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ACIDENTES FELINOS: 13 PRECAUÇÕES

Por Raquel Redaelli, M.V. Publicado na Revista Pulo do Gato, Especial 13 ANOS DE MUITA SORTE! Edição Novembro/Dezembro 2013.

pulo do gato nov-dez13

Os nossos bichanos podem se acidentar em diversas situações que nós nem imaginamos!

“A curiosidade matou o gato.” (Ditado popular). Quem nunca ouviu esse ditado que tem um grande fundo de verdade? Gatos são seres muito inteligentes e seletivos, mas também muito curiosos e exploradores, e como a vida intra e extradomiciliar contém diversos perigos, cabe a nós, tutores responsáveis dos nossos bichanos, evitar os acidentes. Muitos desses perigos podem levar a consequências fatais.

INTOXICAÇÕES

1. MEDICAÇÕES: Nunca medique seu gato sem orientação médica. O maior número de intoxicações em felinos está relacionado ao fornecimento de paracetamol e ao uso de produtos para pulgas não indicados para gatos!

MEDICAMENTOS HUMANOS QUE NUNCA DEVEM SER OFERECIDOS AOS BICHANOS:

  • Paracetamosl (Tylenol)
  • Diclofenaco (Cataflan)
  • Ibuprofeno (Alivium)
  • Fenazopiridina (Piridium)
  • Ácido mefenâmico (Ponstan)
  • Fleet enema

MEDICAMENTOS QUE DEVEM SER USADOS COM CAUTELA:

  • Antiinflamatórios não esteroidais em geral (cetoprofeno, meloxican)
  • Ácido acetilsalicílico (AAS, aspirina)

2. ALIMENTAÇÃO: Os felinos podem apresentar quadros de intoxicação ao ingerir alguns alimentos que não são destinados a eles. Por isso, tome muito cuidado com alimentos como:

  • Alho
  • Cebola
  • Tomate (mesmo que não seja puro nem cru)
  • Chocolate
  • Abacate
  • Uvas

3. OUTROS PRODUTOS: Evite que os bichanos mantenham contato direto e retire-os do local de aplicação de:

  • Produtos de limpeza
  • Adubos e agrotóxicos
  • Produtos químicos (tintas, solventes, cloro, etc)

4. PLANTAS TÓXICAS: Muito cuidado com as plantas, já que muitos gatos gostam de comer “verdinhos”. Certifique-se de que as que você tem em casa não provocam perigos. Dentre as plantas tóxicas, podemos citar:

  • ciclame, hera, lírio-da-paz, jibóia-prateada, cheflera, sagu-de-jardim, mamona, amarílis, espirradeira, folha-de-veludo, tulipa, azaléia, teixo, samambaia, renda-portuguesa, espada-de-são-jorge e comigo-ninguém-pode.

veterinario gatos caxias - causa felina

ACIDENTES DOMÉSTICOS

A tutela responsável nos obriga a zelar pela segurança dos nossos animais de companhia. Os acidentes mais comuns e mais graves são a ingestão de fios e linhas e a queda de grandes alturas. Por isso, é preciso ficar atento a vários detalhes.

5. LUGARES FECHADOS: O felino gosta de entrar em armários, gavetas, caixas, malas, baús, e até em máquinas de lavar roupas e fornos, podendo ficar trancado ou se machucar. Ele também gosta de investigar sacolas, correndo o risco de sufocamento.

6. PLÁSTICOS: Os gatos têm atração por mastigar materiais que fazem barulho, principalmente plásticos. No entanto, caso engulam esses itens, eles podem engasgar ou apresentar obstrução intestinal.

7. LINHAS, FIOS DE LÃ E BARBANTES: Os bichanos adoram brincar com fios, mas podem acabar ingerindo-os. É comum o fio prender embaixo da língua e não ser deslocado pelo trânsito intestinal, provocando aderência do intestino, obstrução e peritonite. Além disso, onde tem uma linha, pode ter uma agulha, que também poderá ser ingerida e causar perfuração intestinal.

8. FOGÕES, ESTUFAS E LAREIRAS: Alguns gatos gostam tanto de aquecimento que chegam muito perto das fontes de calor e acabam se queimando. Tenha um cuidado especial com fogões à lenha e lareiras, pois o bichano pode pular em cima e queimar as patinhas.

9. JANELAS E SACADAS: É imprescindível a instalação de redes de proteção em apartamentos, pois o felino adora estar em locais altos. Ele pode se distrair ou tentar caçar e, consequentemente, se desequilibrar e cair. Todas as alturas proporcionam riscos, assim, mesmo quem mora em andares baixos deve colocar a rede, pois, além de segurança para os bichanos, é uma tranquilidade para os humanos.

