientes para uma reviravolta no comportamento do gato, por isso, se o seu bichano for muito sensível, evite mudanças desnecessárias no ambiente, como a introdução de novos animais, mudança de lugar de móveis, reformas e mudanças de casa. Caso sejam necessárias, as mudanças devem ser feitas de modo gradativo.

                              Gatos machos não castrados tendem a sofrer mais em espaços menores, pois tem seu instinto sexual, de caça e de marcação de território muito mais evidentes.

                                 Respeite o espaço que seu gato necessita: posicione a caixa de areia em local tranqüilo, fora da área de passagem, e longe pelo menos um metro da sua água e comida e da sua área de descanso; tenha caixas de dejeto grandes, no mínimo uma a mais que o número de gatos da casa; ofereça vários potes de água pela casa, e deixe a comida em local de fácil acesso. Além disso, promova o enriquecimento ambiental com prateleiras, túneis, brinquedos, fontes de água, etc. para que o gato possa interagir e exercitar-se, participe das brincadeiras, respeite seus medos, evite situações estressantes e, muito importante, dê atenção e carinho. Ele saberá retribuir!

XIXI NO LUGAR CERTO

Por Joice Peruzzi, Médica Veterinária Homeopata e Especialista em Comportamento de Cães e Gatos. Conheça mais sobre o trabalho em http://petestar.com.br/

Uma grande vantagem dos gatos em relação aos cães como animais de estimação é a caixa de areia (caixa de dejetos). A grande maioria dos gatos usa a caixa com muito prazer, sem precisar ser ensinado, ele é naturalmente atraído a fazer suas necessidades nesse local.

Porém, alguns gatos podem urinar, ou menos freqüentemente, defecar fora da caixa. Isso pode acontecer por vários motivos:

. A caixa de areia está muito perto da sua comida e água ou da área de descanso. Os gatos não gostam de fazer suas necessidades próximas ao local onde se alimentam, por isso a(s) caixa(s) de areia devem sempre ficar longe da área de alimentação e descanso.

. O número de caixas de areia não é suficiente. Em lares com mais de um gato, é importante levar esse fator em consideração. Muitos bichanos usam a mesma caixa dos outros, sem problemas, mas alguns não toleram. O ideal, para quem tem mais de um gato, é ter não somente mais caixas (no mínimo 2 por gato), mas caixas espalhadas por mais de um lugar, para que questões territoriais não impeçam um gato de usá-las.

. O material não é tolerado pelo gato. Atualmente existem muitos materiais para a caixa de gatos, desde a areia até materiais à base de sílica. Teste os diferentes materiais e perceba se seu gato tem preferência por algum deles.

. A caixa não é limpa com freqüência. Alguns gatos não toleram sujeira na caixa. Nesses casos, a caixa deve ser limpa sempre que o animal usá-la, ou mais caixas devem ser adicionadas ao ambiente.

. Mudanças territoriais. Os felinos são animais muito territoriais, ou seja, qualquer mudança no seu território pode trazer estresse e alterações comportamentais. A marcação territorial com urina, e em alguns raros casos com fezes, pode surgir em um contexto desses. É importante ressaltar que as mudanças mais sutis no território podem ser suficientes para uma reviravolta no comportamento do gato, por isso, se o seu bichano for muito sensível, evite mudanças desnecessárias no ambiente, como a introdução de novos animais, mudança de lugar de móveis, reformas e mudanças de casa. Caso sejam necessárias, as mudanças devem ser feitas de modo gradativo.

. Saúde. Problemas com a mobilidade, como fraturas, artrose ou discopatias podem afetar o uso da caixa de areia. Algumas doenças, como cálculos, infecções urinárias e verminoses também podem alterar o uso da caixa pelo gato. Além disso, viroses como FIV e FELV podem causar alterações no comportamento dos bichanos. Por isso, problemas de saúde devem ser descartados antes de tentar mudar o comportamento de eliminação do gato.

REGRAS DE ETIQUETA DOS GATOS

AUTOR DESCONHECIDO – PUBLICADO EM http://www.revistapulodogato.com.br/pulodogato/materias.php 

…….TUDO QUE ELES FAZEM É FRIAMENTE CALCULADO……

          Determine logo qual é a visita que detesta gatos, e sente no colo dela durante toda a noitada. Ela não terá coragem de empurrá-lo para o chão e pode ser até que venha a dizer “Gatinho bonito!”. Se você estiver com bafo de comida de gato, melhor ainda.

          Se você tiver que vomitar, pule rapidamente no sofá. Se o sofá estiver longe demais, procure um bom tapete.

