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COMPLEXO RESPIRATÓRIO VIRAL FELINO (A GRIPE DOS GATOS)

        Adaptado do site da Clínica Veterinária Gatos & Gatos, no Rio de Janeiro – RJ. http://www.gatosegatos.com.br/faq.htm

A rinotraqueíte viral felina (causado pelo herpesvírus) e a calicivirose felina são as doenças respiratórias mais prevalentes dos gatos, cujos sinais clínicos freqüentemente se confundem e, por vezes tornam-se indistinguíveis. Em função disso, são reunidas num mesmo grupo, referindo-se ao complexo respiratório viral felino (CRVF).

            Os sintomas principais dos gatos com infecção aguda são febre (40°C ou mais), blefarospasmo (piscar de olhos), espirros, tosse, meneios da cabeça, secreção nasal e ocular, intensa salivação, ulcerações na língua, palato e filtro nasal, periodontite, anorexia e prostração.

     A secreção nasal mucopurulenta provoca a oclusão das vias aéreas superiores, de forma que o animal perde o olfato e passa a respirar com a boca aberta. O apetite vai diminuindo até cessar. A tosse é uma manifestação da laringotraqueíte (inflamação da laringe e traquéia). A moléstia clínica persiste no mínimo por 10 a20 dias.

          As afecções orais são lesões freqüentes e características da calicivirose,   que leva à dor e salivação intensa, motivo pelo qual eles relutam em ingerir qualquer tipo de alimento. Os animais perdem peso e desidratam facilmente, ficando suscetível às infecções bacterianas secundárias.

     A secreção ocular é de caráter seroso inicialmente, evoluindo para secreção mucopurulenta; observa-se, então um edema conjuntival e incômodo intenso. As complicações oculares podem evoluir a vários estágios, podendo chegar até uma ruptura do globo ocular com perda da visão uni ou bilateral. A infecção dos ductos lacrimais pode levar a formação de cicatrizes e oclusão dos mesmos, ocorrendo umedecimento persistente uni ou bilateral da face, causado pelo lacrimejamento.

     Na infecção crônica pelo herpesvírus, os gatos adultos podem demonstrar sinais de afecção respiratória através de espirros esporádicos e secreções nasal e ocular. A rinite e a sinusite dos seios frontais são complicações associadas ao portador crônico de rinotraqueíte em conseqüência das lesões no epitélio.

Os sinais clínicos dos gatos portadores crônicos do calicivírus são periodontite com perda precoce dos dentes, particularmente os incisivos, e escassa secreção nasal e ocular.

           A vacinação contra o CRVF precisa ser vista como uma proteção contra a enfermidade na forma severa, e não como uma proteção contra a infecção. As vacinas utilizadas são combinações, visando à proteção dos gatos contra o vírus da rinotraqueíte, calicivírus, panleucopenia e, em alguns produtos, atuando também contra os antígenos da clamidiose felina, da leucemia viral felina ou da raiva.

        As vacinas atenuadas promovem um rápido desenvolvimento da imunidade, tendo vantagem no controle de surtos, onde um grande número de animais está envolvido. A desvantagem é a replicação no hospedeiro,  podendo causar infecção e possibilidade de reversão de sua virulência. A vantagem da vacina com o vírus inativado é a segurança. O vírus inativado não se replica no hospedeiro e elimina-se a probabilidade de reversão de virulência. As vacinas inativadas são as mais indicadas para as gatas prenhes e nos felinos imunossuprimidos pela infecção pelo vírus da imunodeficiência felina. Contudo, as vacinas com o vírus inativado induzem a uma proteção curta, sendo necessárias várias aplicações, e os intervalos das revacinações são mais curtos.

  (veja também DOENÇAS INFECCIOSAS E VACINAÇÃO –  https://blogfelino.wordpress.com/2011/11/15/doencas-infecciosas-dos-gatos-e-vacinacao/)

       O controle efetivo do CRVF em populações felinas depende de uma combinação de programas de vacinação estrategicamente aplicados: quarentena, segregação, identificação e intervenção precoce, e manejo ambiental. Segregação dos animais por faixa etária, minimizando a exposição dos animais mais novos e susceptíveis aos eliminadores potenciais do vírus, como os gatos portadores assintomáticos; manutenção de um ambiente físico com baixa densidade populacional, limpo e ventilado, evitando a concentração do microrganismo.

      Para a introdução de novos gatos à população, devem-se tomar algumas medidas de proteção contra a infecção pelo CRVF. Estes devem ser isolados e avaliados para possíveis sinais de enfermidade por 3 semanas ou mais e devem ser testados para o FeLV e FIV, respectivamente. Os gatos pertencentes à colônia que apresentem sintomas respiratórios devem ser permanentemente removidos e, caso permaneçam, devem ficar em recintos separados por uma distância de 1,5 metro. Os gatinhos provenientes de mães portadoras devem se separar precocemente das mesmas, em torno das quarta ou quinta semana, idade na quais os níveis de anticorpos maternais declinam. Os felinos que apresentam sinais de doença crônica devem ser removidos ou mantidos definitivamente separados da colônia principal, bem como aqueles positivos para a infecção pelos vírus da FeLV e/ou FIV. São de fundamental importância nos abrigos e criatórios com doença respiratória enzoótica, a diminuição da densidade populacional e o aumento da renovação de ar no recinto, para que se reduza a concentração viral.