10. OBJETOS CORTANTES: Muito cuidado com alfinetes, facas, tesouras, vidros, etc.

ACIDENTES EXTRADOMICILIARES

Os gatos que tem acesso à rua estão sujeitos ainda a outros tipos de acidentes e doenças, muitas vezes mais graves. Os bichanos que possuem vida livre podem aproveitar melhor seus instintos, mas as consequências disso devem ser bem avaliadas pelos responsáveis.

11. AUTOMÓVEIS: Os gatos podem dormir perto do motor do carro enquanto ele ainda está quentinho. Mas quando o motorista dá a partida, o animal pode sofrer queimaduras e ser “transportado” sem que ninguém perceba. Além disso, são muito comuns os atropelamentos, mesmo que os gatos sejam rápidos e ágeis.

12. ATAQUES: Os bichanos que andam pelas ruas estão sujeitos a ataques de cães e brigas com outros gatos, além de maus-tratos realizados por crianças e adultos.

13. DOENÇAS: As doenças mais graves são as transmitidas entre gatos, sendo a AIDS (FIV – Vírus da Imunodeficiência Felina) e a Leucemia (FeLV – Vírus da Leucemia Felina) causadas por retrovírus e sem cura.

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PRESTE ATENÇÃO AOS SINAIS DE DOENÇA DO SEU GATO

 postado por M.V. Raquel Redaelli

www.geekcats.com

Como proteção os gatos evitam demonstrar fragilidade, dor e mal-estar, Por instinto tendem a disfarçar e se esconder, motivo pelo qual as doenças muitas vezes são percebidas em estágios avançados.

Alguns sinais podem ser sutis, mas podem revelar alterações na saúde:

emagrecimento,    obesidade,    olhar profundo,    pelos opacos e eriçados,   polidipsia (ingerir mais de 100ml por Kg de peso de água ao dia),   poliúria (urinar em excesso),    agitação e/ou “mau-humor”,    vômitos frequentes,    urinar ou defecar em locais inadequados

Se perceber alguma dessas alterações, procure o médico veterinário para fazer um check-up. Melhor ainda: faça avaliações periódicas para detectar doenças precocemente! O ideal é uma visita anual ao veterinário.

ADOTEI UM GATINHO: O QUE DEVO SABER?

Postado por M.V. Raquel Redaelli.

Ao final do texto, links relacionados, que aprofundam diversos assuntos citados aqui.

Se você adotou ou quer adotar um gatinho, e é o seu primeiro animal de estimação, muitas dúvidas vão surgir, e serão esclarecidas com a convivência. Se a sua decisão foi por um gato, você primeiro deve conhecer a personalidade desta espécie e saber como eles se relacionam conosco, para não ficar decepcionado depois. Muitas vezes as pessoas querem ter gato por sua higiene e agilidade, mas querem que ele seja dependente e comportado como um cão. É possível educar os gatos, mas é inevitável que até que isso aconteça, ele estrague móveis afiando suas unhas e também é inevitável a presença de pelos espalhados pela casa. Mas tudo pode ser amenizado. Em contrapartida, ter gatos é apaixonante  e viciante. Você já reparou que dificilmente uma casa tem apenas um gato? Eles são limpos, companheiros, divertidos, habilidosos… Podemos passar horas observando suas atitudes: dormem muito, tomam banhos sozinhos (com sua língua), caçam insetos e presas imaginárias, pedem carinho e ronronam, enfeitam as nossas janelas…. (1) (imagem Simon’s Cat)

É mesmo um gato que você quer? Ótima escolha, certamente não vai se arrepender!

Começamos escolhendo a raça (2): gatos de pelo longo perdem menos pelos, mas exigem maiores cuidados com a pelagem, como escovação, banhos, tosas, etc, além de terem maior predisposição a problemas de pele (3). Os persas, por exemplo, em geral, são gatinhos muito dóceis, mas também mais pacatos; gatos de pelo curto perdem mais pelo, e existem inúmeras raças, com comportamentos diversos. Adotar um gato sem raça definida tem vantagens e desvantagens: as vantagens são mais numerosas, sabemos que todos os gatos atingem mais ou menos o mesmo tamanho, que apresentam fisionomia parecida, e que estamos ajudando um animalzinho abandonado, já que existem tantos por aí, além de não precisar pagar pelo bichinho; a desvantagem é não conhecer previamente as características comportamentais, e podemos nos deparar com um gatinho mais arisco. Porém, dependendo da idade que adotamos, essas características já estão presentes (4).