          Para sentar no colo ou se esfregar em perna de gente usando calça comprida, escolha, de preferência, cores contrastantes com as suas.

          Acompanhe, sempre, as visitas que vão ao banheiro. Não é necessário fazer nada. Basta sentar e ficar olhando.

          Trate as visitas que digam “Adoro gatos!” com total desprezo, e esteja pronto a unhar suas meias ou, eventualmente, morder seus calcanhares.

          Não permita portas fechadas em cômodo algum. Para abrir uma porta, apóie-se nas patas traseiras e bata nela com toda força que tiver nas dianteiras. Quando a porta for finalmente aberta para você, não é necessário usá-la; você pode mudar de idéia tranqüilamente. Quando você ordenar a abertura de uma porta que dê para fora, pare exatamente no meio do caminho, entre a porta e o vão, e aproveite para pensar sobre diversas coisas. Isso é particularmente importante em noites muito frias, e em épocas de mosquitos.

          Se uma pessoa estiver ocupada e outra à toa, fique com a ocupada. Se alguém estiver lendo, chegue bem perto, e dê um jeitinho de meter o focinho entre o livro e a cara da pessoa. Desconsidere isso em casos de leitores que abrem livros ou jornais em cima da mesa; aí, basta deitar em cima do que estiver sendo lido.

          Se algum dia encontrar uma senhora tricotando, suba no colo dela e deite. De repente, estique a pata e, como quem não quer nada, dê um bom tranco nas agulhas. Observe os acontecimentos: isso se chama perder o fio da meada, e a senhora tentará atrair sua atenção para outras partes da casa. Ignore-a.

          Quando encontrar alguém fazendo o dever de casa sente-se na folha de papel que estiver sendo trabalhada. Depois de ter sido removido de lá pela terceira vez, vá para outro canto da mesa e empurre tudo que se mexa: lápis, cola, tesoura e o que mais houver.

          Durma bem durante o dia para estar novo em folha, e pronto para brincadeiras, entre 2 e 4 horas da manhã. Se seu humano trabalhar durante a noite, modifique seus hábitos de sono para poder estar com a corda toda entre as 10h e o meio-dia.

Cartoons Hallmarks of Felinity

http://toons.gotblah.com/hallmarks_of_felinity/

A IMPORTÂNCIA DA SOCIALIZAÇÃO

Publicado no site http://www.tudogato.com/ , escrito por Cassia Rabelo Cardoso dos Santos, adestradora da Cão Cidadão (www.caocidadao.com.br)

(imagem TudoGato.com)

            Atualmente, os gatos vêm se tornando companhia cada vez mais presente nos lares brasileiros. Ainda perdem em número para os caninos, mas é crescente o número de pessoas deste imenso país que vêm se apaixonando pela companhia cativante deste ronronante animal de estimação…

     Esse aumento acaba gerando, também, mudança na mentalidade das pessoas quanto à forma com que abrigam os felinos de estimação. Especialmente nos grandes centros urbanos, vem sendo afastada a ideia de que os gatos domésticos devem ter vida livre, ou seja, podem ir e voltar para casa, a seu bel prazer. É indiscutível que criar um gato desta forma aumenta as chances de acidentes e morte prematura, razão pela qual vem sendo difundindo que aos gatos não se deve permitir sair livremente, mas sim serem mantidos em nossos lares, protegidos dos perigosos agentes externos.

              Mas, por outro lado, gatos criados nestas condições podem acabar sendo privados, durante toda a vida, do convívio saudável com outros de sua espécie, cães e seres humanos em geral.

       Gatos, por natureza, são animais retraídos, que costumam se sentir mais confiantes com pessoas e ambientes conhecidos, ou seja, onde detenham o controle do ambiente. (Imagem Simon’s Cat)

                 Ora, privar um gatinho do convívio com companheiros de sua espécie, bem como outros animais e seres humanos pode prejudicar, no futuro, sua adaptação a situações, locais e pessoas diferentes, gerando alto grau de estresse toda vez que for obrigado a se deparar com circunstâncias diferentes daquelas a que esteja habituado.

           Assim, uma medida essencial para garantir ao gato uma vida adulta sem grandes sobressaltos quando deparado com novas realidades, é providenciar uma boa socialização na fase de filhote. Isto significa permitir a este filhote que seja apresentado ao maior número possível de pessoas e animais diferentes, sempre de forma positiva, objetivando fazê-lo acostumar-se mais facilmente a estas novidades.  No período de socialização, todos os laços afetivos (com animais da mesma ou de diferentes espécies) são formados e, por este motivo, constitui-se no período mais importante na vida do gato. 

