Category Archives: SAÚDE

CRIOTERAPIA VETERINÁRIA

Por Raquel Redaelli, médica veterinária. Procedimento disponível na Vila Animal Clínica Veterinária.

A Criocirurgia ou crioterapia é uma técnica que visa a destruição de tecidos com o uso do frio (nitrogênio líquido) com objetivos terapêuticos, principalmente no tratamento de certos tumores de pele. É uma opção de tratamento para uma variedade de cânceres , incluindo tumores da cavidade oral e nasal, cutâneos e/ou de tecidos moles, tumores e fístulas perianais e mamárias. Pode ser usada como tratamento primário, ou em conjunto com a cirurgia convencional e com a quimioterapia. Possibilita o tratamento de tumores recidivantes, lesões próximas ou fixadas a ossos e cartilagens, tumores grandes ou pequenos. É um método alternativo para pacientes nos quais outros métodos de tratamento são impraticáveis.

veterinario gatos caxias - gatos!!INDICAÇÕES: Lesões neoplásicas benignas (papilomas, adenomas, pilomatricomas, hemangiomas, etc), lesões malignas (carcinoma epidermóide, outros carcinomas, melanomas), lesões palpebrais, lesões em cavidade oral, lesões perianais e tumores cutâneos com até 2,5 cm.

VANTAGENS: Procedimento muitas vezes possível apenas com anestesia local, o que possibilita o procedimento em animais com outras complicações sistêmicas tais como insuficiência renal, cardiopatias ou pacientes idosos. Para o tratamento de tumores relativamente pequenos e de fácil acesso pode ser preciso apenas anestesia local, já em locais como a pálpebra pode ser preciso  uma sedação maior, e, alguns outros, como um tumor em cavidade oral por exemplo, pode se fazer necessário anestesia geral.

Ainda, rapidez, efeito cosmético, baixo custo do tratamento, pouca dor, menor hemorragia, tratamento múltiplo, ausência de efeito cumulativo.

EFEITOS PÓS TERAPIA: Formação de crostas (10 a 21 dias), vesículas, descamação e cicatrizes, desconforto (dor), edema, eritema, hemorragia (1 a 2 h após aplicação) e secreção (1 semana).

SEQUELAS: Cicatriz e perda tecidual, leucodermia, leucotriquia, alopecia, deformação e/ou perfuração de cartilagem nasal e da pina.

Fontes: https://cirurgiavet.wordpress.com/tag/crioterapia/; http://www.petcancercenter.org/Cancer_Treatments_Cryosurgery.html; http://oncovet.com.br/tratamentos/criocirurgia/ e aula da prof. Carmen Helena Vasconcellos, no curso de pós graduação em clínica médica e cirúrgica de felinos, Instituto Qualittas.

PRESTE ATENÇÃO AOS SINAIS DE DOENÇA DO SEU GATO

 postado por M.V. Raquel Redaelli

www.geekcats.com

Como proteção os gatos evitam demonstrar fragilidade, dor e mal-estar, Por instinto tendem a disfarçar e se esconder, motivo pelo qual as doenças muitas vezes são percebidas em estágios avançados.

Alguns sinais podem ser sutis, mas podem revelar alterações na saúde:

emagrecimento,    obesidade,    olhar profundo,    pelos opacos e eriçados,   polidipsia (ingerir mais de 100ml por Kg de peso de água ao dia),   poliúria (urinar em excesso),    agitação e/ou “mau-humor”,    vômitos frequentes,    urinar ou defecar em locais inadequados

Se perceber alguma dessas alterações, procure o médico veterinário para fazer um check-up. Melhor ainda: faça avaliações periódicas para detectar doenças precocemente! O ideal é uma visita anual ao veterinário.

CÂNCER DE MAMA EM GATAS – PREVINA!

PUBLICADO NO SITE www.gateiro.com.br, link original http://www.gateiro.com.br/cancer-de-mama-em-gatas/

outubro rosa 3“Estamos no Outubro Rosa, mês de prevenção e combate ao câncer de mama. Toda gateira deve fazer o exame periódico para se proteger, mas poucas pessoas sabem que a doença também acontece em animais. Eu conversei com Dra. Laila Massad Ribas, veterinária e autora do Portal Medicina Felina, sobre o assunto.” Publicado por Thiago, 16/10/13.

Como a doença se caracteriza?

O câncer de mama é um tumor maligno que acomete os tecidos mamários das gatas, das cadelas e das mulheres. Nas gatinhas o tipo de câncer mais comum é o carcinoma. Apesar de ser mais frequente em cadelas, a cada 10 tumores de mama em gatas, entre oito e nove são malignos, ou seja, são cânceres.

Por que a doença acontece?

Na maioria dos casos o desenvolvimento do câncer está relacionado à produção de hormônios pelos ovários. As injeções anticoncepcionais aplicadas em pet shops são hormônios e estão, comprovadamente, relacionadas com o desenvolvimento de câncer de mama nas gatas.

É possível realizar um exame preventivo? Qual seria a técnica? E a periodicidade?

O exame físico das mamas é o melhor método. Ele é feito através da palpação de toda a cadeia mamária dos dois lados. Esse exame deve ser feito anualmente pelo veterinário ou em casa pelo proprietário. Quanto mais cedo detectada a doença, melhor. As vezes o proprietário sente apenas uma bolinha bem firme na mama. Essa bolinha pode ter inicialmente o tamanho de um grão de arroz.

Caso o veterinário detecte a presença de algum tumor nas mamas, ele vai precisar fazer exames como a citologia, a biópsia e exame de raios-x de tórax para ver se não há presença de metástase (etapa em que o tumor se espalha para outros órgãos).

zuca

Há uma pré-disposição para desenvolver a doença a partir da idade?

Sim, as gatinhas com mais de sete anos têm maior predisposição, mas é essa doença pode acometer até mesmo as mais novinhas.

Há predisposição racial?

Sim, as gatas siamesas ou descendentes de siamês possuem duas vezes maior risco de desenvolver o câncer de mama.

A castração evita infecções no útero. Ela também pode ajudar a combater o câncer de mama?

Sim, a castração precoce é o melhor método preventivo do câncer de mama. Quando digo precoce, quero dizer antes do primeiro cio, que pode ocorrer entre cinco e sete meses de vida. Por isso é bom castrar as gatinhas assim que elas acabarem de tomar as vacinas na infância. Se a gata não é castrada, ela tem mais chance de desenvolver esse câncer. A aplicação de anticoncepcional aumenta muito o risco! Nunca aplique esse hormônio na sua gatinha!

Como funcionam os tratamentos para a doença?

O tratamento é baseado na remoção total das mamas. A cirurgia é bastante radical e requer cuidados nos pós-operatório. A quimioterapia pode ser indicada em alguns casos.

Os tratamentos têm eficácia?

Sim, mas isso depende muito da época em que o tumor foi descoberto. Quanto mais cedo melhor!

A doença acontece somente em fêmeas?

Não, aproximadamente de 1% a 5% dos cânceres de mama acometem machos.

outubro rosa 2E nas cadelas?

Nas cadelas os tumores de mama são bem mais frequentes. Entretanto, no caso delas 40% dos tumores são benignos, ou seja, não há potencial para se espalhar para outros órgãos.

COMO CUIDAR BEM DO SEU GATO – OBESIDADE SOB CONTROLE

Da série Resumão, abordando o tema “Como cuidar bem do seu gato”, por C. Pinney.  Confira! www.bafisa.com.br – RESUMÃO

OBESIDADE SOB CONTROLE – GATO EM FORMA

Imagem4# O gato é considerado obeso quando o excesso de peso atrapalha sua via, impedindo-o de pular ou brincar. O peso ideal é difícil de estabelecer, uma vez que depende da raça e do tamanho. Normalmente oscila entre 2,5 e 10 quilos.

# Pesar em casa somente o gato é tarefa árdua. A solução é você se pesar em uma balança caseira e depois fazer o mesmo segurando o gato no colo. Subtraindo a segunda pesagem da primeira, você saberá o peso do animal.

# A obesidade é causada por gulodice, excesso de comida e falta de exercício.

# O excesso de peso predispõe o gato a distúrbios hepáticos, diabetes, hipertensão e doenças articulares.

# Cortar a quantidade de comida que você oferece as seu gato não basta:

  1. Evite também guloseimas e petiscos.
  2. A escassez de comida pode levar a deficiências nutricionais.

# Para conseguir que seu gato perca peso, alimente-o com ração específica para dieta de baixa caloria indicada pelo veterinário.

  1. Esse tipo de ração é rico em fibras e pobre em calorias, mas mantém seu gato saciado.
  2. A dieta deve ser rica em aminoácidos, que promovem a perda de peso.
  3. A quantidade recomendada, variável conforme a marca da ração, depende do peso a ser alcançado. A perda de peso deve ser de 1% por semana até o período de quatro meses. Pese o gato toda semana para que você avalie os progressos alcançados.
  4. Aumente a atividade física do gato. Como gatos gostam de brincar, passe mais tempo fazendo isso com ele. Caso o animal esteja habituado à coleira, passeie com ele todos os dias, por dez minutos.

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COMO CUIDAR BEM DO SEU GATO – NUTRIÇÃO

Da série Resumão, abordando o tema “Como cuidar bem do seu gato”, por C. Pinney.  Confira! www.bafisa.com.br – RESUMÃO

 NUTRIÇÃO – QUANDO E COMO ALIMENTAR

# A boa nutrição garante um sistema imunológico resistente, altos níveis de energia e, portanto, um animal mais saudável.

# Gatos tem necessidades nutricionais especiais:

  • veterinario gatos caxias 81a dieta deve incluir quantidades elevadas de proteínas de alta qualidade.
  • a taurina, um aminoácido essencial, é necessária na dieta em quantidade suficiente para prevenir doenças cardíacas. A maior parte das rações preenche esse requisito.
  • nunca alimente o gato com comida para cães.
  • nunca ofereça frango com osso ou peixe com espinhas.

# Os alimentos industrializados podem ser secos ou úmidos.

  • a ração seca custa menos, é mais durável e pode ser deixada no comedouro do animal sem problemas.
  • os alimentos úmidos são mais apetitosos e fáceis de mastigar. São os mais indicados para gatos idosos com doença periodontal ou perda de sensibilidade do olfato. São úteis para desmamar filhotes com menos de 8 semanas. Gatos com doença crônica no trato urinário podem se beneficiar do aumento da umidade na dieta.
  • restos de comida úmida devem ser jogados fora depois de duas horas.

# Siga as quantidades diárias recomendadas pelo fabricante na embalagem. Em geral, recomenda-se: para filhotes até 6 meses, até quatro refeições por dia; para filhotes mais velhos e gatos adultos, duas ou três pequenas refeições por dia.

# Certifique-se de que seu gato se mantém livre de parasitas intestinais capazes de roubar seus nutrientes vitais diários.

# Há vários produtos alimentares à venda. Peça ao veterinário que recomende a marca e o tipo.

# Escolha a ração mais balanceada e completa do ponto de vista nutricional levando em conta a idade, as condições de saúde e o nível de atividade do animal.

  • filhotes (até 12 meses) precisam de mais nutrientes do que adultos, para garantir o crescimento e o desenvolvimento musculoesquelético.
  • veterinario gatos caxias 106.1gatos ativos precisam de mais calorias dos que os sedentários.;
  • a gata prenhe ou com filhotes em fase de amamentação deve ser alimentada com ração para filhotes, com maior teor de nutrientes.
  • gatos com mais de 8 anos precisam de rações menos calóricas e com maior teor de fibras, para garantir o controle de peso e a motilidade gastrintestinal. Os produtos cuja embalagem indica “para sênior” preenchem esses requisitos.
  • animais que sofrem de problemas cardíacos ou renais precisam de alimentos especiais, receitados pelo veterinário.
  • gatos predispostos a cistite ou outras alterações renais devem ingerir alimentos com baixos teores de magnésio e minerais. A cistite caracterizada pela formação de cristais na urina, afeta machos propensos à obstrução do trato urinário e muitas vezes tem de ser tratadas por toda a vida. Atualmente existem rações que promovem a saúde do trato urinário.
  • infecções das vias aéreas superiores exigem dietas com aroma forte para suprir a diminuição do faro. Alimentos úmidos normalmente são mais aromáticos que os secos.

# Se for necessária mudança de alimentação, acostume o gato aos poucos.

  • é uma maneira de prevenir desarranjos intestinais provocados pela alteração de ingredientes.
  • misture a ração nova com a antiga. Vá aumentando gradativamente a quantidade da nova e diminuindo a da antiga.

veterinario gatos caxias - zuca# Mantenha sempre água fresca em vários bebedouros acessíveis ao gato. O ideal é oferecer água filtrada ou mineral, troque a água uma ou duas vezes ao dia. Fontes são uma ótima opção, pois simulam água corrente.

# Lave muito bem o comedouro e o bebedouro pelo menos uma vez por semana.

# Se o gato perder o apetite e deixar de comer por mais de três dias, procure imediatamente o veterinário.

  • embora às vezes esteja ligada a um comportamento exigente do animal, a perda do apetite pode ser provocada por algum distúrbio oculto.
  • a inanição pode levar a uma doença hepática com risco de morte.

LINKS RELACIONADOS:

# Comportamento Alimentar dos Gatos: https://blogfelino.wordpress.com/2012/02/05/comportamento-alimentar-dos-gatos/

# Rações, entenda as diferenças: https://blogfelino.wordpress.com/2012/09/17/racoes-entenda-as-diferencas/

# Dicas de Aliementação para Gatos: https://blogfelino.wordpress.com/2011/10/12/dicas-de-alimetacao/

COMO CUIDAR BEM DO SEU GATO – MORADIA

O BlogFelino inicia a exposição de uma série de dicas didáticas retiradas da série Resumão, abordando o tema “Como cuidar bem do seu gato”, por C. Pinney. 

Confira! http://www.bafisa.com.br – RESUMÃO

MORADIA – ESTILO DE VIDA

# Prepare-se para criar seu gato dentro de casa.

# Gatos que são mantidos fora de casa estão expostos a uma série de riscos:

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– traumas provocados por carros, brigas com cães ou disputas com outros gatos;

– aumento potencial de exposição a doenças infecciosas, como a Aids felina, transmitida pelo vírus da imunodeficiência felina (FIV), e a leucemia felina (FeLV), ambos contraídos pelo convívio com outros gatos;

– aumento potencial de exposição a venenos e toxinas ambientais.

# Gatos que vivem fora de casa têm maior chance de contrair doenças que também são perigosas para seres humanos, como a Raiva e alguns tipos de parasitoses intestinais.

# Se você deixar seu gato sair de casa, é melhor que seja durante o dia, pois os maiores perigos ocorrem à noite.

# Gatos passam cerca de 16 horas dormindo, às vezes mais. E gostam de um lugar aconchegante, como uma cestinha, um cobertor ou sua cama. Se quiser evitar esse tipo de “companhia”, retire-o logo na primeira vez em que fizer isso, pois gatos criam hábitos muito rapidamente e têm dificuldade de abandoná-los.

# Gatos gostam de brincar, correr e passear pela casa à noite. Portanto, trate de brincar com ele durante o dia para ter sossego mais tarde.

LINKS RELACIONADOS:

# Gato de Apartamento: https://blogfelino.wordpress.com/2013/02/03/gato-de-apartamento/

SEQUESTRO DE CÓRNEA EM FELINOS

Por Michele Ross Vieira da Cunha, Médica Veterinária Oftalmologista. Atende na Clínica Veterinária Vila Animal, Caxias do Sul – RS. Fone (54) 3021.1571 / 3021.1572.

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                           O sequestro de córnea é uma necrose do estroma que se apresenta na forma de uma mancha oval e escurecida, adquirindo pigmentação marrom, podendo crescer em diâmetro e profundidade.

                     O felino afetado apresenta lacrimejamento, desconforto ocular, olho vermelho, secreção muco purulenta e até úlcera de córnea. Essa doença é frequente em gatos afetados pelo herpesvírus felino.

                       O tratamento é cirúrgico e o procedimento tem menor chance de recidiva e maior taxa de sucesso quando realizado precocemente.

                            Fique atento nos olhos do seu gato, principalmente se ele for Persa ou Himalaia, que são as raças mais acometidas por essa afecção.

PROGRAMA PREVENTIVO DE SAÚDE PARA O GATO IDOSO

Por Dra. Heloísa Justen Moreira de Souza, Médica Veterinária, professora e doutora na UFRRJ, proprietária da Clínica Veterinária Gatos & Gatos, Rio de Janeiro, RJ.

Publicado no periódico Waltham News, edição Dezembro / Janeiro / Fevereiro de 2008. 

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O programa preventivo de saúde para o gato idoso deve ser iniciado a partir da faixa etária de 7 a 11 anos de idade e deve continuar por todo resto de sua vida. Esse programa tem sido recomendado pela Associação  Americana de Clínicos Especialistas em Felinos e pela Academia de Medicina Felina, num painel para reportar os cuidados com o paciente felino idoso. 

Caso o gato não demonstre nenhum tipo de doença, este deve constar: avaliação completa da história médica pregressa e do comportamento do animal e exame físico completo. Esta investigação ajuda a estabelecer o que está normal e reconhecer o mais cedo possível o que está errado, tais como murmúrios cardíacos, dor, presença de rins irregulares e pequenos nódulos na tireóide. É fundamental avaliar o peso do animal e as condições corpóreas e compará-las com aferições anteriores, para verificar se houve perda ou ganho substancial.

A mensuração da pressão arterial pode ser feita de forma indireta usando o método Doppler, usando um aparelho de doppler e um esfignomanômetro manual acoplado a uma braçadeira. Assim, pode-se detectar hipertensão sistêmica antes que haja dano em algum órgão ou hemorragia ou descolamento de retina. O ideal para o valor da pressão no gato é 145 a 160 mmHg ou menos (pressão arterial sistólica).