Podemos também escolher o sexo: em relação à docilidade não difere, depende da personalidade; os machos tendem a demarcar território a partir da puberdade (urinam pela casa) e desejam sair às ruas para namorar e também brigar por território e por fêmeas; as fêmeas entram no cio diversas vezes ao ano, e cada cio é um escândalo (miam muito). Porém, o ideal é sempre castrar nossos filhotes, para diminuir esse comportamento indesejado, prevenir doenças e evitar gestações indesejadas e mais animais abandonados no mundo! Estando castrados, nada disso acontece (5).

Levando o gatinho para casa:

# Providencie uma caixa de plástico para ser o banheiro do gato, nela vai conter areia sanitária (produto especial para gatos). É bom ter 2 caixas, de preferência em local distinto, e quando houver mais de um gato, ter uma caixa além do número de gatos. Coloque areia sanitária até atingir mais ou menos 4 cm, ou então coloque uma folha de jornal em baixo e pequena quantidade de areia sobre ela, apenas para incentivar o gato a fazer ali, pois gosta de cavar. Retire os resíduos todos os dias, ou sempre que ele utilizar, utilizando uma pá plástica. Tem gato que não usa a caixa se estiver suja, e vai fazer fora ou ficar segurando, causando problemas de saúde (6). Deixe as caixas a pelo menos 1 metro de distância da água e comida. Troque todo o conteúdo de areia e lave bem a caixa pelo menos uma vez ao mês (imagem Simos’s Cat).

# Procure dar ração de boa qualidade, especialmente quando filhote, pois vai refletir no desenvolvimento e na saúde quando adulto. Gatos comem diversas vezes ao dia, então deixe ração disponível ou ofereça pelo menos 3 vezes ao dia. Deixe água sempre limpa, fresca e à vontade. Gatos gostam de água corrente e de recipientes amplos (7 e 8).

# Gatos adoram subir nas janelas e guarda-corpo de sacadas, e lá se distraem e podem cair. Cuidado! Coloque telas de proteção (aquelas para crianças) ou mantenha tudo fechado (9).

# O gato vai escolher seus locais preferidos da casa, mas eles adoram deitar sobre panos e cobertores. Você pode deixar alguns pela casa especialmente para ele, principalmente em cima do sofá e da cama (a imagem ao lado é intitulada “Gatos entre livros”, de Izabel Benavides, artista plástica).

# Providencie arranhadores e coloque em locais estratégicos da casa, de fácil acesso. Se ele arranhar o sofá, coloque ao lado do sofá. Alguns gatos gostam de arranhar na vertical, outros na horizontal. Mantenha as unhas do gato aparadas, para diminuir os estragos.

# Gatos adoram brincar. Providencie brinquedos como ratinhos de pelúcia, bonequinhos com penas, etc, mas eles se divertem muito com coisas do cotidiano, como bolinhas de papel, atilhos, laser point… (10) Cuidado com fio dental e fios de lã, com e sem agulhas, pois eles podem ingerir e ficar trancado no intestino (imagem Simon’s Cat).

# O gatinho deve receber vermífugo e vacinas. Procure um médico veterinário para garantir a saúde do seu bichano (11).

# Se o gato tiver acesso à rua, esteja consciente de que o risco de acidentes e de doenças contagiosas é muito maior (11). Neste caso, utilize uma coleira com o seu telefone caso ele se perca e peça para seu veterinário microchipar o animal, para ajudar na sua localização. Gatos podem aprender a passear utilizando coleiras do tipo peiteira, mas deve ser ensinado aos poucos, e o passeio deve ser em local calmo e sem cães.

# Providencie uma caixa de transporte para ele. Será muito útil quando precisar levá-lo ao veterinário, pois eles se sentem mais seguros lá dentro, e também diminui o estresse no transporte e o risco de fugas. Você pode deixar a caixa aberta dentro de casa com um paninho dele para que se acostume a entrar e ficar tranquilo.

# Procure saber onde há atendimento 24 horas na sua cidade e tenha o número do seu veterinário de confiança, caso aconteça alguma coisa com o gatinho.

Se você já tem gatos e quer introduzir um novo membro na casa:

Garanta que o novo gatinho está saudável, lembre-se que existem doenças infecciosas que são silenciosas e que podem ser transmitidas (especialmente FIV e FeLV). Deixe-o separado dos outros por algumas semanas e procure o médico veterinário para um check up.