               A chamada fase de socialização primária é bastante curta nos filhotes de felinos domésticos, ocorrendo, em média, da 2ª a 9ª semana de vida do bichano. Nem sempre é possível que o gatinho que iremos adotar esteja em casa dentro deste período. Mas, caso seja possível conhecê-lo durante nesta fase (mesmo que esteja ainda com a mãe), é importante prezar por um bom trabalho de socialização.

           E o que significa fazer um bom trabalho de socialização? Esta tarefa consiste em permitir ao filhote vivenciar o maior número de experiência envolvendo várias pessoas diferentes, outros gatos e animais (como cães e pássaros). E isto deve envolver, sempre, manuseio gentil e bastante frequente dos filhotes, que deve ser recompensado por todos os comportamentos amigáveis que demonstrar. Esta recompensa pode consistir em ração úmida para filhotes, que eles costumam adorar! Gatos manuseados por vários seres humanos na fase de socialização primária costumam ser muito menos arredios a pessoas, se comparados àqueles que tiveram pouco contato com humanos na fase de socialização.

                     Um bom exemplo de trabalho de socialização entre filhotes de gatos e crianças é colocar um pouco de ração úmida numa colher e deixar que a criança vá oferecendo ao gatinho, enquanto brincam. Da mesma forma com pessoas que tenham contato com o gatinho, que deve ser pego no colo e acariciado gentilmente.

       Prezar por uma boa socialização permitirá que o gatinho se torne facilmente adaptável a presença de seres humanos, sendo receptível às visitas que chegam ao seu “território”. Assim, tenderá a se mostrar tranquilo e receptivo sempre que pessoas novas visitem a casa da família, sem que esta experiência se torne algo amedrontador e o faça esconder-se num cômodo até que os “invasores” deixem o ambiente…

                Desta forma, conclui-se que fazer um bom trabalho de socialização com um filhote de gato que acaba de chegar ao novo lar é essencial para que se torne um adulto equilibrado e facilmente adaptável a novas pessoas e animais, sem que tal fato seja sinônimo de alto nível de estresse, tornando a convivência mais harmônica para todos! 

INTRODUZINDO UM NOVO GATO EM UMA CASA COM GATOS

POR JOICE PERUZZI, MÉDICA VETERINÁRIA ESPECIALIZADA EM COMPORTAMENTO DE CÃES E GATOS E HOMEOPATIA. http://www.comportapet.com.br 

Antes de pensar em introduzir um novo gato em casa, você deve analisar seu ambiente e a capacidade de ter mais um animal. Mais um gato significa mais gastos, mais território a ser dividido e mais atenção a ser dividida.

Se você já tem um gato com problemas de comportamento (agressividade, marcação com urina ou arranhadura, medo, etc), a introdução de um novo membro pode ser extremamente prejudicial ao caso. Portanto, comece o tratamento do seu gato antes de introduzir um novo.

Mas se tudo já foi analisado e a opção foi feita, há formas de garantir uma boa convivência entre o novo residente e os antigos.

Quando estamos tratando de gatos bem socializados, a introdução é bem mais fácil. O novo gato deve ser colocado em um cômodo, de preferência onde nenhum gato fique muito tempo, com caixa de areia, água, brinquedos e comida e deve permanecer nesse
local, fechado, por 5 a 7 dias. Se nenhum gato demonstra (ou quando deixarem de demostrar) atitudes agressivas (vocalizações, marcações com urina ou arranhadura e vigia excessiva do cômodo) ou medo, comece a liberar o novo morador aos poucos, deixando-o dentro de uma caixa de transporte no meio de um cômodo onde todos os gatos permanecem. Nesse momento, todos os gatos podem receber seu petisco favorito, facilitando as relações. Depois, o gato é preso em seu cômodo novamente.

Esse processo deve ser repetido por 5 a 7 dias e então o novo gato já pode ser liberado para a casa toda, desde que todos os gatos respondam bem a essa aproximação.

É importante que nos primeiros dias de liberdade total o dono observe bem a reação dos seus gatos, para intervir quando necessário. Sempre que os gatos estiverem no mesmo cômodo, interagindo bem, devem ser elogiados e acariciados.

A quantidade de caixas de areia deve ser aumentada (pelo menos uma a mais). Nos primeiros dias, podem ser mantidos os pratos de comida e caixa de areia no cômodo onde ele ficava preso.

Quando estamos tratando de gatos menos sociáveis, o processo deve ser mais lento, dependendo das respostas de cada um. Sempre busque ajuda especializada quando a adaptação não ocorrer da forma esperada, para garantir uma boa relação entre os gatos no futuro.