A avaliação clínica laboratorial consiste em hemograma completo, proteínas totais séricas e creatinina, potássio, fosfatase alcalina, alanina aminotransferase, concentração de T4 total, urinálise e testes para FIV e/ou FeLV. Além disso, exames fecais devem ser feitos a gatos expostos a ambientes de risco. 

veterinario gatos caxias 22A recomendação para pacientes que estejam portando alguma enfermidade é similar às anteriores mencionadas associadas aos exames específicos para as afecções. 

CUIDADOS COM OS OUVIDOS DOS GATOS

Por Aristeu Pessanha Golçalves, Médico Veterinário, Publicado na Revista Pulo do Gato, versão online, link original http://www.revistapulodogato.com.br/pulodogato/materia_online_higienizacao_auricular.php

               Ter um animalzinho em casa é uma grande responsabilidade, principalmente no quesito saúde. Tanto o cachorro quanto o gato estão sujeitos a vários micro-organismos que causam doenças como a otite, veterinario gatos 29uma inflamação no ouvido que, quando não tratada corretamente, pode levar à surdez. Naturalmente, os ouvidos de cães e gatos apresentam bactérias e fungos que, em condições normais, não trazem dano algum. Mas o aumento de umidade, a falta de ventilação adequada, irritações ou traumas são fatores que contribuem para a proliferação de bactérias e fungos e, consequentemente, o aparecimento dessa inflamação. A simples limpeza pode prevenir a otite. Nos casos mais graves, a técnica de lavagem otológica faz-se necessária. Nos casos crônicos é necessário o uso de medicação apropriada e, somente em algumas situações, a cirurgia torna-se uma opção.

               Entre as causas que podem levar à otite estão o excesso de produção de cera no ouvido e também alergias e doenças de pele. Entretanto, não há motivo para pânico, pois existem alguns cuidados específicos que, se seguidos, podem prevenir e proteger nossos pets de tais problemas. São eles:

Na hora do banho, proteja os ouvidos do seu animalzinho com um chumaço de algodão seco. O objetivo é evitar a entrada de água no conduto auditivo, ambiente ideal para proliferação de bactérias e fungos.

Evite arrancar os pelos que nascem no interior dos ouvidos (prática comum em alguns locais de banho e tosa).

veterinario gatos caxias 137Promova limpeza para a retirada do excesso de cera com produtos apropriados uma vez por semana ou a cada 15 dias, que pode ser realizada após o banho. A limpeza deve ser feita com a aplicação de um produto próprio para esta limpeza (um ceruminolítico), produto este que vai agir dissolvendo a cera, ajuda a reduzir a umidade, hidrata o conduto e tira o mau cheiro; administre o produto nos condutos auditivos, massageie, deixe o gato sacudir  a cabeça, e mais ou menos 10 minutos após a aplicação do produto, realize a limpeza com um algodão seco no dedo que é introduzido no canal auditivo para remover o produto e a cera dissolvida; faça com suaves movimentos de rotação para a limpeza do conduto. Com algodão e o dedo você nunca vai machucar seu amigo, mas NUNCA use cotonete porque você pode machucá-lo!

▪ Fique atento aos sinais iniciais da otite: coçar a região do ouvido e sacudir a cabeça com frequência.

▪ Consulte um veterinário que irá identificar a causa da doença e indicar uma medicação de uso tópico (no interior dos ouvidos), que pode ser complementada por medicação oral, caso seja necessário. O exame citológico é primordial para o tratamento da doença.

CUIDADOS DE ENFERMAGEM PARA SEU GATO

Por Raquel Redaelli, traduzido do site da American Association of Feline Practioners ®, link original http://www.catvets.com/uploads/PDF/Nursing%20Care%20Client%20Brochure%20Print%20Ready.pdf

DICAS PRÁTICAS PARA DONOS DE ANIMAIS DOENTES OU EM RECUPERAÇÃO

As dicas de cuidados de enfermagem a seguir irão ajudá-lo a se tornar uma extensão da equipe veterinária após o veterinario gatos caxias 103seu gato voltar para casa. Peça ao seu veterinário para fornecer o máximo de informações possível, por escrito, bem como referências a recursos online, como vídeos. Não seja relutante em se aproximar do veterinário se você tiver alguma dúvida durante ou após a visita.

• Dê o seu gato reforço positivo (por exemplo, trato, escovação, carinho) para aceitar medicação.

• A menos que seu veterinário diga que a medicação deve ser administrada com alimentos, não use a comida como uma ajuda para a administração de medicamentos, pois pode causar aversão e reduzir a ingestão de comida do seu gato.

Pratos de comida planos, como pratos de papel pequenos, e tigelas de água superficiais podem melhorar a ingestão, tornando a comida e a água mais acessíveis.

Aqueça os alimentos enlatados a uma temperatura próxima da temperatura corporal do gato, aquecendo suavemente no microondas ou acrescentando água quente e mexendo bem. Adicionar caldo de frango ou suco de atum pode aumentar a gosto do alimento.

• O alimento fornecido deve ser sempre fresco, fornecido em pequenas porções, conforme a necessidade.

• Forçar o seu gato a aceitar a medicação é estressante para você e para seu gato. Procure não forçar a remoção do seu gato de um lugar escondido ou interrompê-lo enquanto come, se higieniza ou faz suas necessidades para fins de administrar medicação. Peça ao seu veterinário uma demonstração de como administrar a medicação prescrita para o seu gato.

Mantenha-se calmo. Os gatos podem sentir nossa ansiedade ou
frustração, o que pode levá-los a ficar com medo ou ansiosos.

Participe de todas as consultas de acompanhamento com o seu veterinário. Comente com o veterinário se você observar sinais de doença ou mudanças no comportamento do seu gato, bem como alterações na ingestão de alimentos ou líquidos, ou se sentir dificuldade administração de medicamentos.

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Os cuidados de enfermagem para seu gato em casa podem parecer difíceis no início, mas seja paciente e lembre-se que mesmo pequenas melhorias contribuirão para recuperação do seu gato.

Lembre-se que o seu veterinário está lá para ajudar, por isso sempre faça todas as perguntas que possam contribuir para a assistência de enfermagem bem sucedida em casa.

Você é um membro importante da equipe de saúde do seu gato. Você pode ser fundamental para ajudar com o sucesso de tratamentos e de cuidados de saúde melhorada.

Quando estiver no consultório veterinário, lugar desconhecido e muitas vezes assustador para seu gato, ele precisa de sua confiança, especialmente se ele está doente. O seu comportamento influencia na sensação de segurança e no seu comportamento na clínica.

Suas habilidades de enfermagem em casa também desempenham um papel importante no sucesso da tratamentos que o seu veterinário prescreveu para ajudar o seu gato recuperar de doença ou lesão.

Se o seu gato fica estressado quando vai para a clínica veterinária, pergunte ao seu veterinário dicas sobre como adaptá-lo ao transportador e reduzir a ansiedade ao sair de casa. Leve os petiscos favoritos do seu gato para que você ou um membro da equipe veterinária possa dar ao gato como uma recompensa ou distração. Considerar a utilização de pulverização de feromônio facial felino sintético (por exemplo, Feliway ®), para tornar o ambiente menos assustador ao gato.

Prepare-se com antecedência para sair de casa com o gato, coloque-o na caixa de transporte e deixe-o se acalmar antes de sair. Coloque um brinquedo e roupas de cama favoritos e familiares.

veterinario gatos caxias 178Os gatos podem sentir o estresse, ansiedade e apreensão, os quais podem aumentar seu próprio estresse. Aqui estão algumas dicas para ajudar a criar uma visita veterinária mais positiva:

• Se o seu gato está muito ansioso na sala de espera, ou se os cães estão presentes, pedir ao recepcionista se você pode ir para uma sala reservada ou cubra a caixa de transporte do seu gato com uma toalha ou o seu casaco para bloquear a vista e abafar o sons. Uma vez que você está em local reservado com o seu gato, fale com ele calmamente, em voz baixa.

Evitar comportamentos que embora sejam destinados a confortar seu gato, podem realmente aumentar a ansiedade. Estes podem incluir segurar seu gato, falar ou olhar em seu rosto, e perturbar ou invadir seu espaço pessoal. Sons humanos destinados a acalmar (como “shhhh”) pode simular o silvo de outro gato e deve ser evitado.

Correção física, como bater na cabeça do seu gato e repreensões verbais devem ser evitadas, pois podem assustar o seu gato e provocam a resposta de luta ou fuga. Lembre-se, os gatos não são humanos e reagem de forma diferente à disciplina.

• Não manuseie ou remova o seu gato da caixa de transporte até que seja solicitado por um membro da equipe de veterinários.

Reforce o comportamento positivo do seu gato com carinho ou petiscos e ignore o comportamento negativo ao invés de tentar corrigi-lo.

• Se o seu gato deve permanecer no hospital, trazer brinquedos familiares e roupas de cama de casa. Fornecer o tipo de alimento e o nome da ração que seu gato está acostumado a receber. Mencione qualquer coisa que o seu gato gosta (por exemplo, doces, escovação, tempo de jogo atividades). A equipe de veterinários pode usar esta informação para ajudar a tornar a estadia de seu gato mais agradável.

• Ofereça sugestões sobre as opções de tratamento que mais combinam com a personalidade de seu gato e com a sua capacidade de administrar.

Gatos que estão se sentindo bem tendem a dormir mais frequentemente numa posição enrolada.

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DIABETES MELITO EM GATOS

Por RAQUEL REDAELLI, adaptado do livro “O Paciente Felino” terceira edição, do Dr. Gary D. Norsworthy.

O Diabetes Melito (DM) é a segunda endocrinopatia mais comum em gatos (a primeira é o hipertireoidismo). A doença é causada pela destruição progressiva das células beta pancreáticas ou pela resistência à insulina (mais comum). O resultado é uma capacidade prejudicada dessas células em perceber os níveis de glicose sanguínea e responder com liberação adequada de insulina. O DM pode ocorrer secundariamente a uma condição primária subjacente (a obesidade é a principal delas) que provoque resistência à insulina. Ele também ocorre simultaneamente com a pancreatite crônica, uma doença frequentemente não reconhecida nos gatos. Os sinais clínicos clássicos são poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso, que ocorre como resultado da hiperglicemia persistente. Quando o DM não é controlado, há o desenvolvimento de um estado patológico mais complicado, conhecido como Cetoacidose Diabética, em que ocorre cetonúria, acidose e vários desequilíbrios eletrolíticos, sendo imprescindível sua identificação por se tratar de uma emergência médica e poder levar o paciente a óbito em poucas horas.

O tratamento do DM requer um grande comprometimento do proprietário, exigindo envolvimento financeiro e pessoal por meses ou pela vida toda do gato. O tratamento baseia-se na administração de insulina, no controle da dieta e no tratamento de complicações secundárias. A administração de insulina é feita diariamente, uma ou duas vezes ao dia (depende da resposta do paciente ao tratamento), visando a remissão dos sinais clínicos e da glicemia. Alguns gatos podem responder aos hipoglicemiantes orais, principalmente quando a doença for precocemente diagnosticada.

A dieta fornecida deve conter baixo teor de carboidratos e alto teor de proteínas (existem formulações comerciais específicas). Pode-se associar rações úmidas (enlatados ou sachets), pois a maioria possui níveis de carboidratos muito inferiores do que os mesmos produtos em formulações secas. As dietas com fibras solúveis retardam a digestão e reduzem a hiperglicemia pós alimentação. As rações específicas à disposição no mercado brasileiro são Royal Cannin Diabetic e Obesity, Hill’s w/d e r/d e Guabi Natural Diabetic.  O tratamento das infecções bacterianas, da pancreatite e da insuficiência pancreática exócrina, secundários ao DM, deve ser realizado concomitantemente, pois sua presença torna muito difícil o controle glicêmico.

A remissão do DM é possível, pois as células beta sofrem um rodízio de suas funções ao longo do tempo. Os proprietários precisam estar conscientes sobre a ocorrência esperada dos períodos de descontrole, os quais irão requerer um ajuste da dose da insulina. Um gato com diabetes descomplicado (não cetoacidótico) possui um bom prognóstico se o proprietário estiver disposto a aprender e comprometido com o tratamento do gato.

 Os gatos são relativamente livres de complicações crônicas do diabetes. Diferente dos cães, eles não desenvolvem a catarata diabética. Eles também não apresentam doença vascular periférica, a qual causa necrose e ulceração das extremidades, como ocorre em humanos. Contudo, duas complicações crônicas são possíveis: a neuropatia e a nefropatia diabética.

A neuropatia diabética ocorre em diversos gatos, cursando com fraqueza dos membros pélvicos assumindo postura plantígrada, atrofia muscular e depressão dos reflexos e testes de reações posturais. Os gatos afetados geralmente andam com os calcanhares tocando o chão. É comum a fraqueza progredir para os membros torácicos. Não se conhece terapêutica específica para esta alteração. Um bom controle da glicemia durante vários meses geralmente resulta em melhora ou em um retorno ao estado próximo do normal. Contudo, nem todos os gatos respondem.

nefropatia é rara de ocorrer, e sua detecção é complicada pois os sinais, sintomas e alterações laboratoriais são idênticos aos da doença renal que ocorre na senilidade, e  a maioria dos gatos diabéticos é idosa. O tratamento é o mesmo para a doença renal.

RAÇÕES, ENTENDA AS DIFERENÇAS

Adaptado do texto da Médica Veterinária Maricy Alexandrino, da Clínica Veterinária CliniPet, Maringá – PR. Link original http://www.clinipet.com/informativos/3-dicas-e-cuidados/19-racoes.html

Atualmente o mercado pet oferece uma gama enorme de alimentos para cães e gatos. Diferentes formas, cores, sabores, marcas e principalmente preços. Entre tantas opções oferecidas, o que realmente se deve levar em consideração na hora de escolher o melhor alimento para os animais de companhia?

Em primeiro lugar devemos saber que o alimento ideal para nossos animais é aquele que oferece todos os componentes necessários para um bom desenvolvimento do organismo, ou seja, um alimento completo que ofereça os níveis adequados de proteínas, vitaminas, minerais, gordura, fibras entre outros componentes. Além disso, é importante saber que vários tipos de matérias primas podem ser utilizadas na fabricação de rações, e que dependendo da matéria prima (de melhor ou pior qualidade) influenciará consideravelmente o preço final do alimento.

Existe uma “classificação” não oficial, aplicada pelos fabricantes para designar a qualidade das rações: Super Premium, Premium e Standard ou de Combate. Porém vale lembrar que ainda não existe legislação brasileira para adequar as rações a esta classificação adotada pelo mercado.

Rações Super Premium são chamadas assim pois são fabricadas com matérias primas de primeira qualidade, com ótimo aproveitamento pelo animal. Neste caso são utilizados como base proteína animal, podendo ser carne, frango, peixe, em alguns casos até carne suína com tratamento especial, e os vegetais utilizados são os de melhor absorção pelos cães e gatos, como o arroz, por exemplo.

Já as rações Standard ou de “Combate” utilizam matérias primas de qualidade inferior, como subprodutos animais (chifre, casco, penas, bicos, farinhas entre outros..) e proteínas de origem  vegetal com pouco aproveitamento, como trigo, soja e milho.

As Premiuns são intermediárias entre Super Premium e Standard.

E o que isso significa para o animal? Quanto melhor a matéria prima utilizada, melhor será o aproveitamento do alimento pelo cão ou gato, ou seja, ele realmente utilizará todos os componentes daquele alimento pra um desenvolvimento e manutenção ideal do organismo.

Dentro destas 3 “classificações”  ainda encontra-se ração destinada a Filhotes, Adultos e Idosos,  isso porque cada fase da vida tem necessidades diferentes. Por exemplo, um filhote em pleno desenvolvimento precisa de proteínas e minerais suficientes para uma boa formação do esqueleto, enquanto um animal idoso, já começa ter declínio de suas funções orgânicas, precisando menos de determinados componentes.

Além desta classificação básica das rações de manutenção, existe outras rações especiais, como as destinadas as raças específicas que leva em consideração particularidades raciais que podem sofrer influência positiva ou negativa de determinado alimento, e as rações terapêuticas, que são obrigatoriamente de prescrição veterinária, pois são destinados a animais portadores de alguma doença, e que se beneficiam com uma nutrição clínica de acordo com o problema (insuficiência renal, cardíaca, diabetes, obesidade).

Existe também a opção de ração seca e úmida (latas, saches), cuja composição básica das duas é a mesma da ração seca equivalente, porém a  úmida além de conter mais água  (o que é benéfico em alguns casos) acaba se tornando mais palatável pela  forma, consistência e pelo odor que exala.

Para que a ração seja bem aproveitada pelo seu animal, deve-se ainda levar em consideração outros detalhes:

  • tipo de alimento oferecido de acordo com a raça, porte, idade e nível de atividade física;
  • quantidade diária oferecida, de acordo com o peso, idade e porte;
  • frequencia  diária de alimentação;
  • armazenamento da ração.

A escolha de um bom alimento para um cão ou gato é essencial  para manutenção da saúde, pois através de uma nutrição adequada é possível prevenir, retardar e tratar diversos problemas de saúde.

ALERTA CRMV-SP: As rações vendidas à granel, em sacos abertos ou outros recipientes que mantenham o produto em contato com o ar e que permitam seu manuseio podem ser facilmente contaminadas por fungos presentes no ambiente, como é o caso dos gênerosPenicillium spp.Aspergillus spp.Rhizopus spp. e Fusarium spp. Esses agentes colonizam a ração, especialmente quando a umidade e a temperatura são favoráveis, se multiplicam e produzem micotoxinas. Leia a matéria em: http://www.crmvsp.org.br/site/noticia_ver.php?id_noticia=2174

FLORIDA SPOTS

Publicado em http://www.revistapulodogato.com.br/pulodogato/ – REVISTA PULO DO GATO – escrito pelo Médico Veterinário Mauro Luis da Silva Machado, coordenador do Serviço de Dermatologia Veterinária (Dermatovet) – Hospital de Clínicas Veterinárias da UFRGS – Porto Alegre RS.