Para introduzir um novo membro deve ser feito uma adaptação, para que eles se aceitem melhor e não tenham problemas de convivência. Mantenha-os em locais separados, até que não se incomodem mais com a presença do outro pelo cheiro através da porta; então, prenda o novo numa caixa de transporte e deixe-a no ambiente para que o antigo cheire através da grade (faça isso por alguns momentos do dia, diversos dias, até que o antigo já não se incomode mais); após, você pode pensar em soltar o gatinho alguns momentos do dia e então definitivamente (imagem Simon’s Cat).

Seja feliz com o novo membro da sua famíla!!

LINKS DO BLOG FELINO RELACIONADOS:

1. O GATO COMO ELE É  https://blogfelino.wordpress.com/2012/01/22/o-gato-como-ele-e/

2. GATOS DE ESTIMAÇÃO: DIFERENÇA ENTRE RAÇAS https://blogfelino.wordpress.com/2011/08/08/195/

3. QUEDA DE PELOS NOS GATOS https://blogfelino.wordpress.com/2012/02/26/queda-de-pelos-nos-gatos-e-normal/

4. COMPORTAMENTO FELINO https://blogfelino.wordpress.com/2011/12/15/comportamento-felino/

5. BENEFÍCIOS DA CASTRAÇÃO https://blogfelino.wordpress.com/2011/07/15/131/

6. DOENÇAS URINÁRIAS DOS FELINOS https://blogfelino.wordpress.com/2011/10/05/doencas-urinarias/

7. DICAS DE ALIMENTAÇÃO PARA GATOS https://blogfelino.wordpress.com/2011/10/12/dicas-de-alimetacao/

8. COMPORTAMENTO ALIMENTAR DOS GATOS https://blogfelino.wordpress.com/2012/02/05/comportamento-alimentar-dos-gatos/

9. “GATO PARAQUEDISTA”: POR QUE OS GATOS CAEM DAS JANELAS? QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS DA QUEDA? https://blogfelino.wordpress.com/2011/11/20/gato-paraquedista-porque-os-gatos-caem-das-janelas-quais-as-consequencias-da-queda/

10. EXERCÍCIO PARA GATO? https://blogfelino.wordpress.com/2011/10/02/exercicio-para-gato/

11. DOENÇAS INFECCIOSAS DOS GATOS E VACINAÇÃO https://blogfelino.wordpress.com/2011/11/15/doencas-infecciosas-dos-gatos-e-vacinacao/

DOENÇAS DO GATO IDOSO

do site da Clínica Veterinária Gatos & Gatos, no Rio de Janeiro – RJ. http://www.gatosegatos.com.br/faq.htm

               O envelhecimento é um processo inevitável e irreversível. Contudo, o estado débil atribuído ao gato geriátrico, pode ser oriundo de uma enfermidade que pode ser corrigida ou pelo menos tratável pelo médico veterinário. Deve-se diferenciar as mudanças inerentes ao processo de envelhecimento daquelas em função dos processos patológicos.

               O ciclo de vida do gato pode ser dividido em quatro estágios: filhotes – faixa etária compreendendo 6 a 8 meses; adultos – animais com 1 a 7 anos de idade; idosos – entre 8 a 12 anos; geriátricos – após os 12 anos.

               O número de gatos idosos e geriátricos vem aumentando no atendimento clínico diário. Isso se deve pelo aumento da preferência do felino como animal de estimação e pelo fato da medicina veterinária preventiva ter evoluindo muito. Hoje os gatos são favorecidos pelos programas de vacinação, dietas mais adequadas para a faixa etária e de prescrição (segundo as enfermidades), além da evolução das técnicas para obtenção de um melhor diagnóstico, somando-se ainda, a participação de proprietários mais conscientes e zelosos pela saúde do seu gato. Tudo isso fez com que a expectativa de vida dos gatos, que era de 10 anos, passasse para 15 anos. Se estimarmos em 15 anos a longevidade média de um gato, este atingirá o último terço de vida ao redor dos 10 anos de idade, o que corresponde a uma definição comum de envelhecimento qualquer que seja a espécie envolvida. Neste estágio, geralmente aparecem sinais que chamam a atenção dos proprietários: falta de dinamismo, sonolência, alteração do pêlo.

               A expectativa de vida máxima de um gato é geneticamente programada. Ao contrário do que ocorre com os cães, a raça tem pouca influência na expectativa de vida do gato, mas varia consideravelmente em função do ambiente do animal. Para um gato que vive fora de casa, a expectativa de vida é de apenas 10 anos, mas um animal confinado em um universo muito protegido atinge 18 a 20 anos de idade. Alguns gatos são conhecidos por terem vivido mais de 30 anos. Hoje em dia os gatos são castrados com freqüência e vivem mais no interior das casas: portanto, estão menos expostos a acidentes. Uma alimentação apropriada e de qualidade permite combater os fenômenos patológicos e fisiológicos ligados ao envelhecimento, manter o peso do gato em seu nível ideal, e contribuir para a prevenção de problemas urinários.