Outra forma freqüente de propagação dos vírus da RVF e CVF é a transmissão através das mãos dos tratadores, enfermeiros e médicos veterinários, além da presença do vírus nos utensílios como fômites e vasilhas sanitárias. Portanto, a lavagem rotineira das mãos é imprescindível no manejo dos felinos sob qualquer circunstância. A desinfecção do ambiente, bem como dos utensílios é indispensável para eliminação dos vírus.  No mercado brasileiro, o alvejante denominado água sanitária, na diluição de 1 litro do alvejante em 9 litros de água, é eficaz para eliminação dos vírus e não irritante para os felinos, recomendado para limpeza dos gatis, mesas ambulatoriais, comedouros, bebedouros, vasilhas sanitárias, dentre outros. As superfícies devem ser bem secas após a desinfecção, antes que o animal seja introduzido no gatil (pintura de Aldemir Martins, artista plástico).

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DOENÇAS INFECCIOSAS DOS GATOS E VACINAÇÃO

postado por M.V. Raquel Redaelli

Os gatos estão suscetíveis a algumas doenças infecciosas que são provocadas, em sua maioria, por agentes diferentes das doenças que acometem os cães, apresentando, portanto, manifestação clínica diferente.

 As doenças infecciosas que acometem os gatos são:

– Panleucopenia Felina: semelhante à Parvovirose Canina, altamente contagiosa e letal, acomete gatinhos jovens, com vômitos, diarréia, anorexia e desidratação.

– Herpesvírus felino: geralmente a contaminação é materna, sintomatologia de gripe, com secreção nasal e ocular.

– Calivivirose: muito contagiosa, causa lesões e úlceras na cavidade oral.

– Clamidiose: é zoonose, causa conjuntivite.

– Leucemia Felina (FeLV): doença transmitida por contato direto e fômites, não tem cura. Causa imudepressão, cursa com anemia, leucemia e câncer.

– Imunodeficiência Felina (FIV): o contágio ocorre por mordida de gatos contaminados, não tem cura. Doença imudepressora, o gato apresenta definhamento e doenças oportunistas pelo sistema imune frágil.

– Peritonite Infecciosa Felina (PIF): altamente letal, a transmissão do vírus ocorre através das fezes, mas depende de predisposição individual para fazer mutação do vírus e desenvolver a doença. O estresse pode ser fator predisponente da mutação do vírus no indivíduo.

– Raiva: é zoonose, letal, transmitido por mordida de morcego ou de animais com infecção ativa.

VACINAÇÃO

 As doenças infecciosas que podem ser prevenidas pela vacinação adequada são: panleucopenia felina, herpesvírus, calicivirose, clamidiose, leucemia felina e raiva.

As vacinas disponíveis para felinos no Brasil são:

– Vacina Tríplice: (panleucopenia, herpesvírus e calicivírus)

– Vacina Quádrupla: (tríplice + clamidia)

– Vacina Quíntupla: ( quádrupla + leucemia felina)

– Vacina Antirrábica

 www.geekcats.com.br

INDICAÇÕES DA VACINAÇÃO:

 A vacinação está indicada em todos os gatos, exceto naqueles que apresentaram algum tipo de reação vacinal (nesse caso, o médico veterinário deve avaliar a necessidade).

 – Gatos filhotes: indicado vacina quádrupla quando viver em apartamento e vacina quíntupla quando tiver acesso à rua, a abrigos ou com gatos FeLV positivos. O número de doses depende da procedência do animal: indicado 2 doses de vacina (aos 2 e aos 3 meses de idade) quando o gatinho é procedente de criações familiares, e 3 doses quando procedentes de abrigos ou aglomerados de gatos. Indica-se vacina antirrábica, 1 dose, após os 4 meses de idade.

 – Gatos adultos: indicado 1 dose anual de vacina antirrábica e de tríplice ou quíntupla (se tiver contato com a rua, com muitos gatos ou com gatos positivos para Leucemia). Gatos que não tem acesso à rua nem contato com outros gatos de fora de casa podem ser vacinados a cada 2 anos. Porém, deve passar por uma avaliação anual com veterinário, para detecção precoce de alterações. Gatos com as vacinas feitas a mais de 3 anos devem receber 2 dose de tríplice ou quádrupla.

 OBSERVAÇÕES:

– o ideal é testar o gato para FeLV antes da vacinação para Leucemia Felina e comprovar que seja negativo. Se o gato for positivo, a vacina não terá o efeito preventivo.

– as vacinas contra o Vírus da Leucemia Felina estão estão novamente disponíveis no Brasil desde maio de 2012; por desinteresse de importação por parte das empresas que fabricam as vacinas ela esteve indisponível por muito tempo.

– a peritonite infecciosa felina e a síndrome da imunodeficiência felina (AIDS felina) não são prevenidas por vacinas realmente eficazes (vacinas somente nos EUA, com eficiência não comprovada).

– existem vacinas inativadas e vacinas com vírus vivo atenuado. Cada uma delas está indicada em situaçoes diferentes, de acordo com a procedência do animal, local de convivência, condição clínica, etc. O médico veterinário deve avaliar caso a caso e administrar a vacina mais adequada.