JÁ OUVIU FALAR EM FLORIDA SPOTS? É UMA DOENÇA QUE AFETA OS OLHOS DO ANIMAL, NÃO TEM CURA E É MAIS COMUM DO QUE OS DONOS DE PET PENSAM.

              Alterações oftálmicas nos animais de companhia são facilmente observáveis pelos seus donos e constituem-se uma grande parcela dos motivos das visitas aos consultórios veterinários.

                 Em cães e gatos, observa-se frequentemente opacidades na córnea, denominadas “Florida spots”, de coloração acinzentada ou branca e de tamanho variado. Acomete também, embora mais raramente, equinos e alguns pássaros. Esta anomalia foi descrita pela primeira vez em gatos no Sul do Flórida, EUA, o que explica a origem de seu nome. Em outras regiões do mundo, como a América do Sul, observa-se mais frequentemente em áreas tropicais ou subtropicais, por isso também é denominada “ceratopatia tropical”.

(imagem http://www.aamefe.org/florida_spots.htm)

                   Apesar de localizar-se na córnea, que é a camada transparente externa localizada no centro do globo ocular, que permite a entrada da luz no olho, esta doença é frequentemente confundida pelos proprietários com a “catarata”, que é uma doença que afeta o cristalino, estrutura localizada mais profundamente no globo ocular, atrás da íris (a estrutura muscular que define a “cor” dos olhos).

                      Florida spots caracteriza-se por opacidades visíveis a olho nu, e podem ser únicas ou multifocais, radialmente simétricas, com a região central mais densa, podendo se apresentar uni ou bilateralmente. Essas opacidades encontram-se profundamente na córnea. As lesões variam em tamanho de 1 a 8 mm de diâmetro e são tipicamente múltiplas. Não se observam outras anormalidades e a condição é não progressiva.

             Os olhos não apresentam sinais de inflamação ou desconforto e não respondem ao tratamento com antifúngicos ou corticosteroides. A visão também não é afetada significativamente.

                       Não se conhece o mecanismo patogenético desta alteração, embora já tenham sido sugeridos como possíveis causas agentes físicos como o excesso de luz ultravioleta, uma reação alérgica ao pólen e agentes infecciosos como microbactérias. Em estudo feito no Hospital de Clínicas Veterinárias da UFRGS em 2001, os animais mais afetados foram os que tinham contato com outros gatos, o que reforça a hipótese de a doença ser de origem infecciosa e transmissível, porém sem comprovação.

Portanto, se você observar manchas nos olhos dos seus animais, procure um veterinário oftalmologista para realizar o diagnóstico correto, pois existem outras doenças que também causam manchas na córnea e podem ser de maior gravidade ou tratáveis. (Imagem http://www.aamefe.org/florida_spots.htm)

ANEMIA NA DOENÇA RENAL EM GATOS

Adaptado de artigo escrito por Tathiana Mourão dos Anjos no site Revista Veterinária (link original  http://www.revistaveterinaria.com.br/2012/07/17/anemia-na-doenca-renal-cronica-em-pequenos-animais/

A anemia é bastante comum em gatos portadores de doença renal crônica (aproximadamente 30 a 70%), e ocorre especialmente em estágios mais avançados da nefropatia crônica (estágio III e IV – classificação IRIS da doença renal crônica). Deve sempre ser tratada quando o hematócrito do paciente for inferior a 20% (objetivando a obtenção de valores entre 30 a 40%) e/ou quando o paciente apresentar sinais clínicos que possam ser atribuídos à anemia (como perda de apetite, letargia e fraqueza).

Diminuição na produção de eritropoietina, por lesão das células endoteliais peritubulares renais, perda de vitaminas do complexo B (devido à intensa poliúria) e diminuição no tempo de vida das hemácias (pelo estresse oxidativo e pelos efeitos tóxicos das substâncias retidas como uréia, fenóis e outras) são causas importantes de anemia no paciente doente renal crônico. Outras causas são ulceração gastrointestinal, com consequente perda sanguínea, disfunção plaquetária (decorrente da uremia) e deficiências nutricionais(que determinam alterações nas concentrações plasmáticas de aminoácidos e de hormônios).

Dependendo do grau de anemia, o tratamento consiste em suplementação com eritropoetina, ferro e vitaminas do complexo B a fim de estimular a eritropoiese, transfusão de sangue e administração de bloqueadores H2 para evitar perda de sangue gastrointestinal, além do controle da uremia por meio de fluidoterapia e dieta específica para nefropatia crônica.

Ainda não é possível afirmar se a anemia representa um fator preditivo de sobrevivência em gatos com doença renal crônica, mas certamente a obrevida de pacientes nefropatas crônicos é influenciada negativamente pela anemia, sendo um fator bastante comprometedor de qualidade de vida. Portanto, é de extrema importância reconhecer e diagnosticar a anemia no paciente portador de doença renal crônica para que uma terapia apropriada possa ser implementada com o objetivo de oferecer melhor qualidade à vida desse paciente.

HIPERSENSIBILIDADE À PICADA DE PULGA EM FELINOS

Postado por Luciana Marchioro, Médica Veterinária Dermatóloga (especialização em Dermatologia Veterinária). Atua em Caxias do Sul.

Dentre as dermatopatias (doenças de pele) que acometem felinos, pode-se citar a dermatite alérgica à picada de pulgas ou saliva de pulgas (DAPP), ou tecnicamente, hipersensibilidade à picada de pulgas em felinos, patologia de extrema importância para fins de diagnóstico diferencial de outras patologia de pele.

Nesta patologia, a pulga é desencadeadora do processo, sendo a causa uma alergia, ou seja, uma deficiência genética no processo imune que gera uma resposta alérgica a saliva deste ectoparasita (pulga). É importante salientar que no gato alérgico não há necessidade de haver uma infestação exagerada de pulgas, uma única e solitária pulga e sua picada são suficientes para iniciar a crise alérgica com intensa coceira e várias lesões.

Em relação a faixa etária, é normal o seu aparecimento em qualquer fase da vida do animal, sendo mais comum na idade adulta entre 3 e 6 anos. Não há predisposição por sexo ou raça.

O quadro clínico se manifesta com prurido (coceira) intensa e lesões na pele como consequência. As lesões podem ser de várias maneiras, desde bolinhas pelo corpo, como falhas de pelos no abdomem,  pescoço, cabeça, também  erupções e crostas ao longo de toda extensão corporal, e inflamação e bolhas formando um “cordão”, sendo este um padrão dermatológico felino conhecido como dermatite miliar, e espessamento do lábio superior, sendo conhecido como  úlcera indolente, também padrão de outras patologias felinas.

Por tratar-se de uma doença de origem genética crônica, não apresenta cura, mas apresenta um fácil controle, sendo necessário o comprometimento do proprietário. O tratamento baseia-se em tirar o animal da crise alérgica, e o controle da doença está diretamente relacionado ao controle de pulgas no animal e no ambiente.

 Vale ressaltar que somente o médico veterinário tem condições de fazer a diferenciação clínica e se necessário com ajuda de exames adicionais, pois todas dermatopatias apresentam padrões lesionais bem parecidos, e até doenças sistêmicas podem apresentar lesões dermatológicas que aos leigos pode confundir.

VÔMITO CRÔNICO EM FELINOS

Por Patrícia Nuñez Bastos de Souza, Médica Veterinária. Publicado no site da Revista Pulo do Gato. www. revistapulodogato.com.br

Todo proprietário de gatos já se deparou com uma surpresa não muito agradável em alguns lugares também não muito comuns: o vômito. Esta é uma queixa bastante comum especialmente na clínica de felinos. Na maioria das vezes há raros episódios, com intervalos de tempo espaçados, que normalmente não tem muito significado clínico quando não está acompanhado de outros sintomas. Porém, se seu bichano vomita pelo menos uma vez por semana, é necessário levá-lo ao veterinário para um check-up e tentar descobrir qual a causa deste sintoma. Observe qual o conteúdo do vômito e se há algum outro sintoma, como a perda do apetite, emagrecimento, diarréia e prostração.

Estamos falando aqui de ocorrências únicas diárias de vômitos, alternados com grande espaço de tempo sem qualquer alteração (quadro crônico), e não quando seu gato começa a vomitar várias vezes num mesmo dia (quadro agudo), pois neste caso você deverá levá-lo imediatamente ao veterinário, para que ele não desidrate.

Alguns animais logo após se alimentarem expelem o alimento ingerido. Isto é chamado de regurgitação, pois o conteúdo não chegou ao estômago e, normalmente, é eliminado com uma forma cilíndrica (forma do esôfago) e o alimento não está digerido. É comum após a regurgitação o gato ingerir este conteúdo novamente (eca! não se assuste, este é um comportamento normal). No caso do vômito, o animal elimina secreção gástrica, a consistência é mais aquosa e pode haver bile, possui um odor um tanto característico e o que foi ingerido pelo gato se encontra digerido.

A recorrência do vômito em gatos pode ter várias razões, pode não ter significado clínico, ou indicar ingestão excessiva de pêlos, por falta de escovação ou por alteração comportamental (o gato arranca os pêlos compulsivamente), ou, ainda, por problemas como alergia alimentar, gastrite, ingestão muito rápida de alimentos, lipidose hepática, obstrução intestinal e outros. Vamos comentar aqui as causas mais freqüentes.

PELOS: A formação de bolas de pêlo no estômago é a principal causa de vômito. Os gatos ingerem pêlos ao se lamberem e, algumas vezes, esses pêlos causam no estômago alterações na motilidade e irritação da mucosa gástrica (gastrite). A forma simples de se evitar ou minimizar o problema é a escovação diária, a favor e contra o sentido do pêlo. Gatos de pêlos longos apresentam mais problemas, mas os de pêlo curto padecem do mesmo mal. Além da escovação há alguns produtos que ajudam o felino a expelir as bolas de pêlo.

ALERGIA ALIMENTAR: Mudanças súbitas na dieta como a troca de ração também podem desencadear vômitos. Observe se a ocorrência do problema está ligada a estas causas e converse com o veterinário. Existem rações hipoalergênicas no mercado (para animais sensíveis), que diminuem ou evitam a intolerância alimentar. Às vezes uma simples mudança de ração já resolve o problema.

CORPO ESTRANHO: Devido à curiosidade dos gatos, existe a possibilidade de ingestão de objetos que podem obstruir o trato digestivo e ocasionar vômitos. O mais comum é a ingestão de corpos  lineares (fios, linhas ou barbantes). Esta é uma condição séria, que requer intervenção cirúrgica, mas que pode se iniciar com vômitos esporádicos. Para o correto diagnóstico são necessários radiografias, ultra-sonografia e um exame clínico apurado.

Existem outras causas de vômitos em gatos, como: parasitismo (vermes), pancreatite, distúrbios hepáticos, infecções, medicamentos, toxinas ou plantas. Leia também sobre Doença Intestinal Inflamatória, causa importante de vômito em gatos (https://blogfelino.wordpress.com/2012/02/09/doenca-intestinal-inflamatoria-dos-felinos/).

Se você se depara com vômito esporadicamente, mas o apetite, a atividade e o comportamento de seu animal são normais, não há necessidade de preocupação. Faz parte do nosso convívio com eles (embora não seja a parte mais agradável!), mas, se vem acontecendo com freqüência, não hesite em contatar o veterinário. Esta é a atitude mais correta a ser tomada. Seu bichano agradece!


CONHEÇA A AIDS FELINA

Postado por M.V. Raquel Redaelli

A AIDS felina é causada pelo Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV), semelhante ao vírus humano, porém específico da espécie. O principal modo de transmissão é a mordedura de gato infectado e transfusão de sangue, e menos freqüente a transmissão materna via intra-uterina, colostro e saliva. O grupo de risco inclui os gatos com acesso à rua ou de vida livre, principalmente machos adultos, e aqueles gatos que vivem ou que são procedentes de abrigos ou aglomerações de gatos.

A fase aguda muitas vezes não é detectada, mas quando aparecem sintomas, consistem em febre, depressão, alterações gastrintestinais e aumento de linfonodos periféricos. Passada esta fase, o gato pode se tornar portador assintomático, livre de doença por 6 a 10 anos. Nos estágios mais tardios, os sinais consistem de infecções oportunistas, doenças da cavidade oral, neoplasias, doenças oculares, doença renal inespecífica ou síndrome degenerativa crônica.

           Deve-se suspeitar de FIV em gatos com doenças crônicas e recorrentes, lesões na cavidade oral e infecções aparentemente descomplicadas que não respondem bem ao tratamento.

               Recomenda-se que o gato FIV positivo seja avaliado pelo Médico Veterinário a cada 4 a 6 meses para detecção precoce de alterações. Para prolongar a vida dos gatos infectados, este deve ser mantido isolado de outros gatos para evitar a exposição a patógenos secundários e a transmissão do vírus, evitar as situações de estresse, receber dieta de boa qualidade e manter o protocolo de vacinação em dia (com vacina de vírus inativado).

No Brasil não existe vacina para a Imunodeficiência Felina. O diagnóstico é feito através de kits comerciais que detectam anticorpos de FIV e antígenos de FeLV (Vírus da Leucemia Felina) através do método ELISA (ensaio imunoenzimático), teste rápido e específico que pode ser realizado na clínica. Outros métodos podem ser realizados para confirmar o diagnóstico, enviados a laboratórios externos.

LEIA TAMBÉM:

# QUANDO TESTAR O GATO PARA FIV E FeLV https://blogfelino.wordpress.com/2012/03/30/quando-testar-o-gato-para-fiv-e-felv/

# MANEJO DOS GATOS INFECTADOS POR FIV E FeLV https://blogfelino.wordpress.com/2012/04/05/manejo-dos-gatos-infectados-por-fivfelv/

FÍSTULA PERIANAL EM FELINOS

Publicado no blog da Dra. Melissa Orr – Veterinária de Felinos em Campinas – SP – http://veterinariadefelinos.blogspot.com.br 

            Os sacos anais (glândulas perianais) secretam uma substância de odor fétido que faz parte do sistema de defesa do felino. Muitos gatos domésticos (especialmente os geriátricos) tem estilo de vida sedentário, fazendo com que nunca ocorra a compressão natural dos sacos anais.

Consequentemente, a secreção dos sacos anais fica ressecada e espessada causando uma impactação, o animal sente dor ao defecar e pode ter tenesmo. O gato reage a esta situação lambendo ou mordendo a região perineal. Se ocorrer infecção dos sacos anais a dor aumentará. Pode ocorrer ruptura da pele sobre o saco anal, e então será expelido material purulento ou sanguinolento pelo trajeto drenante que forma uma fístula. A doença de saco anal em cães comumente faz com que o animal arraste os quartos posteriores no chão, porém este não é um achado frequente nos gatos com este problema. Alguns gatos com saculite anal lambem a área perianal e a parte caudal das coxas, o que causa o padrão simétrico de alopecia.

         O tratamento é feito através da compressão manual para remoção da secreção, limpeza e irrigação da região, uso de antibióticos tópicos e uso de antibióticos sistêmicos. Caso este tratamento não seja eficiente, pode-se considerar a drenagem cirúrgica ou mesmo a saculectomia anal (remoção cirúrgica da glândula) em casos recidivantes.

SAÚDE BUCAL DOS GATOS E CUIDADOS ESPECIAIS

Publicado por Purina Cat Chow Brasil, texto dos Médicos Veterinários Daniela Jungermann e Ricardo Augusto Pecora da Clínica Pet Fanáticos de São Bernardo do Campo.

MUITAS PESSOAS TEM DÚVIDAS SOBRE COMO CUIDAR DA SAÚDE BUCAL DOS FELINOS.

Os primeiros dentes dos gatinhos começam a nascer por volta da segunda semana de vida e a troca dos dentes de leite pelos permanentes começa a partir do quarto mês de idade e termina no sexto mês para a grande maioria deles. Porém, não é preciso esperar todo esse tempo para começar a praticar a higiene bucal do bichinho e, pelo contrário, devemos acostumá-los com a manipulação desde cedo, pois assim ficará mais fácil o processo de escovação dentária.

É FUNDAMENTAL PARA A MANUTENÇÃO DA SAÚDE ORAL A ESCOVAÇÃO DENTÁRIA, SE POSSÍVEL, DIÁRIA.

Nas primeiras vezes você pode enrolar uma gaze no dedo ou escovas de dedo para bebês e, suavemente, massagear a gengiva, bochecha e dentes. Quando o gatinho já estiver mais costumado deve substituir a gaze por uma escova dental com cerdas macias e de preferência com cabeça pequena. Use pasta de dente elaborada especialmente para a saúde bucal de cães e gatos para a escovação, porque os produtos desenvolvidos para os humanos podem ser tóxicos aos animais.

Como nós, eles também têm problemas orais (doenças periodontais e outras) como:

1.      Placa bacteriana é o acúmulo de restos de alimento nos dentes, mais comumente chamada de tártaro (que ao fermentarem liberam compostos com enxofre, o responsável pelo mau cheiro). É importante lembrar que não é a quantidade de tártaro que indica a gravidade da doença. Em qualquer grau, a doença periodontal deve ser tratada; o acúmulo de placa pode ser o responsável pelos demais problemas que podem ocorrer!

2.      Cárie é uma infecção que geralmente ocorre no colo do dente, junto à gengiva;

3.      Gengivite é a inflamação da gengiva, que fica vermelha e inchada;

4.      Estomatite é a doença ou inflamação que ocorre na cavidade bucal, por exemplo, as aftas;

5.      Exposição de raiz dentária, causada pelo acúmulo das placas bacterianas, que gera muita sensibilidade e dor.

Todos esses problemas podem causar, além do mau hálito, a perda de apetite, fraturas dentárias, perda dos dentes, até doenças mais sérias que podem comprometer órgãos vitais como o coração, os pulmões, o fígado e os rins.