               O conhecimento da influência do envelhecimento em cada um dos sistemas orgânicos aumenta a capacidade para criar critérios para os meios de diagnósticos, para planejar programas de prevenção de doenças e instituir terapias adequadas. Os gatos idosos e geriátricos são mais sedentários, menos enérgicos, menos curiosos e mais restritos em suas atividades. Eles se ajustam lentamente às mudanças da dieta, atividades e rotina. Eles são menos tolerantes ao calor ou frio extremo. Eles procuram locais confortáveis aquecidos e dormem por longos períodos. Os pêlos apresentam-se embolados, secos e sem brilho, visto que os gatos idosos costumam perder o interesse de se lamberem. Quando manipulados, são mais fáceis de se irritar.

               Muitas das mudanças comportamentais ocorrem pelas alterações nos órgãos dos sentidos: diminuição da audição, da visão e do olfato. As unhas são pouco desgastadas e é comum vê-las introduzidas nos coxins (almofadinha das patas). Eles apresentam dores articulares, em função de doenças degenerativas das articulações, fraqueza muscular e perda de tônus muscular. Tudo isso faz com que os gatos restrinjam sua atividade e habilidade para participar da vida familiar. Muitos gatos ficam tão carentes com o afastamento que começam um processo de lambedura compulsiva, levando a áreas extensas de alopecia, ou iniciam com o distúrbio de eliminação de urina ou fezes em locais inapropriados. Viagens e hospitalizações são pouco toleradas pelos gatos idosos. Tais gatos se alimentam pouco ou ficam anoréticos, muito ansiosos e dormem pouco. É melhor deixá-los em casa sob os cuidados de alguém familiar (“cat-sitting services”). Constipação é um dos problemas freqüentes do gato idoso. Os fatores de risco são: falta de exercício, retenção fecal voluntária, dieta inapropriada, dor por impactação da glândula adanal, redução da motilidade intestinal e fraqueza da musculatura intestinal. As fezes se apresentam mais ressecadas e endurecidas. Doenças periodontais levam a processos extremamente dolorosos e fazem com que os gatos recusem o alimento. A perda de peso é um problema sério no gato idoso e deve ser investigada se é devido a problemas dentários, endócrinos, afecções de má absorção e/ou a uma percepção mais fraca dos odores e sabores dos alimentos.

               O gato é por natureza um grande consumidor de proteínas, não há razão alguma para reduzir drasticamente o fornecimento protéico quando ele envelhece. Esta restrição poderia ser prejudicial a sua saúde. Enquanto que a restrição protéica não permite retardar o envelhecimento do rim, por outro lado aconselha-se uma diminuição de fósforo na dieta. Com esta medida pode-se esperar um retardamento do declínio da função renal. Os alimentos que acidificam a urina dos gatos são desaconselhados após os 10 anos de idade. Estes alimentos parecem favorecer o desenvolvimento de cálculos urinários de oxalato, os quais são mais frequentemente observados em gatos idosos. Além disso, é melhor evitar alimentos acidificantes em animais cuja função renal poderia estar prejudicada.

               Como conseqüência de um aumento na expectativa de vida do gato, observamos cada vez mais as doenças crônicas. As doenças encontradas com maior freqüência em gatos idosos são: insuficiência renal crônica, problemas dentários, tumores (adenoma funcional da glândula tireóide, acarretando em hipertiroidismo), degenerações ósseas e musculares, doenças cardiovasculares e diabetes mellitus.

               O programa preventivo de saúde para o gato idoso deve ser iniciado a partir da faixa etária de 7 a 11 anos de idade e deve continuar por todo resto de sua vida. Esse programa tem sido recomendado pela Associação Americana de Clínicos Especialistas em Felinos e pela Academia de Medicina Felina, em 2005, num painel para reportar os cuidados com o paciente felino idoso. Caso o gato não demonstre nenhum tipo de doença, na avaliação deve constar: avaliação completa da história médica pregressa e do comportamento do animal, exame físico completo, aferição da pressão arterial e exames sanguineos, que ajudam a estabelecer o que está normal e reconhecer o mais cedo possível o que está errado. É fundamental avaliar o peso do animal e as condições corpóreas e compará-las com aferições anteriores, para verificar se houve perda ou ganho substancial. A recomendação para pacientes que estejam portando alguma enfermidade é similar as anteriormente mencionadas associadas aos exames específicos para as afecções.   