Anualmente deve ser feita uma visita ao médico veterinário de confiança para avaliação da saúde bucal de seu gato. Mas se notar algum tipo de alteração nos dentes, gengiva ou qualquer outra parte da boca, seja na coloração, aumento do volume, sangramento ou mau hálito, você deve procurá-lo rapidamente. Só ele poderá avaliar corretamente o problema e indicar o melhor tratamento para seu gatinho.

VERMINOSES DOS FELINOS

POSTADO POR M.V. RAQUEL REDAELLI.

Adaptado dos sites

http://www.webanimal.com.br e http://homeopatas.blogspot.com.br

O CONTROLE DE VERMINOSE NOS ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO É ESSENCIAL PARA A SAÚDE DELES E PARA A NOSSA! 

Verminoses são doenças causadas por vermes que se alojam principalmente nos intestinos, mas que também podem afetar outros órgãos como esôfago, estômago, coração, pulmões, rins e fígado. Os danos decorrentes da infestação dependem de diversos fatores, como a carga parasitária, a idade do animal, as condições imunológicas, o ambiente em que vive, as condições de higiene e manejo e o curso concomitante com outras doenças.

As infecções podem apresentar sintomas leves como apetite caprichoso, perda de peso, tristeza, aumento de volume abdominal, pelos opacos, fezes moles, coceira anal ou sintomas mais acentuados que demonstram o comprometimento mais sério de um ou mais sistemas orgânicos como anorexia completa, diarréias severas com sangue e/ou muco, vômitos, desidratação, anemia, ascite (barriga d’água), obstrução de orgãos ocos (estômago, intestino, esôfago e coração), artérias e veias, assim como intoxicações proporcionadas por toxinas produzidas pelos parasitas ou pela sua ação direta sobre tecidos e mucosas.

Muitas doenças sistêmicas ou dermatológicas têm insucesso no tratamento devido ao animal estar parasitado. Ainda, são problema de saúde pública, pois podem contaminar o homem (especialmente crianças). Aqui serão citados os mais comuns:

Toxocara sp. e o Toxascaris leonina são áscaris encontrados principalmente nos filhotes.  São vermes brancos e longos, que podem ser vistos nas fezes e em vômitos. No homem, a infecção é associada a lesões no fígado, rins, pulmões, cérebro e olhos.

O Ancylostoma tubaeforme pode ser adquirido pela ingestão de água ou alimentos contaminados e pela penetração das larvas através da pele. Os vermes adultos alimentam-se da mucosa intestinal, resultando em hemorragias. Os animais perdem sangue continuamente.

Dipylidium caninum é um cestóide adquirido através da ingestão de pulgas contaminadas. São parecidos com “grãos de arroz”, visualizados nas fezes ou ao redor da região anal do gato. O controle efetivo de pulgas previne a infestação.

O diagnóstico de todas essas espécies de vermes é feito através do exame de fezes ou visualização e reconhecimento dos mesmos. A vermifugação não precisa ser feita somente quando o animal estiver infectado, pode-se instituir uma rotina preventiva, fazendo tratamento 2 vezes ao ano, em todos animais e pessoas da casa. O ideal é realizar um exame parasitológico de fezes 2 vezes ao ano, e fazer o tratamento caso necessário, evitando, assim, uso desnecessário de medicamentos. O médico veterinário pode orientá-lo em relação aos medicamentos a serem utilizados para os gatos, dose e frequência.

Além dos vermes citados, é comum as infecções por protozoários, também transmissíveis ao homem (e vice-versa) que não são tratados com os vermífugos comuns, e sim com antibióticos específicos. O tratamento deve ser prescrito por médico veterinário. Esses protozoários são a Giárdia e o cisto Isóspora.

Giardia sp pode causar diarréia em filhotes ou fezes de coloração esverdeada ou com sangue em gatos adultos. O Isospora sp pode causar diarréia líquida e com sangue em animais jovens. Associado a outras doenças como as viroses, os protozoários podem agravar o quadro clínico do animal.

INTOXICAÇÃO EM FELINOS

Postado por M.V. Raquel Redaelli

NUNCA MEDIQUE SEU GATO SEM ORIENTAÇÃO MÉDICA!  O maior número de intoxicações em gatos estão relacionadas ao fornecimento de paracetamol e ao uso de produtos para pulgas não indicados para gatos! Muito cuidado também com plantas e alguns alimentos.

As intoxicações em animais domésticos ocorrem principalmente no ambiente doméstico. A maioria dos acidentes com gatos ocorre pelo desconhecimento dos proprietários que acabam colocando o animal em contato com produtos ou medicamentos tóxicos.

Os gatos são mais seletivos que os cães com sua alimentação, além de recusarem alimentos que apresentem um odor que não lhes agrade. Porém os gatos apresentam peculiaridades metabólicas que podem favorecer um quadro de intoxicação quando comparados a outras espécies animais, pois apresentam deficiência relativa na conjugação de substâncias (e os medicamentos podem ficar mais tempo no organismo do gato) e apresentam maior susceptibilidade a sofrer lesões oxidativas nos eritrócitos (causando anemias hemolíticas). Além disso, possuem o hábito de lambedura, que provoca a ingestão de produtos que estão na pele ou no pelo.

Alguns medicamentos intoxicam somente se forem administrados em dose alta ou em espaço de tempo menor do que o indicado. Enquanto outros, intoxicam com uma única e pequena dose.

Em gatos os principais sintomas se intoxicação são apatia, dilatação ou contração das pupilas, convulsões ou outros sinais neurológicos (incoordenação, mudança de comportamento, etc.), podendo ocorrer também vômito e diarréia.

É importante levar o gato intoxicado ao veterinário imediatamente e informar o máximo sobre: onde vive o animal, onde fica a maior parte do dia, quem cuida e está mais tempo com ele, se o local onde vive passou por reformas, pinturas, se costuma mexer no lixo, que produtos de limpeza utiliza, se faz uso de inseticidas e quais, se o local sofreu dedetização, etc.

MEDICAMENTOS HUMANOS QUE NUNCA DEVEM SER DADOS / UTILIZADOS PARA GATOS: paracetamol (Tylenol), diclofenaco (Cataflan), ibuprofeno (Alivium), fenazopiridina (Piridium), ácido mefenâmico (Ponstan), Fleet Enema.

PRODUTOS VETERINÁRIOS QUE NÃO DEVEM SER USADOS EM GATOS: monosulfureto de tetraetiltiuran (em sprays para uso tópico contra dermatites), benzocaína (em cremes de uso tópico para dermatites), azul de metileno (no spray “azulão”), hexaclorofeno (em shampoos antissépticos), carbamato (em remédios contra pulgas).

MEDICAMENTOS QUE DEVEM SER USADOS COM CAUTELA: antiinflamatórios não esteroidais em geral (cetoprofeno, meloxican), ácido acetil salicílico (AAS, aspirina).

ALIMENTOS QUE NÃO PODEM SER DADOS PARA GATOS: alho, cebola, chocolate (mesmo que não seja puro nem cru). 

OUTROS PRODUTOS (evitar contato direto e retirar os animais do local da aplicação): produtos de limpeza, adubos, agrotóxicos, produtos químicos (tinta, solventes, etc), cloro.

PLANTAS TÓXICAS: ciclame, hera, lírio da paz, jibóia prateada, cheflera, sagu de jardim, mamona, amarílis, espirradeira, folha de veludo, tulipas, azaléia, maconha, teixo, samambaia, renda portuguesa, espada de São Jorge, comigo-ninguém-pode.

PRIMEIRAS MEDIDAS EM CASO DE INTOXICAÇÃO

1. Retirar restos da substância do animal.

2. Guardar a embalagem do produto (vazia ou com resíduo) para identificação posterior.

3. Ligar imediatamente para o Centro de Informação Toxicológicas (CIT http://www.cit.rs.gov.br/  0800 721 3000).

4. Procurar um Médico Veterinário.

MANEJO DOS GATOS INFECTADOS POR FIV/FeLV

Adaptado do site http://medfelina.blogspot.com.br, do M.V. especialista em felinos Reginaldo Pereira, de Fortaleza, Ceará. 

A decisão sobre o tratamento ou eutanásia do paciente quando há o diagnóstico de infecção pelos vírus FIV e FeLV não deve-se basear somente na presença do vírus. Outros fatores devem ser avaliados, como o quadro clínico geral do paciente, doenças concomitantes, condições do proprietário (psicológicas,financeiras…) e fatores ambientais, dentre outras intercorrências.

De acordo com vários estudos, geralmente um animal positivo para estas retroviroses pode viver por alguns anos, com os devidos cuidados, podendo até a sucumbir por outras causas não-relacionadas. Um FIV-positivo possui uma expectativa de vida em média de 5 a 8 anos após o diagnóstico. Um FeLV-positivo vive de 2,5 a 3 anos após o diagnóstico, e claro que em casos de dupla infecção essa expectativa diminue bastante.

Os gatos infectados não podem ter acesso à rua, devem ser mantidos confinados. Assim, evita-se a contaminação de outros animais, mas também previne o soro-positivo da exposição a agentes patogênicos, principalmente bactérias e ectoparasitas do meio externo. 

Uma boa nutrição é fundamental, baseada em rações felinas de qualidade, água abundante e filtrada, devendo-se evitar dietas caseiras a base de carne ou leite.

O programa de controle de ecto e endoparasitas (pulgas, ácaros, vermes intestinais, etc) deve ser frequente, visto as doenças que eles podem desencadear.

O veterinário deve ter o cuidado de marcar e incentivar os retornos periódicos destes pacientes. O exame clínico deve ser cuidadoso, dando maior atenção ao sistemas mais predispostos, como a cavidade oral, linfonodos, pele, cavidade torácica, segmentos anteriores e posteriores dos olhos e sistema nervoso. O perfil hematológico também é importante, devido às alterações comuns causadas por estas enfermidades, que precisam ser logo detectadas. Além de bioquímica sérica, conhecendo-se os perfis renais e hepáticos, e a urinálise, que nunca deve ser esquecida.

A vacinação destes animais é indicada para evitar infecções nesses pacientes, que são imunossuprimidos. Acredita-se que a resposta imune em relação à imunização é semelhante em soro-positivos e não-infectados, mas o recomendado é não usar vacinas com vírus vivos-modificados, e sim vacinas de vírus inativado. O programa de imunização deve conter apenas vacinas essenciais para o determinado paciente. (informação adicionada por M.V. Raquel Redaelli)

O tratamento baseia-se na prevenção e na cura das infecções oportunistas. Drogas imunosupressoras devem ser utilizadas com cautela, somente se necessárias. Cada caso é um caso, mas os imunoestimulantes são conhecidamente benéficos, como o interferon alfa humano e o interferon felino(ainda não disponível no Brasil). Os anti-retro-virais (lamivudina e zidovudina – AZT) beneficiam bastante os pacientes, com melhoras visíveis na sintomatologia, principalmente nas lesões orais e neurológicas. Porém, indica-se a utilização somente quando o gato apresenta sinais clínicos de doenças.

QUANDO TESTAR O GATO PARA FIV E FELV


Postado por Raquel Redaelli, Médica Veterinária.

 

O FIV (vírus da imunodeficiência felina) e o FeLV (vírus da leucemia felina) são doenças muito prevalentes causadas por vírus, específicas de gatos, transmitidas através do contato com gatos infectados, responsáveis por depressão do sistema imune e doenças associadas. Estas doenças não possuem cura.

O gato com FIV pode viver muitos anos sem manifestar sinais clínicos da doença. As doenças associadas podem aparecer em mais de 8 anos após o contágio, e incluem infecções oportunistas, doenças da cavidade oral, neoplasias, doenças oculares, doença renal inespecífica ou síndrome degenerativa crônica (leia mais em “Conheça a AIDS Felina” – https://blogfelino.wordpress.com/2011/08/05/186/).

Já os gatos com FeLV apresentam doenças relacionadas principalmente à anemia, leucemia e neoplasias, além de sinais semelhantes aos encontrados em gatos com FIV, aparecendo os sinais clínicos no máximo 3 anos após a contaminação e causando o óbito do gato em até 3 anos após o aparecimento dos sinais clínicos.

O diagnóstico é feito através de kits comerciais (IDEXX) que detectam anticorpos de FIV e antígenos de FeLV através do método ELISA (ensaio imunoenzimático), teste rápido e específico que pode ser realizado na clínica. Outros métodos podem ser realizados para confirmar o diagnóstico, enviados a laboratórios de análises clínicas.

O teste é importante em gatos doentes, para auxiliar no diagnóstico, mas também é muito importante para separar gatos portadores de outros gatos, diminuindo a disseminação dessas doenças que são um desafio para o Médico Veterinário na tentativa de dar qualidade de vida e tempo de sobrevida aos pacientes, uma vez que não há cura.

QUANDO É INDICADO TESTAR OS GATOS PARA FIV E FELV:

1. Gatos adotados provenientes da rua, de abrigos ou de criatórios de gatos.

2. Gatos jovens com neoplasias ou anemia.

3. Gatos com doenças crônicas recorrentes.

4. Gatos com lesões na cavidade oral.

5. Gatos com infecções aparentemente descomplicadas que não respondem bem ao tratamento.

6. Gatos que tem acesso à rua.

7. Gatos que vivem em abrigos de gatos.

8. Gatos de criatórios de raça devem ser comprovadamente negativos antes da venda.   

PERITONITE INFECCIOSA FELINA (PIF)

POSTADO POR M.V. RAQUEL REDAELLI

A Peritonite Infecciosa Felina (PIF) ocorre em gatos portadores do Coronavírus Entérico Felino. Porém, apenas10 a30% dos gatos portadores irão desenvolver a doença, pois depende da ocorrência de uma mutação desse vírus. (foto ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais)

A maioria dos gatos já teve contato com esse vírus, que é eliminado principalmente pelas fezes, mas também por saliva e urina. Muitos deles conseguem fazer uma boa resposta imune humoral e celular e eliminar o vírus. No entanto, muitos outros, especialmente em locais com aglomerados de gatos (abrigos, gatis, etc) o contato é constante, e a chance de se tornarem portadores é grande.

O mecanismo que faz o vírus sofrer mutação ainda é pouco conhecido. Sabe-se que, dependendo se a resposta imune celular for parcial ou fraca, o gato desenvolve a forma seca ou efusiva da doença, respectivamente. É uma doença imunomediada. Os fatores de risco são a superpopulação, desnutrição, doenças infecciosas crônicas, FIV, FeLV e tratamentos imunossupressores.

A fisiopatologia da doença baseia-se na ocorrência de lesões piogranulomatosas e vasculite nos órgãos do abdome e tórax, ou seja, inflamação nesses órgãos e nos vasos. Na forma efusiva ocorre o extravasamento de líquido dos vasos sanguíneos para as cavidades devido ao processo inflamatório. Nesta forma da doença, a expectativa de vida é de semanas. Na forma seca, as lesões ocorrem sem extravasamento de líquidos, porém o diagnóstico é ainda mais difícil. A expectativa de vida nesse caso é de meses.

Infelizmente, as únicas maneiras de definir o diagnóstico é através de biópsia de órgão (através de cirurgia) ou após a morte (necropsia). Quando a PIF é efusiva, a análise do líquido cavitário pode sugerir o diagnóstico. Quando a PIF é seca, o clínico precisa descartar outras patologias que cursam com sinais clínicos semelhantes. Os exames realizados in vivo são apenas sugestivos e não específicos.

Os sintomas comuns às duas formas apresentados pelos gatos são febre, anorexia, prostração,  icterícia, perda de peso e aumento de linfonodos mesentéricos. Na forma efusiva o paciente apresenta ainda distensão abdominal ou dificuldade respiratória. Na forma seca pode apresentar ainda uveíte (inflamação ocular) e alterações no sistema nervoso central. O Coronavírus Entérico é um grande causador de hepatite nos gatos.

A doença ocorre principalmente em animais jovens (até 3 anos de idade), mas também é bastante freqüente em gatos idosos (maiores de 14 anos). Ocorre nos momentos da vida em que o sistema imunológico é mais frágil. Gatos da raça Persa e da raça Bengal são geneticamente mais propensos a desenvolver a doença.

O tratamento baseia-se em reduzir a resposta imune exacerbada e fazer tratamento de suporte. Infelizmente, o óbito é inevitável em semanas a meses.

A prevenção da doença depende de evitar o contato com o Coronavírus Entérico, evitando aglomerações de gatos e fazendo limpeza rigorosa (o vírus é sensível a desinfetantes comuns). Em colônias, afastar os filhotes da mãe com 4 a 6 semanas (quando começam a usar a caixa de areia e quando os anticorpos que herdaram da mãe caem). Mães de filhotes que desenvolveram a doença devem ser afastadas da reprodução, pois geraram gatos imunologicamente debilitados.

COMPLEXO RESPIRATÓRIO VIRAL FELINO (A GRIPE DOS GATOS)

        Adaptado do site da Clínica Veterinária Gatos & Gatos, no Rio de Janeiro – RJ. http://www.gatosegatos.com.br/faq.htm

A rinotraqueíte viral felina (causado pelo herpesvírus) e a calicivirose felina são as doenças respiratórias mais prevalentes dos gatos, cujos sinais clínicos freqüentemente se confundem e, por vezes tornam-se indistinguíveis. Em função disso, são reunidas num mesmo grupo, referindo-se ao complexo respiratório viral felino (CRVF).

            Os sintomas principais dos gatos com infecção aguda são febre (40°C ou mais), blefarospasmo (piscar de olhos), espirros, tosse, meneios da cabeça, secreção nasal e ocular, intensa salivação, ulcerações na língua, palato e filtro nasal, periodontite, anorexia e prostração.

     A secreção nasal mucopurulenta provoca a oclusão das vias aéreas superiores, de forma que o animal perde o olfato e passa a respirar com a boca aberta. O apetite vai diminuindo até cessar. A tosse é uma manifestação da laringotraqueíte (inflamação da laringe e traquéia). A moléstia clínica persiste no mínimo por 10 a20 dias.

          As afecções orais são lesões freqüentes e características da calicivirose,   que leva à dor e salivação intensa, motivo pelo qual eles relutam em ingerir qualquer tipo de alimento. Os animais perdem peso e desidratam facilmente, ficando suscetível às infecções bacterianas secundárias.

     A secreção ocular é de caráter seroso inicialmente, evoluindo para secreção mucopurulenta; observa-se, então um edema conjuntival e incômodo intenso. As complicações oculares podem evoluir a vários estágios, podendo chegar até uma ruptura do globo ocular com perda da visão uni ou bilateral. A infecção dos ductos lacrimais pode levar a formação de cicatrizes e oclusão dos mesmos, ocorrendo umedecimento persistente uni ou bilateral da face, causado pelo lacrimejamento.

     Na infecção crônica pelo herpesvírus, os gatos adultos podem demonstrar sinais de afecção respiratória através de espirros esporádicos e secreções nasal e ocular. A rinite e a sinusite dos seios frontais são complicações associadas ao portador crônico de rinotraqueíte em conseqüência das lesões no epitélio.

Os sinais clínicos dos gatos portadores crônicos do calicivírus são periodontite com perda precoce dos dentes, particularmente os incisivos, e escassa secreção nasal e ocular.

           A vacinação contra o CRVF precisa ser vista como uma proteção contra a enfermidade na forma severa, e não como uma proteção contra a infecção. As vacinas utilizadas são combinações, visando à proteção dos gatos contra o vírus da rinotraqueíte, calicivírus, panleucopenia e, em alguns produtos, atuando também contra os antígenos da clamidiose felina, da leucemia viral felina ou da raiva.

        As vacinas atenuadas promovem um rápido desenvolvimento da imunidade, tendo vantagem no controle de surtos, onde um grande número de animais está envolvido. A desvantagem é a replicação no hospedeiro,  podendo causar infecção e possibilidade de reversão de sua virulência. A vantagem da vacina com o vírus inativado é a segurança. O vírus inativado não se replica no hospedeiro e elimina-se a probabilidade de reversão de virulência. As vacinas inativadas são as mais indicadas para as gatas prenhes e nos felinos imunossuprimidos pela infecção pelo vírus da imunodeficiência felina. Contudo, as vacinas com o vírus inativado induzem a uma proteção curta, sendo necessárias várias aplicações, e os intervalos das revacinações são mais curtos.

  (veja também DOENÇAS INFECCIOSAS E VACINAÇÃO –  https://blogfelino.wordpress.com/2011/11/15/doencas-infecciosas-dos-gatos-e-vacinacao/)

       O controle efetivo do CRVF em populações felinas depende de uma combinação de programas de vacinação estrategicamente aplicados: quarentena, segregação, identificação e intervenção precoce, e manejo ambiental. Segregação dos animais por faixa etária, minimizando a exposição dos animais mais novos e susceptíveis aos eliminadores potenciais do vírus, como os gatos portadores assintomáticos; manutenção de um ambiente físico com baixa densidade populacional, limpo e ventilado, evitando a concentração do microrganismo.

      Para a introdução de novos gatos à população, devem-se tomar algumas medidas de proteção contra a infecção pelo CRVF. Estes devem ser isolados e avaliados para possíveis sinais de enfermidade por 3 semanas ou mais e devem ser testados para o FeLV e FIV, respectivamente. Os gatos pertencentes à colônia que apresentem sintomas respiratórios devem ser permanentemente removidos e, caso permaneçam, devem ficar em recintos separados por uma distância de 1,5 metro. Os gatinhos provenientes de mães portadoras devem se separar precocemente das mesmas, em torno das quarta ou quinta semana, idade na quais os níveis de anticorpos maternais declinam. Os felinos que apresentam sinais de doença crônica devem ser removidos ou mantidos definitivamente separados da colônia principal, bem como aqueles positivos para a infecção pelos vírus da FeLV e/ou FIV. São de fundamental importância nos abrigos e criatórios com doença respiratória enzoótica, a diminuição da densidade populacional e o aumento da renovação de ar no recinto, para que se reduza a concentração viral.

Outra forma freqüente de propagação dos vírus da RVF e CVF é a transmissão através das mãos dos tratadores, enfermeiros e médicos veterinários, além da presença do vírus nos utensílios como fômites e vasilhas sanitárias. Portanto, a lavagem rotineira das mãos é imprescindível no manejo dos felinos sob qualquer circunstância. A desinfecção do ambiente, bem como dos utensílios é indispensável para eliminação dos vírus.  No mercado brasileiro, o alvejante denominado água sanitária, na diluição de 1 litro do alvejante em 9 litros de água, é eficaz para eliminação dos vírus e não irritante para os felinos, recomendado para limpeza dos gatis, mesas ambulatoriais, comedouros, bebedouros, vasilhas sanitárias, dentre outros. As superfícies devem ser bem secas após a desinfecção, antes que o animal seja introduzido no gatil (pintura de Aldemir Martins, artista plástico).

OBESIDADE NOS GATOS

postado por M.V. Raquel Redaelli

            A obesidade nos gatos, assim como nos cães e nos humanos, é um problema sério, de difícil correção, responsável por diversas doenças, e a culpa, na maioria das vezes, é nossa, os responsáveis pela alimentação dos nossos animais.

              Os gatos domésticos se adaptaram muito bem a ter comida à disposição, e já não precisam caçar para se alimentar, apenas por diversão. Os gatos que são mantidos dentro de casa, que ganham petiscos sempre que pedem (e sabem pedir!), que seus donos não tem tempo para brincadeiras, geralmente são sedentários e o ganho de peso é inevitável.

     É considerado obeso o gato que apresenta mais de 20% do peso recomendado. Porém, jé é considerado sobrepeso quando apresenta aquela barriguinha flácida.

             A castração provoca uma alteração hormonal na qual o gato custa mais a se sentir saciado, e ao mesmo tempo, existe a tendência a ficar menos ativo. Porém, depende dos proprietário evitar que a obesidade se desenvolva.

              Começamos pelo controle da alimentação. Nos pacotes das boas rações há a indicação de quantos gramas o animal deve comer por dia. Devemos respeitar esse dado, especialmente se notamos que o animal está aumentando de peso. Quando temos mais de um gato em casa complica um pouco, mas pode-se fazer uma média do consumo diário e ver se está dentro do valor indicado, apenas cuidando que não haja dominância entre os gatos em relação à alimentação, e que um impeça o outro de comer. Se esse for o caso, pode-se servir ração no mínimo 3 vezes ao dia, individualmente para cada um, em horários determinados, para que se alimentem sob supervisão. Evite ou restrinja os petiscos e a comida caseira, e deixe água fresca sempre à vontade (https://blogfelino.wordpress.com/2011/10/12/dicas-de-alimetacao/).

       Depende de nós também estimular o gato ao exercício. Devemos enriquecer o ambiente, com prateleiras, arranhadores, pêndulos, e também interagir com o gato utilizando brinquedos, laser point, etc (https://blogfelino.wordpress.com/2011/10/02/exercicio-para-gato/).

                Gatos obesos tem tendência a desenvolver Diabetes Melito, apresentar problemas de constipação e obstipação (retenção de fezes), doenças urinárias, doenças articulares, doenças respiratórias crônicas, hipertensão e problemas dermatológicos. E ainda, se deixarem de se alimentar por algum motivo, o risco de desenvolvimento de Lipidose Hepática é eminente, podendo causar a morte do animal (https://blogfelino.wordpress.com/2011/12/01/lipidose-hepatica-felina/).

             Faça a sua parte para evitar a obesidade. Se o seu gatinho está obeso, procure o médico veterinário para fazer um programa de redução de peso para ele, indicando a melhor ração e a quantidade correta.  O emagrecimento deve ser gradativo, em torno de 1% do peso por semana, para que emagreça com saúde. Existem rações especiais para perda de peso, indicadas para obesidade e as rações light, indicadas para manutenção.

       Resumindo, alimentação adequada e exercício físico previnem e combatem a obesidade. Essa fórmula todo mundo já conhece! Basta ter força de vontade para por em prática!

PANCREATITE EM FELINOS

Adaptado e complementado do site ttp://medfelina.blogspot.com, do M.V. especialista em felinos Reginaldo Pereira, de Fortaleza, Ceará. 

               Pancreatite é o nome dado aos processos inflamatórios e infecciosos que acometem o pâncreas, órgão responsável pela produção de enzimas para a digestão dos alimentos (pâncreas exócrino) e pela produção de hormônios responsáveis pelo controle dos níveis de açúcar no sangue (pâncreas endócrino). 

O sistema digestório dos felinos apresenta a particularidade anatômica de que o ducto biliar (que secreta conteúdo proveniente do fígado e da vesícula biliar) e o ducto pancreático (que secreta enzimas proveniente do pâncreas) se unem antes de desembocar no duodeno (porção cranial do intestino), e assim uma inflamação ou infecção hepática ou intestinal podem levar o pâncreas a um processo inflamatório agudo ou crônico, ocorrendo a chamada Tríade Felina. Portanto, animais com um quadro de lipidose  hepática (https://blogfelino.wordpress.com/2011/12/01/lipidose-hepatica-felina/) e doença intestinal inflamatória (https://blogfelino.wordpress.com/2012/02/09/doenca-intestinal-inflamatoria-dos-felinos/) sempre devem ser avaliados para pancreatite. Traumas, neoplasias, infecções e processos inflamatórios são os responsáveis mais comuns pela pancreatite nos felinos.

               Os sintomas diferem em relação à pancreatite canina. Vômitos e dor abdominal não são comuns. A apatia é um sintoma marcante e bem pronunciado, seguido de anorexia e hipotermia. Outros sintomas podem ser encontrados: diarréia, icterícia (mucosas amareladas), ascite (líquido abdominal livre), dispnéia (dificuldade respiratória), desidratação, agressividade e febre.

O diagnóstico não é simples. Uma ultrassonografia abdominal é sempre indicada, porém uma imagem pancreática normal não exclui a doença. Radiografia é muito pouco útil nestes casos. O perfil hematológico e bioquímico pode demonstrar alterações inespecíficas. As enzimas hepáticas quase sempre estarão aumentadas. A amilase e lipase não possuem importância diagnóstica, entretanto alguns autores afirmam que um valor aumentado destas em um liquido ascítico, em relação à concentração plasmática, sugere a uma pancreatite. Os testes mais sensíveis e específicos são os de Imunorreatividade da lipase e do tripsinóide sérico, mas de difícil acesso à maioria dos clínicos. Hoje tempos disponível um exame, que pode ser realizado na clínica, que detecta a Lipase Pancreática Felina, enzima que, quando aumentada, indica a presença da doença (snap test fPL Felino Idexx – Lipase Pancreática Felina).

               O tratamento baseia-se nos cuidados emergenciais, principalmente em assegurar equilíbrio hidroeletrolítico, usando-se a fluidoterapia endovenosa; limitar a translocação bacteriana, administrando-se antibióticos; o uso de corticóides é discutido, mas pode ser útil na inibição da produção e liberação de mediadores da inflamação. Normalmente não se preconiza o jejum em gatos,diferentemente de humanos e cães. A exceção é se o vômito está presente.

Por último, cuidado com pacientes diabéticos, pois acredita-se que são sempre candidatos à pancreatite.

QUEDA DE PELOS NOS GATOS: É NORMAL?

Postado por Luciana Marchioro, Médica Veterinária Dermatóloga (especialização em Dermatologia Veterinária). Atua em Caxias do Sul.

É comum nós, Médicos Veterinários, nos depararmos  com a seguinte pergunta: “meu gato está perdendo muito pelo, é normal?”. Pois esta é uma indagação de difícil resposta, principalmente sem uma avaliação clinica e exames complementares

Uma consulta dermatológica detalhada poderá classificar esta perda de pelos de acordo com a intensidade,  quantidade,  localização (se é generalizada ou em pontos isolados, caracterizando alopecia), também averiguando a qualidade da alimentação, estado nutricional, estação do ano, idade, condição de saúde geral do gatinho, pois a pele e os pelos são o espelho da saúde interna… Estes são alguns pontos que determinam se a queda de pelo é fisiológica (normal) ou se está relacionada a alguma doença de pele.

A raça influencia muito nesta perda, pois ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, gatos de pelos longos perdem MENOS pelos que os gatos de pelos curto. Isso ocorre pois os pelos longos apresentam um ciclo de crescimento e renovação mais demorado que a dos animais de pelo curto. Quando o pelo alcança o tamanho determinado pela raça, ele cai, crescendo outro em seu lugar.

A época do ano e a temperatura ambiente tem grande influência na troca da pelagem. Os gatos costumam perder mais pelo em épocas de calor. No nosso país, onde temos picos de calor diversas vezes ao ano, a queda por esse motivo se torna praticamente constante.

E deve-se lembrar que em situações de estresse, como manipulação indesejada, presença de outros animais, saídas de casa, etc, assim como em situações de doença, desnutrição e geriatria, o gato tende a perder mais pelo que o considerado normal, sem apresentar alguma alteração na pele que justifique.

Existem outros fatores considerados patológicos, ou seja dermatopatias (doenças de pele) que devem ser descartadas quando há a queixa de queda excessiva de pelos. Alguns exemplos são alopecia auto-infligida, alopecia psicogênica                   (leia sobre esse tema em https://blogfelino.wordpress.com/2012/01/11/alopecia-psicogenica-felina/),  dermatofitose, alopecia por diluição da cor, displasias nutricionais ou congênitas do pelo, tricomicose, tricorrexe nodosa, defluxo telogênico, alopecia  endócrina, distúrbios pigmentares  do crescimento do pelo, entre outras.

Quando notar uma perda excessiva de pelos que o incomode,  ou qualquer outra alteração na pele e pelagem do animal, o clínico veterinário deve fazer uma avaliação aprofundada, afim de esclarecer a causa para o problema.

Se a queda de pelos for diagnosticada como fisiológica (normal e esperada), é indicado que o gatinho seja escovado (utilizando escova especial para gatos) diariamente, para remover o excesso de pelos soltos, evitando assim que os pelos caiam pela casa e, principalmente, evitando a ingestão excessiva de pelos pelo gato durante sua higiene pessoal, que ocasiona o acúmulo e eliminação de “bolas de pelo”, que podem causar problemas a longo prazo ao gatinho (leia mais sobre bolas de pelo em https://blogfelino.wordpress.com/2012/01/17/bolas-de-pelos-dos-gatos/).

Imagens deste post: site http://www.osgatos.com.br e medfelina.blogspot.com

DOENÇAS CARDÍACAS DOS FELINOS

Por M.V. Rafaela Fontana. Atendimento em Cardiologia a Pequenos Animais na Vila Animal Clínica Veterinária, localizada no bairro Colina Sorriso, em Caxias do Sul (fone 3021.1572).

Assim como os cães, os gatos apresentam doenças cardíacas graves. Porém diferente dos cães, os gatos não costumam manifestar sinais clínicos que indiquem a presença de doenças. Normalmente, a descoberta da doença cardíaca nos gatos é tardia e com lesões irreversíveis.

Alguns sinais observados, geralmente quando a doença já está muito avançada, incluem dificuldade respiratória, aumento na freqüência respiratória, fraqueza, apatia, anorexia, paralisia ou paresia dos membros posteriores e morte súbita.

Em virtude da demora na apresentação dos sinais de doença, estas geralmente são descobertas pelo médico veterinário durante os exames de rotina. A ausculta de um sopro ou arritmia cardíaca em um gato é motivo para uma avaliação cardiocirculatória do paciente. Por isso, é muito importante que os felinos com até 8 anos de idade sejam levados ao veterinário pelo menos uma vez ao ano para check up, e aqueles maiores de 8 anos, duas vezes ao ano.

Alguns exames estão disponíveis para auxiliar na detecção dessas doenças, como eletrocardiograma (ECG), ecocardiografia e raio X. As doenças cardíacas não tem cura, porém, a partir do diagnóstico, é possível fazer o controle da doença e ajudar a prolongar a vida dos nossos gatos.

A alteração mais comuns é a cardiomipatia hipertrófica, mas encontra-se também a cardiomiopatia dilatada e a restritiva. Todas causam problemas a médio e longo prazo.

A causa das doenças ainda não é conhecida, porém a substituição nos últimos anos de comida caseira por ração industrializada, fez com que houvesse diminuição nas doenças cardíacas decorrentes da deficiência de taurina, pois nos alimentos comerciais há a suplementação desse aminoácido. As doenças cardíacas também podem estar relacionadas a quadros de hipertireoidismo e hipertensão.

Estar sempre atento às mudanças de comportamento, oferecer ração de qualidade e fazer exames de rotina são cuidados que permitem prolongar e melhorar a vida dos felinos, proporcionando que possam aproveitar da vida familiar por mais tempo em companhia do dono, de maneira saudável.

SÍNDROME CHOQUE EM FELINOS

Por M.V. Raquel Redaelli, baseado em monografia apresentada à Faculdade de Veterinária da UFRGS como requisito parcial para obtenção da Graduação em Medicina Veterinária.

Teve como orientador o prof. Rafael Stedile (POA, RS) e co-orientador o Dr. Rodrigo Cardoso Rabelo, Médico Veterinário Intensivista (Belo Horizonte, MG).

A síndrome choque é uma condição clínica grave presente na rotina clínica de pequenos animais, responsável por alto índice de óbito. O sucesso na abordagem ao paciente em choque requer estudo, conhecimento da fisiopatologia da síndrome e experiência do clínico quanto aos procedimentos a serem realizados.