CUIDADOS COM OS GATOS NO VERÃO E NAS FÉRIAS

Por M.V. Raquel Redaelli             

               Mesmo que seja comum vermos nosso gatinho deitado sobre um cobertor ou estendido no sol num dia quente de verão (sentimos calor só de ver!), não significa que gatos não sofram com o calor. Devemos prestar atenção em diversas questões para dar qualidade de vida aos nossos bichanos nos dias quentes e evitar que fiquem doentes.

EM CASA: 

  • Água sempre à vontade, em potes de boca larga (eles gostam mais). A água deve ser trocada todos os dias e o pote lavado, pois acumula limo. Preste atenção que o pote esteja sempre em local com sombra. Uma dica é colocar cubos de gelo na água, ou sozinhos em outro potinho (deixe um pote com água normal também). Muitos gatos gostam de lamber as pedras de gelo, e quando derreter, a água estará bem fresquinha. Outra dica é deixar diversos potes espalhados pela casa.
  • Ambiente ventilado, arejado e sombreado. Porém, tome cuidado com janelas abertas que não contenham tela, pois pode causar acidentes (quedas e fugas). Uma opção é ter um ventilador ou ar condicionado (será bom para todos da casa!).
  • Observe se o seu gatinho está comendo normalmente. Acontece com frequência do gato deixar de comer devido ao calor, sendo este um fator que predispõe ao desenvolvimento de lipidose hepática, doença que acomete o fígado e pode levar a óbito (leia mais em https://blogfelino.wordpress.com/2011/12/01/lipidose-hepatica-felina/).
  • Se você mora em casa com pátio, utilize produtos contra pulgas e carrapatos em todos animais da casa a cada 30 dias, pois no verão as pulgas e carrapatos estão em seu período de maior desenvolvimento e multiplicação, e ambos podem transmitir doenças aos gatos e aos cães, além do desconforto, da coceira e da sujeira.
  • Se observar seu gato respirando de boca aberta em um dia quente, com o pescoço esticado, ele pode estar com calor e se sentido mal (cuidado, pois podem ser outras doenças graves que causam insuficiência respiratória)

SE VOCÊ FOR VIAJAR:

  • Muitos gatos aceitam bem viagens e novos ambientes, desde acostumados desde cedo com isso. Se você puder levá-lo junto na viagem, pode ser a melhor opção, pois ele certamente prefere ficar com você do que em uma hospedagem. Importante: observe se o local não oferece perigos para o gato, como acesso à rua, contato com cães e outros gatos, possibilidades de fuga, etc. Eu, particularmente, adoro levar minha gatinha comigo para onde eu for, especialmente em locais com contato com grama e ar livre, e é uma satisfação vê-la se divertir e mostrar todo seu instinto naquele ambiente. Porém, deve-se ter consciência do que isso implica e pesar se as possíveis conseqüências valem o risco, pois aumenta muito a chance de acidentes (como atropelamento, ataque por cães, briga com gatos, fuga, etc) e de ficar doente (como contaminar-se com FIV e FeLV, doenças transmitidas por pulgas, etc). Importante que ele esteja devidamente vacinado, utilizando antipulgas, e utilizando uma coleira com seu telefone. (na foto, a Zuca na praia, de coleira; o telefone está do lado de fora, pois ela é arisca). Uma dica, além da coleira, é microchipar seu gatinho, pois se ele se perder, pode ajudar a localiza-lo, pois seus contatos ficam gravados no chip.
  • Se não puder levá-lo junto com você, antes de pensar em deixá-lo em uma hospedagem, procure alguém que possa ir na sua casa todos os dias ou a cada 2 dias trocar a água, a comida, limpar a caixa de areia e dar carinho e atenção. Estando em casa, metade dos problemas dele estão resolvidos! Peça para a pessoa passar pelo menos 30 minutos com ele, estimular que coma (para ver se está se alimentando), observar se há vômitos pela casa, etc. 
  • Se optar por deixá-lo em um hotel, dê preferência para um local que hospede apenas gatos, ou que tenha a hospedagem separada dos cães, para minimizar o estresse. Leve uma caminha ou cobertinha dele e solicite que ofereçam a mesma alimentação que recebe em casa. Conte para a pessoa do hotel as manias que ele tem na hora de comer. Conte também como são os hábitos higiênicos e de uso da caixa de areia dele. Procure locais com gaiolas espaçosas.
  • Se for viajar por apenas 2 ou 3 dias (não mais do que isso!), pode pensar em deixá-lo em casa com diversos potes de água e de comida, e com várias caixas de areia. Essa condição depende do temperamento do gato, você o conhece e sabe se ele vai aceitar essa situação. A maior preocupação é se o gatinho deixa de comer quando a ração fica um pouco mais velha. Outra preocupação é se o gato apresentar algum problema de saúde, vai ficar sem a assistência adequada. E também tem outros gatos que podem miar demais ou até ficarem deprimidos.
  • Se viajar com ele, tenha uma caixa de transporte sempre junto, pois é o locar onde ele vai se sentir mais seguro.
  • Evite deixar seu gato dentro do carro fechado sob o sol. Se precisar deixá-lo no carro estacionado, deixe o carro na sombra e com frestas nas janelas. Uma dica é gelar bem o carro com o ar condicionado antes de deixá-lo sozinho. O animal pode apresentar dificuldades para respirar e o esforço acaba gerando um desbalanço no seu metabolismo, que pode levá-lo a óbito. Outra alteração grave é a intermação, quando a temperatura corporal se eleva demais.