Os felinos apresentam anatomia e resposta fisiológica diferente dos cães, porém este fato é desconhecido pela maioria dos clínicos. Desta maneira, os sinais clínicos e a conduta terapêutica também diferem dos cães. O cão responde à hipovolemia com taquicardia compensatória, enquanto que os gatos apresentam bradicardia (baixa frequência cardíaca), que associado à hipotensão (baixa pressão arterial) e a hipotermia (baixa temperatura corporal), compõem a tríade da morte dos felinos.

É de extrema importância conhecer as diferenças na resposta à síndrome nas diferentes espécies, para otimizar o atendimento, direcionando a terapêutica e a monitoração a pontos específicos, visando o sucesso na intervenção clínica.

O clínico deve ter em mente que a distinta resposta dos felinos está relacionada ao pior prognóstico em quadros de choque; por isso a detecção e intervenção precoce tornam-se ainda mais importantes quando se trata dos gatos, nos quais a “hora de ouro” dos atendimentos emergenciais é resumida em “cinco minutos de ouro”. É possível obter bons resultados quando for realizado o tratamento eficiente e imediato em estágios iniciais da síndrome; no entanto, a abordagem tardia, mesmo que adequada, pode ser ineficaz devido ao avanço do quadro clínico.

Aos proprietários de gatos, essa informação é importante para frizar a importância de procurar por um atendimento veterinário rapidamente quando observar alterações no animal ou em caso de acidentes, para dar mais chances à sua recuperação.

Disponível na íntegra no site do Intensivet, no link  http://www.intensivet.com/publicacoes/CHOQUE%20EM%20FELINOS%20copia.pdf

desenho: Matias Vazquez

DOENÇA INTESTINAL INFLAMATÓRIA DOS FELINOS

Por M.V. Raquel Redaelli. Baseado na monografia apresentada como requisito parcial para conclusão da Residência em Clínica Médica de Pequenos Animais da UFRGS.

A doença intestinal inflamatória (DII) constitui um grupo de distúrbios gastrintestinais crônicos e idiopáticos (sem causas definidas) causados pela infiltração de células inflamatórias normais na mucosa do trato gastrintestinal. O sinal clínico mais comum em gatos com DII é o vômito crônico intermitente; alguns pacientes podem apresentar diarréia, perda de peso, letargia e alterações no apetite. A sintomatologia se caracteriza por cíclica, marcada por exacerbações e remissões espontâneas dos quadros clínicos. Segundo a literatura, esses processos inflamatórios constituem o principal diagnóstico histopatológico em felinos que apresentam quadros crônicos de diarréia e vômito.

Diversas doenças são semelhantes clinicamente com DII e o diagnóstico é de exclusão. Assim, em gatos suspeitos, todos os diagnósticos diferenciais devem ser excluídos. O diagnóstico definitivo só pode ser determinado por meio de biópsia e avaliação histopatológica da mucosa intestinal e/ou linfonodos mesentéricos alterados (realizada com a excisão de fragmentos intestinais por laparotomia). Os aspectos clínicos e histológicos da DII podem se assemelhar muito àqueles do linfoma alimentar, reforçando a importância de, ao suspeitar de DII, realizar biópsia para confirmar o diagnóstico e não comprometer o tratamento no caso de linfoma.

A terapêutica da DII baseia-se no controle dietético (rações menos alergênicas) e na administração de drogas antiinflamatórias e imunossupressoras. Terapias adjuvantes têm sido utilizadas. Todas as terapias devem ser empregadas, preferencialmente, em associação, pois assim minimizamos a ação do sistema imune sobre o trato digestivo e reduzimos sua exposição a antígenos.

HIPERTIREOIDISMO FELINO

Por ROCHANA RODRIGUES, Médica Veterinária, Mestre em Ciências Veterinárias pela UFRGS. Proprietária da CHATTERIE CENTRO DE SAÚDE DO GATO, clínica exclusiva para felinos em Porto Alegre. http://www.chatterie.com.br


Hipertireoidismo é um quadro clínico resultante da excessiva produção e secreção de tiroxina (T4) e triiodotironina (T3) pela glândula tireóide. A maioria dos casos de hipertireoidismo é causada pelo adenoma tireóideo ou pela hiperplasia adenomatosa multinodular, afetando um ou, mais comumente, ambos os lobos da glândula tireóide. Menos de 2% dos casos ocorrem como resultado de carcinoma tireóideo funcional.

     O hipertireoidismo é a endocrinopatia mais comum em gatos nos Estados Unidos e na Europa afetando, aproximadamente, um em cada 300 gatos. A idade média para o aparecimento desta patologia é 12 anos, os efeitos do hipertireoidismo são multissistêmicos e a gravidades dos sintomas se dá pelo excesso do hormônio produzido.

      O estado hipertireoideo ocorre lentamente, além disso, os felinos mantêm ótimo apetite e permanecem ativos até a que a  perda de apetite ocorra, o que dificulta a percepção do proprietário.

           Os sintomas mais comuns são: perda de peso polifágica, ou seja, o gatinho ingere bastante alimento, mas não aumenta seu peso corporal; além disso, pêlo embaraçado, eriçado e alopecia (perda de pêlos). São relatados também poliúria e polidipsia (excesso de ingestão de água e produção de urina), vômitos e diarréia, agitação, hiperatividade, dispnéia (dificuldade respiratória) e intolerância ao calor.

               É importante lembrar que5 a10% dos gatos hipertireoideos manifestam sinais clínicos opostos e são denominados apáticos. Os felinos apresentam debilidade, depressão profunda, anorexia e flexão cervical. A presença ou ausência de um sintoma pode nem diagnosticar e nem excluir o hipertireoidismo.

         A dosagem sérica do T4 total é o melhor teste para avaliar funcionalmente a tireóide. Alguns felinos podem ter valores normais de T4 por flutuaçõo dos níveis ou por doença não-tireoidea concomitante.  É imprescindível que em felinos com níveis de T4 normais, mas suspeita de hipertireoidismo o exame seja repetido em duas semanas após.

Leia também: PRESTE ATENÇÃO AOS SINAIS DE DOENÇA DO SEU GATO blogfelino.wordpress.com/2011/12/30/105/    E DOENÇAS DO GATO IDOSO blogfelino.wordpress.com/2012/01/31/962/

DOENÇAS DO GATO IDOSO

do site da Clínica Veterinária Gatos & Gatos, no Rio de Janeiro – RJ. http://www.gatosegatos.com.br/faq.htm

               O envelhecimento é um processo inevitável e irreversível. Contudo, o estado débil atribuído ao gato geriátrico, pode ser oriundo de uma enfermidade que pode ser corrigida ou pelo menos tratável pelo médico veterinário. Deve-se diferenciar as mudanças inerentes ao processo de envelhecimento daquelas em função dos processos patológicos.

               O ciclo de vida do gato pode ser dividido em quatro estágios: filhotes – faixa etária compreendendo 6 a 8 meses; adultos – animais com 1 a 7 anos de idade; idosos – entre 8 a 12 anos; geriátricos – após os 12 anos.

               O número de gatos idosos e geriátricos vem aumentando no atendimento clínico diário. Isso se deve pelo aumento da preferência do felino como animal de estimação e pelo fato da medicina veterinária preventiva ter evoluindo muito. Hoje os gatos são favorecidos pelos programas de vacinação, dietas mais adequadas para a faixa etária e de prescrição (segundo as enfermidades), além da evolução das técnicas para obtenção de um melhor diagnóstico, somando-se ainda, a participação de proprietários mais conscientes e zelosos pela saúde do seu gato. Tudo isso fez com que a expectativa de vida dos gatos, que era de 10 anos, passasse para 15 anos. Se estimarmos em 15 anos a longevidade média de um gato, este atingirá o último terço de vida ao redor dos 10 anos de idade, o que corresponde a uma definição comum de envelhecimento qualquer que seja a espécie envolvida. Neste estágio, geralmente aparecem sinais que chamam a atenção dos proprietários: falta de dinamismo, sonolência, alteração do pêlo.

               A expectativa de vida máxima de um gato é geneticamente programada. Ao contrário do que ocorre com os cães, a raça tem pouca influência na expectativa de vida do gato, mas varia consideravelmente em função do ambiente do animal. Para um gato que vive fora de casa, a expectativa de vida é de apenas 10 anos, mas um animal confinado em um universo muito protegido atinge 18 a 20 anos de idade. Alguns gatos são conhecidos por terem vivido mais de 30 anos. Hoje em dia os gatos são castrados com freqüência e vivem mais no interior das casas: portanto, estão menos expostos a acidentes. Uma alimentação apropriada e de qualidade permite combater os fenômenos patológicos e fisiológicos ligados ao envelhecimento, manter o peso do gato em seu nível ideal, e contribuir para a prevenção de problemas urinários.

               O conhecimento da influência do envelhecimento em cada um dos sistemas orgânicos aumenta a capacidade para criar critérios para os meios de diagnósticos, para planejar programas de prevenção de doenças e instituir terapias adequadas. Os gatos idosos e geriátricos são mais sedentários, menos enérgicos, menos curiosos e mais restritos em suas atividades. Eles se ajustam lentamente às mudanças da dieta, atividades e rotina. Eles são menos tolerantes ao calor ou frio extremo. Eles procuram locais confortáveis aquecidos e dormem por longos períodos. Os pêlos apresentam-se embolados, secos e sem brilho, visto que os gatos idosos costumam perder o interesse de se lamberem. Quando manipulados, são mais fáceis de se irritar.

               Muitas das mudanças comportamentais ocorrem pelas alterações nos órgãos dos sentidos: diminuição da audição, da visão e do olfato. As unhas são pouco desgastadas e é comum vê-las introduzidas nos coxins (almofadinha das patas). Eles apresentam dores articulares, em função de doenças degenerativas das articulações, fraqueza muscular e perda de tônus muscular. Tudo isso faz com que os gatos restrinjam sua atividade e habilidade para participar da vida familiar. Muitos gatos ficam tão carentes com o afastamento que começam um processo de lambedura compulsiva, levando a áreas extensas de alopecia, ou iniciam com o distúrbio de eliminação de urina ou fezes em locais inapropriados. Viagens e hospitalizações são pouco toleradas pelos gatos idosos. Tais gatos se alimentam pouco ou ficam anoréticos, muito ansiosos e dormem pouco. É melhor deixá-los em casa sob os cuidados de alguém familiar (“cat-sitting services”). Constipação é um dos problemas freqüentes do gato idoso. Os fatores de risco são: falta de exercício, retenção fecal voluntária, dieta inapropriada, dor por impactação da glândula adanal, redução da motilidade intestinal e fraqueza da musculatura intestinal. As fezes se apresentam mais ressecadas e endurecidas. Doenças periodontais levam a processos extremamente dolorosos e fazem com que os gatos recusem o alimento. A perda de peso é um problema sério no gato idoso e deve ser investigada se é devido a problemas dentários, endócrinos, afecções de má absorção e/ou a uma percepção mais fraca dos odores e sabores dos alimentos.

               O gato é por natureza um grande consumidor de proteínas, não há razão alguma para reduzir drasticamente o fornecimento protéico quando ele envelhece. Esta restrição poderia ser prejudicial a sua saúde. Enquanto que a restrição protéica não permite retardar o envelhecimento do rim, por outro lado aconselha-se uma diminuição de fósforo na dieta. Com esta medida pode-se esperar um retardamento do declínio da função renal. Os alimentos que acidificam a urina dos gatos são desaconselhados após os 10 anos de idade. Estes alimentos parecem favorecer o desenvolvimento de cálculos urinários de oxalato, os quais são mais frequentemente observados em gatos idosos. Além disso, é melhor evitar alimentos acidificantes em animais cuja função renal poderia estar prejudicada.

               Como conseqüência de um aumento na expectativa de vida do gato, observamos cada vez mais as doenças crônicas. As doenças encontradas com maior freqüência em gatos idosos são: insuficiência renal crônica, problemas dentários, tumores (adenoma funcional da glândula tireóide, acarretando em hipertiroidismo), degenerações ósseas e musculares, doenças cardiovasculares e diabetes mellitus.

               O programa preventivo de saúde para o gato idoso deve ser iniciado a partir da faixa etária de 7 a 11 anos de idade e deve continuar por todo resto de sua vida. Esse programa tem sido recomendado pela Associação Americana de Clínicos Especialistas em Felinos e pela Academia de Medicina Felina, em 2005, num painel para reportar os cuidados com o paciente felino idoso. Caso o gato não demonstre nenhum tipo de doença, na avaliação deve constar: avaliação completa da história médica pregressa e do comportamento do animal, exame físico completo, aferição da pressão arterial e exames sanguineos, que ajudam a estabelecer o que está normal e reconhecer o mais cedo possível o que está errado. É fundamental avaliar o peso do animal e as condições corpóreas e compará-las com aferições anteriores, para verificar se houve perda ou ganho substancial. A recomendação para pacientes que estejam portando alguma enfermidade é similar as anteriormente mencionadas associadas aos exames específicos para as afecções.   

BOLAS DE PELOS DOS GATOS

Do site www.me-adota.blogspot.com, que promove a doação de gatinhos em Niterói – RJ e fornece diversas informações para aqueles que se preocupam com a saúde de seus gatos.

 

Quem não se lembra da hilária cena de Shrek, em que o Gato de Botas faz o maior estardalhaço para vomitar uma bola de pelos?

A maioria dos gatos apenas tosse e vomita um montinho nojento de pelos emaranhados – que, apesar do nome, tem formato de “charuto” e não de “bola”-, mas alguns realmente dão um verdadeiro show. O meu mais velho costumava gritar como se estivesse morrendo engasgado. Era uma cena bastante dramática e, apesar de um comportamento normal dos gatos, para um proprietário inexperiente, pode ser bastante assustador. E quem cria gatos há algum tempo sabe: em geral, o alvo é o sofá ou o tapete (raramente eles “miram” no piso frio ou qualquer outra superfície fácil de limpar).

BAD HAIR DAYS

Por ser um animal muito cuidadoso com a própria higiene, o gato passa boa parte do tempo se lambendo e, com isso, acumula uma grande quantidade de pelos no estômago. Esses pelos causam desconforto e precisam ser expelidos através de vômitos ou fezes. Quando isso não ocorre, o excesso de pelos mortos no organismo pode causar problemas digestivos e intestinais (fezes ressecadas, constipação ou até uma séria obstrução intestinal), além de falta de apetite e apatia. Em alguns casos mais graves, pode ser necessário até uma intervenção cirúrgica.

Leve seu gato ao veterinário ao notar os seguintes sintomas: falta de apetite, apatia, dificuldade para defecar ou vômitos frequentes!

COMO PREVENIR

Escovação escovar seu gato diariamente ou, no mínimo, 3 vezes por semana, ajuda a eliminar boa parte dos pelos mortos que seriam engolidos por ele. E, de quebra, diminui consideravelmente os pelos que se espalham pela casa.

Pastas específicas – existem muitas no mercado, como a nacional Malt Paste e as importadas Hair Ball Remedy, Grass Gel e Laxatone, entre outras.

Grama – sim, grama! Você pode comprar as vendidas em pet shops ou plantar trigo, milho ou alpiste em casa. A maioria dos gatos adora!

Apesar de carnívoros, os gatos costumam ter uma forte “queda” por folhinhas verdes. Aqueles criados em apartamento e sem acesso à grama de um jardim ou quintal, atacam qualquer “coisa verde” que encontram pela frente, o que pode ser um problema, já que muitas dessas (nem tão) inocentes plantinhas ornamentais são tóxicas. O que fazer, então? Plantar graminhas para seus gatos “pastarem” com segurança pode ser a solução.

Os felinos saem atrás de “graminhas” para providenciar fibras vegetais, que irão regularizar o trato intestinal e auxiliar na eliminação dos bolos de pelos acumulados em seus intestinos” (webanimal)

LIPIDOSE HEPÁTICA FELINA

Texto publicado no blog português  www.caninosegrandes08.blogspot.com                  

O texto está bem escrito e o assunto é super importante e relevante para quem tem gatos ou trabalha com eles, especialmente hoje em dia, com o grande números de gatos obesos que observamos nas residências…

               A lipidose hepática felina, vulgarmente denominada por doença do fígado gorduroso, caracteriza-se por um acúmulo de gordura dentro das células do fígado (hepatócitos). Este acúmulo produz uma alteração grave na função hepática que, se não for tratada agressivamente, pode ser fatal para o gato.

               A maior parte dos casos de lipidose hepática está associada a gatos obesos páram de comer, e o fator desencadeante da doença parece ser o stress a que o animal possa ser sujeito. Por stress entende-se qualquer alteração na rotina ou no ambiente do gato (mudança de alimentação, mudança de casa, presença de um novo membro na família, entre outros) ou mesmo alguma doença concomitante que lhe conduza a uma diminuação do apetite.

               Os sintomas mais frequentes da lipidose hepática são: depressão; anorexia com perda de peso acentuada; vômitos; icterícia (mucosas amareladas); hepatomegalia (aumento do tamanho do fígado), nem sempre frequente; sinais neurológicos, nos casos mais graves.

               A suspeita de lipidose hepática baseia-se no histórico clínico do animal (gato obeso com perda de peso significativa sem causa aparente) e nos sintomas exibidos. Perante isto, efetuam-se exames complementares ao diagnóstico:

– análises sanguíneas: revelam alteração dos parâmetros hepáticos;

– radiografia abdominal: revela um fígado anormalmente grande;

– ecografia: revela alterações evidentes em todo o parênquima hepático.

               Um diagnóstico precoce é a chave para o sucesso no tratamento da lipidose hepática. Perante a confirmação da doença há que garantir um suporte nutricional intensivo. Deste modo, o gato deve ser alimentado com dieta hiper-proteica e hiper-calórica e devemos garantir que tenha uma ingestão calórica diária suficiente para o seu peso. Dado que na maior parte dos casos o gato está anorético, optamos por lhe colocar um tubo de alimentação no esófago que permite ao dono alimentá-lo em casa sem lhe criar mais stress. Nos casos mais graves o animal é tratado com fluitoterapia para repôr o seu equilíbrio eletrolítico, são administrados antibióticos para controlar eventuais infecções secundárias e administrados antiácidos e antieméticos para evitar a náusea que o animal sente pela comida.

               Em qualquer uma das situações, sejam elas mais ou menos graves, o tratamento e a recuperação total do gato são demoradas, podendo levar semanas até o animal recuperar totalmente o seu apetite. Cerca de 30% dos gatos não reagem ao tratamento e morrem.

               Uma das melhores formas de prevenir a lipidose hepática é manter o gato com peso adequado. Se ele tem excesso de peso aconselhe-se com o seu veterinário sobre o melhor programa para redução de peso. Não opte por lhe reduzir drasticamente a quantidade de comida nem fornecer-lhe comida que ele não goste, pois estas situações podem ser suficientes para desenvolver lipidose hepática.

               Se o seu gato perdeu apetite repentinamente, leve-o de imediato ao seu médico veterinário.

HOMEOPATIA E GATOS

Por Joice Peruzzi, Médica Veterinária Homeopata e especializada em Comportamento de Cães e Gatos.

               A homeopatia é uma especialidade veterinária que se aplica muito bem ao tratamento das mais diversas enfermidades em gatos, desde problemas crônicos, como câncer, insuficiência renal, viroses como rinotraqueíte, FIV e Felv, até casos agudos, como diarréias e traumas, passando por problemas comportamentais, como alopecia psicogênica, agressividade, etc.

               Um dos princípios que rege a homeopatia é a existência de um medicamento único capaz de tratar as mais diversas enfermidades do indivíduo, sempre respeitando a similaridade entre os efeitos do remédio e os sintomas do paciente. Os sintomas, no caso na homeopatia, não são somente os causados pela doença, mas qualquer coisa que seja peculiar do animal, relacionado ao seu comportamento, preferências alimentares, relação com o clima, sono, etc. Por isso, uma consulta homepática é extensa e o veterinário faz inúmeras perguntas, nem sempre com relação direta com o caso.

               As apresentações do remédio homeopático são diversas: glóbulos de açúcar (o preferido dos gatos), gotas em solução alcoólica ou glicólica, papel com pó de lactose e dose única em solução aquosa. A forma de tomada depende do caso, podendo ser dose única (toma uma só vez) ou uso repetido, de uma a 3 vezes ao dia. Normalmente nos casos crônicos se faz uso repetido e em casos agudos e comportamentais, doses únicas.

               Ao contrário do que muitos pensam, a homeopatia não age somente a longo prazo. Se o medicamento usado for o correto, a resposta se dá horas após o seu uso, por isso também é uma excelente forma de tratar problemas agudos, agindo até mais rápido que medicações convencionais.

               Cada paciente tem seu caso individualizado e o tratamento sempre é focado nele e na sua melhora, e não na doença especificamente. Por isso, mesmo em casos sem cura, como alguns casos de câncer e insuficiências, proporciona-se uma melhor qualidade de vida ao animal, mesmo quando a homeopatia é associada ao tratamento convencional.

               Não existem remédios homeopáticos para determinadas doenças, por isso nem sempre o que funciona para um gato irá funcionar para outro. Ao contrário do que muitos pensam, a homeopatia usada de forma irracional pode causar problemas e trazer efeitos colaterais, por isso é imprescindível que só sejam utilizados remédios prescritos por um médico veterinário, que é o único profissional que pode receitá-los.

Contato com a Dra. Joice Peruzzi pelo email joiceperuzzi@yahoo.com.br

Visite o site www.comportapet.com.br Atendimento em Porto Alegre.

COMO OS GATOS CAEM EM PÉ?

Da edição especial da Revista Super Interessante sobre Cães e Gatos (out / 2011).

O reflexo corretivo ajuda o gato a virar o corpo em segundos e amortecer o impacto. Basta que a queda seja no mínimo a 60 cm do chão para que os gatos se virem completamente para aterrisar com as quatro patas. Já a altura máxima do tombo que o gato pode suportar, só a sorte pode dizer (ver texto “Gato Paraquedista”: Por que os gatos caem das janelas? Quais as consequências da queda?).

Entenda qual o mecanismo que faz com que os gatos caiam em pé:  

1.  Todo mamífero possui um sistema chamado vestibular que fica dentro do ouvido. Os gatos tem uma sensibilidade acima do normal. Um aumento de pressão na região funciona como alerta quando identifica que a cabeça não está na posição correta.

2.  O cérebro interpreta as informações e manda sinais elétricos para o aparelho locomotor. Os músculos recebem o comando para virar o corpo. A cabeça é a primeira parte a girar em busca de equilíbrio.

3.  Em seguida o gato gira a porção superior do tronco. Ele consegue fazer isso antes do resto do corpo porque os ombros não são fixos ao esqueleto principal (gatos não tem clavícula). As patas dianteiras se estendem e espalmam. Elas ajudam a proteger a cabeça do impacto e também auxiliam na orientação.

4.  Chega a hora de alinhar a outra parte do tronco. As patas traseiras giram para se alinhar à parte da frente. O rabo funciona como uma cauda de avião, que ajuda a dar estabilidade na rotação do corpo.

5.  A coluna é arqueada e as patas se estendem para aumentar o atrito com o ar. A postura serve como uma espécie de planador, diminuindo a velocidade com que o gato chega ao chão.

6.  Na aterrissagem, seu tamanho pequeno e seus ossos leves também ajudam a reduzir a velocidade com que atinge o solo. Em queda livre os gatos chegam a atingir a velocidade de100 Km/h (metade da velocidade terminal do corpo humano).  

“GATO PARAQUEDISTA”: PORQUE OS GATOS CAEM DAS JANELAS? QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS DA QUEDA?

Postado por M.V. Raquel Redaelli. Adaptado dos livros Coletâneas em Clínica e Cirurgia de Felinos e O Paciente Felino.

               Conhecida também como “Síndrome da queda de alturas”, os acidentes que envolvem quedas de gatos das janelas e sacadas são uma realidade do mundo moderno, onde temos um maior número de pessoas vivendo em apartamentos, e que tem os gatos como animal de estimação ideal.

              Ao contrário do que se diz por aí, as quedas não são suicidas, e sim acidentais. Os felinos são ágeis e destemidos, mas podem ser prejudicados por sua curiosidade e instinto de caça, e é nesse momento que os acidentes ocorrem. Gatos jovens sofrem quedas com mais frequência, fator que pode ser atribuído à inexperiência.

               Nas quedas, cerca de 90% dos gatos sobrevivem. Em média, 3% morre na queda ou logo após, 37% precisam de atendimento emergencial, 30% precisam de tratamento não emergencial e 30% não precisam de qualquer tratamento (Fonte: O Paciente Felino 3ª edição).

               O curioso é que os gatos sofrem lesões mais graves mais quando caem de alturas menores! Na verdade, quando caem de alturas até 7 andares, as lesões ocorrem mais em extremidades e são mais evidentes, e quando caem de alturas maiores, conseguem distribuir melhor o peso no impacto e as lesões ocorrem mais a nível interno, principalmente em tórax.

               Em quedas até o sétimo andar, as lesões são mais graves conforme a altura, ocorrendo principalmente fraturas múltiplas. Até esta altura, a velocidade máxima de queda não foi atingida, e o sistema vestibular sofre estimulação contínua, causando rigidez dos membros e incapacidade de preparação para uma aterrissagem horizontal.

                Acima dessa altura, o número de lesões estabiliza ou diminui. Acredita-se que isso ocorra pois gatos que caem a altura maior de sete andares, atingem a velocidade de 90  Km/h, o que estimula ao máximo o aparelho vestibular, e o gato assume uma postura mais horizontal e menos rígida, com impacto distribuído igualmente pelo corpo. Isso ocorre em gatos que estão conscientes durante a queda.

               O gato consciente e com reflexos posturais (vestibulares e cerebelares) intactos impõe correções posturais durante a queda, resultando em desaceleração corporal e aumento da área de impacto, Primeiro, ele retoma, ainda no ar, a posição de estação, com os quatro membros para baixo. Se a queda for mais alta, o gato progressivamente afasta os membros do corpo (formando uma espécie de “paraquedas”), posição na qual aumenta o atrito com o ar e a aceleração da gravidade é minimizada pela resistência. As lesões observadas são mais difusas e menos evidentes, pois o trauma ocorre simultaneamente no tórax, abdome, face interna dos quatro membros e parte ventral do pescoço e cabeça.

               As lesões que acometem com mais frequência os gatos após a queda são: traumatismo torácico, contusões pulmonares, pneumotórax, ferimentos diversos, fraturas de membros, fraturas dentárias, de palato duro e de mandíbula.

               A queda de um gato, independente da altura, deve ser tratada como emergência, pois podem ocorrer lesões “silenciosas”, ou seja, pouco evidentes, que podem causar a morte do animal se não tratado adequadamente.

Nem precisaria ser dito, mas não vamos brincar com a sorte e pagar para ver o que acontece! Para prevenir este tipo de acidente, é indicado colocação de telas em todas as janelas e sacadas dos apartamentos.

 

DOENÇAS INFECCIOSAS DOS GATOS E VACINAÇÃO

postado por M.V. Raquel Redaelli

Os gatos estão suscetíveis a algumas doenças infecciosas que são provocadas, em sua maioria, por agentes diferentes das doenças que acometem os cães, apresentando, portanto, manifestação clínica diferente.

 As doenças infecciosas que acometem os gatos são:

– Panleucopenia Felina: semelhante à Parvovirose Canina, altamente contagiosa e letal, acomete gatinhos jovens, com vômitos, diarréia, anorexia e desidratação.

– Herpesvírus felino: geralmente a contaminação é materna, sintomatologia de gripe, com secreção nasal e ocular.

– Calivivirose: muito contagiosa, causa lesões e úlceras na cavidade oral.

– Clamidiose: é zoonose, causa conjuntivite.

– Leucemia Felina (FeLV): doença transmitida por contato direto e fômites, não tem cura. Causa imudepressão, cursa com anemia, leucemia e câncer.

– Imunodeficiência Felina (FIV): o contágio ocorre por mordida de gatos contaminados, não tem cura. Doença imudepressora, o gato apresenta definhamento e doenças oportunistas pelo sistema imune frágil.

– Peritonite Infecciosa Felina (PIF): altamente letal, a transmissão do vírus ocorre através das fezes, mas depende de predisposição individual para fazer mutação do vírus e desenvolver a doença. O estresse pode ser fator predisponente da mutação do vírus no indivíduo.

– Raiva: é zoonose, letal, transmitido por mordida de morcego ou de animais com infecção ativa.

VACINAÇÃO

 As doenças infecciosas que podem ser prevenidas pela vacinação adequada são: panleucopenia felina, herpesvírus, calicivirose, clamidiose, leucemia felina e raiva.

As vacinas disponíveis para felinos no Brasil são:

– Vacina Tríplice: (panleucopenia, herpesvírus e calicivírus)

– Vacina Quádrupla: (tríplice + clamidia)

– Vacina Quíntupla: ( quádrupla + leucemia felina)

– Vacina Antirrábica

 www.geekcats.com.br

INDICAÇÕES DA VACINAÇÃO:

 A vacinação está indicada em todos os gatos, exceto naqueles que apresentaram algum tipo de reação vacinal (nesse caso, o médico veterinário deve avaliar a necessidade).

 – Gatos filhotes: indicado vacina quádrupla quando viver em apartamento e vacina quíntupla quando tiver acesso à rua, a abrigos ou com gatos FeLV positivos. O número de doses depende da procedência do animal: indicado 2 doses de vacina (aos 2 e aos 3 meses de idade) quando o gatinho é procedente de criações familiares, e 3 doses quando procedentes de abrigos ou aglomerados de gatos. Indica-se vacina antirrábica, 1 dose, após os 4 meses de idade.

 – Gatos adultos: indicado 1 dose anual de vacina antirrábica e de tríplice ou quíntupla (se tiver contato com a rua, com muitos gatos ou com gatos positivos para Leucemia). Gatos que não tem acesso à rua nem contato com outros gatos de fora de casa podem ser vacinados a cada 2 anos. Porém, deve passar por uma avaliação anual com veterinário, para detecção precoce de alterações. Gatos com as vacinas feitas a mais de 3 anos devem receber 2 dose de tríplice ou quádrupla.

 OBSERVAÇÕES:

– o ideal é testar o gato para FeLV antes da vacinação para Leucemia Felina e comprovar que seja negativo. Se o gato for positivo, a vacina não terá o efeito preventivo.

– as vacinas contra o Vírus da Leucemia Felina estão estão novamente disponíveis no Brasil desde maio de 2012; por desinteresse de importação por parte das empresas que fabricam as vacinas ela esteve indisponível por muito tempo.

– a peritonite infecciosa felina e a síndrome da imunodeficiência felina (AIDS felina) não são prevenidas por vacinas realmente eficazes (vacinas somente nos EUA, com eficiência não comprovada).

– existem vacinas inativadas e vacinas com vírus vivo atenuado. Cada uma delas está indicada em situaçoes diferentes, de acordo com a procedência do animal, local de convivência, condição clínica, etc. O médico veterinário deve avaliar caso a caso e administrar a vacina mais adequada.

INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA EM FELINOS

Postado por M.V. Raquel Redaelli, a pedido da leitora Andréa. Adaptado de ”O Paciente Felino”, terceira edição.

               Para entender a Insuficiência Renal nos gatos, devemos entender qual a função dos rins e quais os exames que indicam a presença da doença.

               De maneira simplificada, os rins apresentam a função de filtrar do sangue as impurezas (toxinas e metabólitos) do organismo e eliminar pela urina. A creatinina é um metabólito derivado do metabolismo protéico e é excretada pelo rim. O aumento da creatinina indica que o rim não está conseguindo filtrar corretamente e eliminar as toxinas e metabólitos do organismo. O nível de creatinina se eleva quando cerca de 75% da função renal é perdida. É o teste mais específico e preferido para detectar a donça renal. Com a falha na filtração, esses metabólitos se acumulam no sangue e provocam uma espécie de “intoxicação”, deixando o gato nauseado, sem apetite, fraco, etc.

               Para um diagnóstico completo e para estimar fatores prognósticos da doença, além da creatinina, mensuram-se os níveis sanguíneos de uréia, exame qualitativo de urina e a relação entre proteína e creatinina urinária. Os sinais se tornam mais graves à medida que a creatinina e a uréia aumentam.

               A doença renal crônica é um processo que geralmente se inicia no gato jovem, e progride ao estágio de falência renal no gato idoso, quando vão aparecer os sinais clínicos. É considerado um processo esperado pelo envelhecimento. Pode também ser secundário a “agressões” constantes ao rim, como quimioterápicos, antiinflamatórios, baixo consumo de água, excesso de proteína na dieta, entre outros. 

               O termo “insuficiência renal” denomina o paciente com creatinina acima do normal, porém assintomático ou com sinais brandos de doença renal, como leve redução do apetite, leve perda de peso, polidipsia (aumento da ingestão de água) e poliúria (maior volume de urina), muitas vezes imperceptíveis ao proprietário. (veja texto “preste atenção aos sinais de doença do seu gato” para identificar os sinais clínicos que podem ser sutis, mas que podem ser indicativos de alguma doença)

               O gato que apresenta “falência renal” apresenta sinais de anorexia, náuseas, desidratação, letargia, poliúria, polidipsia e mucosas pálidas. Pode ocorrer vômito em fase mais tardia da doença. Os rins geralmente estão menores que o normal.

               DOENÇAS CONCOMITANTES: Deve-se prestar atenção à pressão arterial sistêmica dos gatos com doença renal, em qualquer estágio, pois a hipertensão está associada a mais de 50% dos gatos com doença renal crônica, sendo necessário instituir terapia hipotensiva. O hipertireoidismo, doença que acomete gatos idosos, aumenta a perfusão renal e pode mascarar a doença renal. Deve-se prestar atenção a esse fator quando iniciar o tratamento para o hipertireoidismo, pois com o paciente estabilizado, pode descompensar da doença renal. O risco de infecções do trato urinário aumenta em gatos portadores da doença.

 O TRATAMENTO deve ser instituído pelo médico veterinário de acordo com os achados clínicos e laboratoriais do paciente. O fator essencial para o tratamento da doença é a reidratação e estimular a diurese. A hidratação deve ser feita por via endovenosa em pacientes com níveis elevados de creatinina e pode ser feito subcutâneo (a longo prazo) quando o gato está estável. Outros fatores podem ser associados ao tratamento, de acordo com o quadro clínico do animal. Pode ser indicado tratamento de suporte (para amenizar os sinais clínicos presentes), dieta renal, suplementação de potássio (pois com a poliúria o gato elimina grande quantidade de potássio), inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), quelates de fosfato (os níveis de fósforo ficam altos com a doença renal), vitaminas do complexo B, calcitriol, eritropoetina (enzima produzida pelo rim que estimula a produção de células vermelhas do sangue) e estimulantes de apetite.

               Normalmente não é possível fornecer um prognóstico definitivo sobre o resultado do tratamento no início da terapêutica. Com o manejo agressivo a longo prazo, o prognóstico da insuficiência renal é bom. Muitos pacientes estabilizam com níveis de creatinina próximos do normal e assim permanecem durante alguns meses, voltando a aumentar novamente. Esses gatos podem viver de um a três anos antes do aparecimento da falência renal.  Quando a falência renal cursa com anúria (não produção de urina), o prognóstico é grave. Deve-se prestar atenção para que seja mantida a qualidade de vida nesses gatos.