“GATO PARAQUEDISTA”: PORQUE OS GATOS CAEM DAS JANELAS? QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS DA QUEDA?

Postado por M.V. Raquel Redaelli. Adaptado dos livros Coletâneas em Clínica e Cirurgia de Felinos e O Paciente Felino.

               Conhecida também como “Síndrome da queda de alturas”, os acidentes que envolvem quedas de gatos das janelas e sacadas são uma realidade do mundo moderno, onde temos um maior número de pessoas vivendo em apartamentos, e que tem os gatos como animal de estimação ideal.

              Ao contrário do que se diz por aí, as quedas não são suicidas, e sim acidentais. Os felinos são ágeis e destemidos, mas podem ser prejudicados por sua curiosidade e instinto de caça, e é nesse momento que os acidentes ocorrem. Gatos jovens sofrem quedas com mais frequência, fator que pode ser atribuído à inexperiência.

               Nas quedas, cerca de 90% dos gatos sobrevivem. Em média, 3% morre na queda ou logo após, 37% precisam de atendimento emergencial, 30% precisam de tratamento não emergencial e 30% não precisam de qualquer tratamento (Fonte: O Paciente Felino 3ª edição).

               O curioso é que os gatos sofrem lesões mais graves mais quando caem de alturas menores! Na verdade, quando caem de alturas até 7 andares, as lesões ocorrem mais em extremidades e são mais evidentes, e quando caem de alturas maiores, conseguem distribuir melhor o peso no impacto e as lesões ocorrem mais a nível interno, principalmente em tórax.

               Em quedas até o sétimo andar, as lesões são mais graves conforme a altura, ocorrendo principalmente fraturas múltiplas. Até esta altura, a velocidade máxima de queda não foi atingida, e o sistema vestibular sofre estimulação contínua, causando rigidez dos membros e incapacidade de preparação para uma aterrissagem horizontal.

                Acima dessa altura, o número de lesões estabiliza ou diminui. Acredita-se que isso ocorra pois gatos que caem a altura maior de sete andares, atingem a velocidade de 90  Km/h, o que estimula ao máximo o aparelho vestibular, e o gato assume uma postura mais horizontal e menos rígida, com impacto distribuído igualmente pelo corpo. Isso ocorre em gatos que estão conscientes durante a queda.

               O gato consciente e com reflexos posturais (vestibulares e cerebelares) intactos impõe correções posturais durante a queda, resultando em desaceleração corporal e aumento da área de impacto, Primeiro, ele retoma, ainda no ar, a posição de estação, com os quatro membros para baixo. Se a queda for mais alta, o gato progressivamente afasta os membros do corpo (formando uma espécie de “paraquedas”), posição na qual aumenta o atrito com o ar e a aceleração da gravidade é minimizada pela resistência. As lesões observadas são mais difusas e menos evidentes, pois o trauma ocorre simultaneamente no tórax, abdome, face interna dos quatro membros e parte ventral do pescoço e cabeça.

               As lesões que acometem com mais frequência os gatos após a queda são: traumatismo torácico, contusões pulmonares, pneumotórax, ferimentos diversos, fraturas de membros, fraturas dentárias, de palato duro e de mandíbula.

               A queda de um gato, independente da altura, deve ser tratada como emergência, pois podem ocorrer lesões “silenciosas”, ou seja, pouco evidentes, que podem causar a morte do animal se não tratado adequadamente.