Essa é a Jeannie, a primeira gata da minha família. Ela faleceu em 2010 devido à falência renal, secundário ao tratamento quimioterápico realizado 2 anos antes devido a tumor de mama. Ela viveu 3 anos após o aparecimento do primeiro nódulo mamário!

COCEIRA EM FELINOS: NEM TUDO É SARNA!

Postado por Luciana Marchioro, Médica Veterinária Dermatóloga (especialização em Dermatologia veterinária).

Atua em Caxias do Sul. Contato pelo fone (54)3226.6292, email lumarchioro2010@hotmail.com

          Foi -se o tempo em que gato não ia ao consultório veterinário,  sendo isso um privilégio somente de cães. Hoje não somente nossos bichanos visitam regularmente o Médico Veterinário como também são atendidos nas diversas especialidades que esta classe oferece.

          Dentre elas está a dermatologia veterinária. Sabe-se hoje que nem “tudo é sarna” em nossos companheiros peludos, sendo descoberta inúmeras doenças dermatológicas de diversas origem, como parasitárias, alérgicas, imunológicas e também comportamentais

           As DERMATOPATIAS PARASITÁRIAS são as mais vistas na clínica do dermatólogo veterinário, sendo incluído nesta classe:

  • sarna sarcóptica (sarna notoédrica felina): o gato apresenta coceira intensa (prurido), feridas e bolinhas pelo corpo (pápulas e pústulas) e pele avermelhada (eritema). Deve ser realizado um exame clinico e anamnese profunda, para assim ser realizado um diagnóstico diferencial. 
  • sarna notoédrica: doença de pele de intensa contaminação e proliferação, com muita coceira. A pele fica escamada e com crostas. 
  • sarna demodécica: acomete felinos imunodeprimidos, geralmente associado alguma patologia viral.
  • sarna otodécica (otocaríase): geralmente acomete os ouvidos dos felinos, mas pode habitar também toda a superficie corporal causando coceira generalizada, sendo altamente contagiosa por contato direto. 
  • queiletielose: chamada de “caspa andante”, também causa intensa coceira e presença de “caspas” como o prórprio nome diz, sendo confundida com diversas doenças, não somente parasitárias mas também alérgicas e distúrbios de disqueratinização (seborréia).
  • linxacaríase: intensa coceira e caspas.
  • dermatofitoses: com 3 principais fungos envolvidos, pode  ser assintomática, podendo contaminar outros animais e o homem.

          Sendo estas as principais doenças parasitárias, porém não as únicas doenças dermatológicas, deve-se fazer um diagnóstico diferencial realizado pelo médico veterinário, incluindo os principais exames dermatológicos (às vezes sendo necessário até biopsia de pele afim de elucidar o caso).

               A Dermatologia Veterinária e principalmente felina evolui a cada ano, mostrando que o gato hoje em dia também faz parte da família, e para tal precisa de tratamento especial e diferenciado, mostrando que nem tudo é sarna.

 

 

 

www.tudogato.com

CRIANDO O GATINHO ÓRFÃO

postado por M.V. Raquel Redaelli

             Cuidar de um gatinho que perdeu a mãe ou que foi rejeitado por ela é um momento trabalhoso, pois requer cuidados intensivos. Porém o maior trabalho dura apenas em torno de um mês, e então o gatinho consegue ser um pouco mais independente. E É O MÁXIMO! Ver aqueles bebezinhos começarem a andar, procurar a comida, ir até a caixa de areia fazer suas necessidades….

               Alguns fatores são essenciais nos cuidados com o gatinho recém-nascido:

  ALIMENTAÇÃO:

               Os substitutos de leite para gatinhos vendidos em pet shops são uma ótima opção, pela facilidade de preparo e também por ser completo nutricionalmente (leite em pó especial que deve ser diluído em água).

                Outra opção é preparar o leite em casa. Uma receita caseira que gosto é: utilizando leite em pó integral, mel ou glicose de milho, creme de leite, ovo e água pura, prepare 250ml de leite em pó com água morna, misture bem 1 colher de sopa de glicose, 1 colher de sopa de creme de leite e 1 gema. O preparado pode ficar em geladeira por 24 horas, e deve ser amornado na hora de servir.

                Ofereça o leite utilizando mamadeira pet, que possui bico pequeno e facilita a sucção. O gatinho deve mamar a cada 2 horas, e esse período vai aumentando com o passar das semanas. Espere que ele chore pedindo comida, somente o acorde se tiver passado mais de 3 horas sem mamar. A quantidade a ser oferecida é o quanto ele quiser tomar por vez. Mantenha a mamadeira inclinada para que o gatinho não ingira ar, e mantenha o filhote com a cabeça levemente mais alta que o corpo.

  HIGIENE:

               Quando está com a mãe, o gatinho urina e defeca quando estimulado por ela. Devemos estimulá-lo antes e depois da alimentação, passando suavemente um algodão levemente umedecido em água morna sobre a região genital. As fezes são amareladas, devido ao leite. Evite dar banho no filhote, pois pode deixá-lo doente.

  AQUECIMENTO:

               Gatinhos neonatos não conseguem manter sua temperatura corporal, por isso devemos fornecer fontes de calor externa. Além de paninhos e cobertores, pode-se utilizar bolsas de água quente, garrafas pet com água quente dentro, etc, sempre envolvendo em um pano para que não queime o gatinho.

  CRESCENDO:

               Em torno de um mês de vida, o gatinho começa a andar, com o rabinho em pé, parecendo uma antena. Comece a oferecer papinha de desmame (vendido em pet shop) ou ração em lata para filhotes ou então uma ração seca de boa qualidade para filhotes umedecida em água morna para que fique como papa. Observe se ele está comendo o necessário por dia, senão continue fornecendo mamadeira. Quando ele estiver mais firme e comendo melhor (mais ou menos aos 40 dias), comece a oferecer a ração seca também, até que possa tirar a papinha. Alimente-o de 4 a 6 vezes ao dia.

                Quando ele começar a andar, já deixe por perto uma caixa pequena e baixa com granulado sanitário para gatos, para que ele aprenda a usar.

  VERMÍFUGO E VACINA:

               Aos 15 dias o gatinho já pode receber a primeira dose de vermífugo, que deve ser repetida em 15 dias. Entre 45 e 60 dias ele já pode receber a primeira dose da vacina.

                Procure um veterinário para orientações quanto à marca e dose de vermífugo a ser dado, e para fazer um calendário de vacinação para seu filhotinho.

  SOCIALIZAÇÃO:

               Se o seu gatinho estiver saudável, deixe-o interagir com pessoas e outros animais (de qualquer espécie, sem que corra riscos de ataques), principalmente após a segunda semana de vida. Assim, ele irá aprender a interagir e conhecer os limites das suas brincadeiras, para se tornar um adulto mais dócil e carinhoso.

A gatinha das fotos é a Zuca. Adotei ela no HCV da UFRGS quando eu estava no quinto semestre da faculdade (em 2005). Ela tinha uns 3 dias de vida, e estava  abandonada com mais 8 gatinhos. Ela foi criada com a receita caseira de substituto de leite,  e se tornou essa gatona linda! A Zuca tem seus probleminhas comportamentais, pois é muito temperamental, mas mesmo assim é muito parceira e carinhosa, do jeito dela! Aquele ratinho virou uma gata linda demais!

DOENÇAS URINÁRIAS DOS FELINOS

Postado por M.V. Raquel Redaelli. Resumo da palestra apresentada na Noite dos Felinos da XI Semana Acadêmica da Faculdade de Veterinária da UFRGS (dia 06 de outubro de 2011).

               As Doenças do Trato Urinário Inferior dos Felinos (DTUIFs) são classificadas em causas não obstrutivas e causas obstrutivas. As principais causas não obstrutivas são a presença de cristais na urina e a cistite intersticial idiopática; enquanto que as principais causas obstrutivas compreendem os urólitos (cálculos), plugs e coágulos que se instalam na uretra impedindo o fluxo urinário.

                Segundo a literatura, os gatos machos castrados são mais predispostos às DTUIFs. Porém, na experiência clínica, grande número de gatos inteiros estão sendo afetadoss, tanto por obstruções quanto por cistite, esta muito comuns também nas fêmeas. Os principais fatores relacionados com a síndrome são o sedentarismo, a obesidade, gatos que vivem em ambientes internos, que comem apenas ração seca e consomem pouca água diariamente. Com a associação desses fatores, a urina fica mais concentrada, predispondo o acúmulo de minerias, a camada protetora de glicosaminoglicanos presente na mucosa da bexiga sofre redução, e a urina entra em contato direto com a mucosa, causando irritação. Em machos, a chance de cristais e coágulos obstruírem o fluxo da uretra é maior que em fêmeas, pois o diâmetro da uretra na região do pênis é de apenas 0,7 mm; geralmente as obstruções ocorrem nessa região.

                Os sinais clínicos relacionados com DTUIFs são dor e desconforto para urinar, urgência para urinar, frequência aumentada de micções durante o dia, urina por gotejamento, presença de sangue na urina, lambedura da região peniana (sinal de incomodo), podendo ocorrer a obstrução total do fluxo urinário, quando o gato vai tentar urinar, porém não vai conseguir. Passadas 24 horas de obstrução, o gato começa a apresentar quadro de insuficiência renal, com inapetência, vômitos, desidratação intensa, podendo vir a óbito se o quadro não for revertido antes de, no máximo, 72 horas.

                A cistite intersticial está relacionada a estresse e erros de manejo. O tratamento é de suporte, para aliviar os sintomas, e correção das causas predisponentes, pois a doença não tem cura. Quando ocorrem episódios freqüentes, pode-se fazer uso de antidepressivos. É indicado ter diversas caixas de areia pela casa (uma a mais que o número de gatos), de tamanho grande, e que os dejetos sejam recolhidos, no mínimo, uma vez ao dia. O local das caixas de areia e do alimento deve estar distante (pelo menos1 metro), e em local reservado, calmo e silencioso.

                Quando a DTUIF é causada por cristais ou cálculos, além do tratamento de suporte e controle de infecções, deve-se identificar o tipo de mineral e o pH da urina, para iniciar o tratamento com dieta específica (diferente para cada situação). Quando há obstrução, a intervenção deve ser imediata!

                Para a prevenção de todas as DTUIFs, é essencial estimular a ingestão de água. Lembre-se que gatos gostam de água fresca, em recipientes amplos, e de água corrente. Vale qualquer coisa: água direto da torneira, água no box do banheiro, uso de fontes, e inclusive associar as rações úmidas à dieta de gatos predispostos!

EXERCÍCIO PARA GATO?

Postado por JOICE PERUZZI, Médica Veterinária Homeopata e especializada em Comportamento de Cães e Gatos. Contato pelo email joiceperuzzi@yahoo.com.br . Visite o site www.comportapet.com.br .

               Muitos pensam que gatos são animais pacatos, que não precisam fazer exercício e nem ter acesso à rua. Mas não é bem assim… existem gatos e gatos! Realmente alguns são mais pacatos enquanto outros são mais ativos, mas todos devem receber uma boa cota diária de brincadeiras, evitando excesso de peso, ansiedade e estresse que, quando persistentes, podem até causar distúrbios de comportamento.

                 FORA DE CASA

                Algumas pessoas permitem que seus gatos tenham acesso à rua, especialmente em cidades do interior. No entanto, devemos ficar atentos aos perigos da cidade, como carros, cães e até outros gatos que, além de brigar, podem transmitir doenças para o seu bichano.

               Uma boa opção é passear com seu gato, de coleira. Mas não pense que você vai convencer seu gato adulto a sair de guia na rua de primeira. Antes ele deve se acostumar com a coleira, que pode ser peiteira ou de pescoço. Deixe-o com a coleira por alguns minutos por dia, aumentando esse período gradativamente. Quando ele já estiver adaptado, engate a guia na coleira e faça o mesmo processo: deixe por alguns minutos e aumente o tempo gradativamente.

               Os primeiros passeios devem ser feitos dentro de casa, para ele se adaptar. Depois, aumente para o seu pátio ou área interna do prédio, para então sair à rua. Procure momentos do dia em que o movimento não seja grande e opte por caminhos mais tranqüilos.

               Gatos acostumados desde filhotes gostam muito do passeio, mas os adultos podem ser um pouco relutantes, por isso existem opções para você entreter seu gato dentro de casa também.

             DENTRO DE CASA

                As brincadeiras felinas imitam a caça, com todos os movimentos ritualizados, como se o resultado final realmente fosse a caça de uma presa. Por isso, eles adoram brinquedos que se movimentam, como bolinhas ou bichinhos presos em corda, por exemplo. Você pode mexer a corda, estimulando o gato, ou amarrar em local alto, para que ele brinque sozinho.

               Uma excelente ferramenta de enriquecimento ambiental é o uso do espaço vertical, já que os bichanos adoram viver nas alturas. A colocação de prateleiras, nichos ou a simples possibilidade de subir em um móvel pode se tornar algo divertidíssimo para um gato. E para não estragar a decoração da casa, existem empresas que projetam as prateleiras e nichos de acordo com as necessidades do dono.

               Outra coisa que gato adora é se esconder… para isso, use caixas e sacolas de papelão e coloque brinquedos dentro, estimulando ele a entrar nelas. Os arranhadores e brinquedos com catnip já são clássicos nas brincadeiras felinas.

               A alimentação também pode ser feita de forma lúdica, sempre usando o princípio da caça. Uma opção é mudar o local de alimentação do gato diariamente, para que ele tenha que encontrar a comida, ou jogar grão por grão da ração para ele. Também podem ser utilizados brinquedos para “rechear” com petiscos, o que estimula que o gato consiga conquistar o alimento, ou você pode esconder petiscos pela casa para que ele saia à caça deles!

               É importante frisar que gatos com problemas alimentares, idosos e cegos não devem ser submetidos a brincadeiras que envolvem a comida.

               Estimule seu gato diariamente e descubra as brincadeiras favoritas dele! Evite as brincadeiras diretas com o seu corpo (mãos, pés, etc), usando sempre brinquedos para esse fim. Isso evita acidentes, machucados desnecessários e problemas de comportamento.

 

# Você encontra os brinquedos interativos citados neste texto no site http://www.gatices.com.br

TOXOPLASMOSE

Postado por M.V. Raquel Redaelli. Adaptado de ”O Paciente Felino”, terceira edição.

            O Toxoplasma gondii é um protozoário que infecta a maioria dos animais de sangue quente, mas os felinos são os únicos hospedeiros definitivos (nos quais o ciclo se completa).

            Os gatos se contaminam principalmente ingerindo cistos presentes na carne de hospedeiros intermediários (roedores, suínos, ovinos, caprinos, bovinos, eqüinos e aves), completando o ciclo e eliminando oocistos não esporulados nas fezes. Estes oocistos se tornarão infectantes após a esporulação, que ocorre após um a cinco dias em contato com o ambiente. Além disso, o gato elimina esses oocistos apenas uma vez na vida, durante uma a duas semanas. Após, ele se torna imune, e mesmo em casos de depressão muito intensa do sistema imune, nova eliminação de oocistos é muito rara, e se ocorrer, é de número quase insignificante.

           A contaminação humana ocorre principalmente pela ingestão de água e alimentos contaminados e cistos na carne.

          A maioria dos gatos infectados por T. gondii não apresentam sinais clínicos. Os órgãos comumente afetados são os pulmões, olhos e fígado, e os sintomas incluem anorexia, febre, letargia, pneumonia, icterícia, dor muscular, pancreatite e sinais neurológicos.

          A confirmação do diagnóstico pode ser feita pela presença de anticorpos IgG no sangue, que confirma a exposição prévia ao T. gondii. A presença de anticorpos IgM ou grande aumento em IgG indica infecção ativa ou recente.

       Para a prevenção da transmissão, basta higiene! Limpar a caixa de areia do gato diariamente, lavar sempre as mãos após manuseio, lavar bem as verduras e a carne de consumo e a oferecida aos gatos deve ser cozida em temperatura acima de 68ºC ou congelada a – 7ºC pelo tempo mínimo de 24 horas antes do consumo. O processo de salga e de cura da carne também elimina o risco. Pessoas imunologicamente comprometidas (gestantes, pacientes em quimioterapia e HIV positivos) devem ter ainda mais cuidado com os alimentos e evitar o contato com fezes de gatos soronegativos para T. gondii (que ainda tem risco de eliminação de oocistos).     

 

Essa é uma das diversas campanhas educativas divulgadas pelo PEA – Projeto Esperança Animal. 

 www.pea.org.br

BENEFÍCIOS DA CASTRAÇÃO

 postado por M.V. Raquel Redaelli

 A castração é um procedimento cirúrgico, realizado com anestesia geral (de preferência inalatória).

Na fêmea é realizada por laparotomia, com a remoção de útero e ovários. A gata castrada tem menor risco de desenvolver câncer de mama, evita o estresse com cios freqüentes, as saídas à rua e reduz a agressividade. Recomenda-se castrar antes do primeiro cio (ou no máximo após o primeiro cio, que ocorre entre 6 e 9 meses de idade).

No macho a cirurgia consiste em remover os testículos com acesso pelo saco escrotal. O gato macho castrado tem menor interesse de sair à rua, reduzindo a agressividade, as brigas, os acidentes, o contato com gatos que podem transmitir doenças, marcação de território com urina e o gasto de energia com a busca por fêmeas. Os machos podem ser castrados após os 6 meses de idade; quanto mais jovem, maior será o efeito sobre seu comportamento.

O uso de injeções ou comprimidos “anticoncepcionais” não está indicado pela alta incidência de câncer de mama que se desenvolve como conseqüência e pelo risco de distocia (dificuldades no parto), decorrente de deformação e morte fetal.

O sedentarismo e o ganho de peso como conseqüência da castração é conhecido, mas pode ser evitado pelo proprietário, estimulando exercícios com jogos e brincadeiras e controlando a ingestão de alimento.

Como efeito em saúde pública, é fator importante o controle da reprodução da população felina errante, reduzindo o abandono de animais.