Nem precisaria ser dito, mas não vamos brincar com a sorte e pagar para ver o que acontece! Para prevenir este tipo de acidente, é indicado colocação de telas em todas as janelas e sacadas dos apartamentos.

 

CRIANDO O GATINHO ÓRFÃO

postado por M.V. Raquel Redaelli

             Cuidar de um gatinho que perdeu a mãe ou que foi rejeitado por ela é um momento trabalhoso, pois requer cuidados intensivos. Porém o maior trabalho dura apenas em torno de um mês, e então o gatinho consegue ser um pouco mais independente. E É O MÁXIMO! Ver aqueles bebezinhos começarem a andar, procurar a comida, ir até a caixa de areia fazer suas necessidades….

               Alguns fatores são essenciais nos cuidados com o gatinho recém-nascido:

  ALIMENTAÇÃO:

               Os substitutos de leite para gatinhos vendidos em pet shops são uma ótima opção, pela facilidade de preparo e também por ser completo nutricionalmente (leite em pó especial que deve ser diluído em água).

                Outra opção é preparar o leite em casa. Uma receita caseira que gosto é: utilizando leite em pó integral, mel ou glicose de milho, creme de leite, ovo e água pura, prepare 250ml de leite em pó com água morna, misture bem 1 colher de sopa de glicose, 1 colher de sopa de creme de leite e 1 gema. O preparado pode ficar em geladeira por 24 horas, e deve ser amornado na hora de servir.

                Ofereça o leite utilizando mamadeira pet, que possui bico pequeno e facilita a sucção. O gatinho deve mamar a cada 2 horas, e esse período vai aumentando com o passar das semanas. Espere que ele chore pedindo comida, somente o acorde se tiver passado mais de 3 horas sem mamar. A quantidade a ser oferecida é o quanto ele quiser tomar por vez. Mantenha a mamadeira inclinada para que o gatinho não ingira ar, e mantenha o filhote com a cabeça levemente mais alta que o corpo.

  HIGIENE:

               Quando está com a mãe, o gatinho urina e defeca quando estimulado por ela. Devemos estimulá-lo antes e depois da alimentação, passando suavemente um algodão levemente umedecido em água morna sobre a região genital. As fezes são amareladas, devido ao leite. Evite dar banho no filhote, pois pode deixá-lo doente.

  AQUECIMENTO:

               Gatinhos neonatos não conseguem manter sua temperatura corporal, por isso devemos fornecer fontes de calor externa. Além de paninhos e cobertores, pode-se utilizar bolsas de água quente, garrafas pet com água quente dentro, etc, sempre envolvendo em um pano para que não queime o gatinho.

  CRESCENDO:

               Em torno de um mês de vida, o gatinho começa a andar, com o rabinho em pé, parecendo uma antena. Comece a oferecer papinha de desmame (vendido em pet shop) ou ração em lata para filhotes ou então uma ração seca de boa qualidade para filhotes umedecida em água morna para que fique como papa. Observe se ele está comendo o necessário por dia, senão continue fornecendo mamadeira. Quando ele estiver mais firme e comendo melhor (mais ou menos aos 40 dias), comece a oferecer a ração seca também, até que possa tirar a papinha. Alimente-o de 4 a 6 vezes ao dia.

                Quando ele começar a andar, já deixe por perto uma caixa pequena e baixa com granulado sanitário para gatos, para que ele aprenda a usar.

  VERMÍFUGO E VACINA:

               Aos 15 dias o gatinho já pode receber a primeira dose de vermífugo, que deve ser repetida em 15 dias. Entre 45 e 60 dias ele já pode receber a primeira dose da vacina.

                Procure um veterinário para orientações quanto à marca e dose de vermífugo a ser dado, e para fazer um calendário de vacinação para seu filhotinho.

  SOCIALIZAÇÃO:

               Se o seu gatinho estiver saudável, deixe-o interagir com pessoas e outros animais (de qualquer espécie, sem que corra riscos de ataques), principalmente após a segunda semana de vida. Assim, ele irá aprender a interagir e conhecer os limites das suas brincadeiras, para se tornar um adulto mais dócil e carinhoso.

A gatinha das fotos é a Zuca. Adotei ela no HCV da UFRGS quando eu estava no quinto semestre da faculdade (em 2005). Ela tinha uns 3 dias de vida, e estava  abandonada com mais 8 gatinhos. Ela foi criada com a receita caseira de substituto de leite,  e se tornou essa gatona linda! A Zuca tem seus probleminhas comportamentais, pois é muito temperamental, mas mesmo assim é muito parceira e carinhosa, do jeito dela! Aquele ratinho virou uma gata linda demais!